Jantar dos cartéis

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Amanda

Anoiteceu e cada segundo que se passava no relógio minha ansiedade aumentava, eu não estava pronta para reencontrar o Mateo, tomei um banho demorado com intuito que a água quente relaxasse meus músculos, mas foi em vão, peguei meu belo vestido vermelho e o vesti, não abusei da maquiagem, aliás, duvido que ela permaneceria em meu rosto depois do trágico fim. Desci as escadas e notei que Lucas me aguardava na porta, ele usava um terno preto elegante, quando me viu sorriu maliciosamente.

- Vermelho é minha cor preferida a partir de hoje. - sussurrou.

Não dei importância para suas palavras, entramos no carro e o motorista dirigiu calmamente, a noite era tranquila e eu suava de nervoso, assim que chegamos no maldito hotel senti minhas pernas falharem ao descer do veículo, Lucas não tirava o sorriso idiota da cara, ele se posicionou ao meu lado e enlaçou seu braço no meu.

- Hoje pelo menos de mentira terei o prazer de falar que é minha mulher.

- Não ouse usar isso a seu favor. - ameacei.

- Vai ser maravilhoso ver a cara de derrota do seu amado Mateo.

Eu não tinha tempo para ceder a suas provocações, pensei que papai nos acompanharia, mas ele nos incumbiu dessa missão, disse que deixaria os mais jovens representarem a aliança dos cartéis, como eu tinha voltado e assumiria a liderança ao lado do rato falou que seria bom eu ser apresentada formalmente a todos os outros líderes , respirei fundo enquanto era conduzida para dentro do salão, o hotel mais parecia uma casa de show, várias garotas semi nuas e homens de ternos se encontravam em harmonia ali, muitos olhares foram destinados a mim assim que entrei, não sei se pelo meu traje ou por eu ser a única mulher presente que não fosse prostituta.

Fiz uma análise do ambiente e encontrei o homem que ansiava ver, ele estava de costas, como se sentisse que era observado ele se virou, nossos olhos se encontraram e notei a dúvida que pendia em seu olhar, ele começou a caminhar rapidamente em minha direção, Lucas percebendo que Mateo se aproximava me colou ainda mais rente ao seu corpo demarcando território.

Mateo parou a centímetros do meu rosto, pude sentir seu hálito fresco em minha pele, sua respiração quente me arrepiou, eu queria enlouquecidamente me jogar em seus braços e acabar de vez com tudo, mas tive que me manter firme, a vida dele dependia de minhas ações, com a pouca coragem que me restava eu o cumprimentei:

- Boa noite senhor Ferraz, pensei que não o veria aqui hoje. É uma lástima dividir o mesmo espaço que você.

Ele me encarava incrédulo, parecia assimilar os fatos, passava a mão nos cabelos freneticamente como se unisse as peças do quebra cabeça. Nunca o vi tão atordoado, naquele momento percebi que mesmo não dizendo nada ele já sabia o que ia acontecer.

- Não me diga que você é uma traidora, só pode ser um pesadelo. Por favor Amanda me fale que o que eu estou pensando é mentira. Anda porrrrraaaaaa? - ele gritou segurando meu braço com violência.

Nesse momento Lucas interviu e o provocou:

- Solte o braço da minha mulher Ferraz, se não eu o mato aqui mesmo.

- Sua mulher? Tem certeza? A algumas noites atrás ela gemia era comigo dentro dela não com você? - Mateo cuspiu com raiva.

Tive que conter as lágrimas que teimavam a cair, decidi que era melhor acabar com isso de uma vez por todas.

- Calma rapazes, vejo que o Ferraz já entendeu tudo, ele não é tão burro quando pensei que fosse, talvez um pouco desatento e não notou os detalhes já que me ama cegamente, sinto lhe informar que tudo não passou de uma armação, ou acha que de todas as boates em Nova Jersey eu entraria justamente na sua? Era tudo um plano meu e de Lucas para te destruir e felizmente funcionou, você é um idiota e seu amor por mim facilitou as coisas o levando a ruína, acha mesmo que eu aceitaria ser presa na cama como um cachorro se não tivesse um plano maior por trás? Que aceitaria todas essas humilhações calada? Você foi um fantoche Mateo, eu nunca te amei, claro que o sexo é magnífico mas o Lucas é muito melhor. Sinto muito. - assim que acabei de falar Lucas me beijou, o desgraçado se aproveitava da situação e para piorar não pude me afastar se não estragaria o plano, cedi ao beijo com o estômago revirando, ele me grudou em seu corpo e seu cheiro adocicado me enojou, o rosto do homem da minha vida era pálido como cera, vi seus olhos com lágrimas, estava feito, o trato tinha sido concluído com sucesso.

Eu precisava urgentemente sair dali, não conseguia mais manter o teatro, assim que me virei, Mateo segurou firmemente meu pulso e começou a gritar chamando a atenção de todos os presentes:

- Você é uma vagabunda desgraçada Amanda, nunca confie em um Gonzalez, me deixei iludir por esses olhos verdes e suas palavras doces, meu pai tinha razão, o amor atrapalha tudo, mas vou resolver isso agora mesmo. - ele disse sacando um revólver da cintura e o posicionando diretamente em meu coração, a plateia que assitia ao espetáculo aguardava atentamente o final desse triste romance.

Encontro Fatal Histórias para pegar e não largar. Descubra agora