📍𝑱𝒐ã𝒐 𝑷𝒆𝒅𝒓𝒐 | 𝑴𝒆𝒔𝒆𝒔 𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔...
Na moral, se alguém me falasse lá trás que eu ia acordar com o barulho de um bebê chorando ao invés de sirene e tiro, eu ia dá muita risada.
Meses se passaram desde aquele dia no quarto. Desde o "eu tô grávida" que quase fez meu coração sair pela boca. E papo reto? nada me preparou pra essa fase.
Administrar a loja já tava sendo uma loucura do caralho, cliente pra lá, fornecedor pra cá, funcionário aprendendo, problema pra resolver... dinheiro entrando, conta saindo, é correria todo santo dia.
Mas nada, absolutamente nada... se compara á responsabilidade de saber que agora eu sou pai.
Ainda lembro da reação da minha coroa quando contamos, depois de me encarar por segundos ela começou a sorrir e chorar ao mesmo tempo.
— Meu filho vai ser pai... — Lembro das suas palavras.
A vó da Luna então? tá maluco, repetia toda hora que ia ser bisavó, passando a mão na barriga da garota. Assim como o resto da família, e os nossos amigos que vibraram muito com a notícia.
Mas a maior loucura mesmo não foi contar pra família.
Foi ter que refazer um quarto inteiro.
Porque até então era escritório improvisado, cheio de papel, computador, trabalhos da Luna, uma bagunça. E de repente, eu tava pintando parede, montando berço, discutindo cor de cortina.
Nunca imaginei que ia ter opinião sobre tom de rosa, mó parada isso.
Passei madrugadas montando móvel, assistindo tutorial, errando parafuso, xingando baixo pra não acordar minha mulher. Mas cada parafuso apertado era diferente, não era só um quarto.
Era o espaço da minha filha.
Tudo pra minha princesa.
Minha Isis.
Quando ela nasceu, eu entendi tudo. Entendi o que era medo, força, e entendi porque dizem que filho muda a gente.
Ela é tão pequena, tão frágil.. e mesmo assim, ela me fez ser invencível.
Hoje, quando chego da loja cansado, cheio de notas pra emitir, papeis pra assinar, é só ela apertar meu dedo com aquela mãozinha minúscula que o mundo para.
A Luna tá mais linda do que nunca, mais forte, mais mulher.
Ás vezes eu pego ela olhando a Isis dormir, como se ainda não acreditasse que é real. E eu também não acredito, porque eu já tive muita coisa na vida, dinheiro fácil, poder, respeito na base do medo.
Mas nada nunca chegou perto disso aqui, de entrar em casa e saber que eu tenho uma família.
Que eu tenho paz.
Que eu tenho um futuro.
E que não tenho medo do amanhã, só tenho vontade de viver ele.
Por elas.
A Isis tava quietinha no berço, milagre raro. Eu tava jogado na cama, fechando mais uma venda, enquanto a Luna dobrava umas roupinhas minúsculas que eu ainda não entendo como cabem numa pessoa.
— Amor. — ela fala do nada.
— Hum?
— Amanhã é aniversário do Caleb.
Bloqueio o celular e viro o rosto pra ela.
— Já?
— Já ué, criança cresce sabia?
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DOSE DUPLA
FanfictionLuna é uma jovem que cresceu no Complexo da Pedreira, no Rio de Janeiro. Sua vida vira de cabeça para baixo quando ela se vê dividida entre dois homens que representam mundos opostos: um sendo da lei e o outro não. À medida que Luna mergulha em um t...
