Capítulo 26

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Quando chegámos ao hotel, a senhora da receção ficou a olhar muito para nós, porque estávamos de mãos dadas. O Diogo olhou para mim e sorriu-me. 

Diogo: Boa noite - disse, sorridente, para a senhora.

Senhora: Muito boa noite. Posso ajudar em alguma coisa?

Diogo: Queres alguma coisa para comer, amor?

A senhora ficou a olhar para nós, espantada.

Eu: Não, obrigada - disse, beijando-o.

Senhora: Eu sabia!

Quando reparou que eu e o Diogo ficámos a olhar para ela, ficou muito atrapalhada.

Senhora: Desculpem, mas é que eu via-vos tão próximos e achava estranho vocês não serem um casal. Desculpem.

Diogo: E não éramos - disse, a sorrir - Boa noite.

A senhora fez um sorriso de orelha a orelha.

Eu: Boa noite, até amanhã.

Senhora: Boa noite meninos, aproveitem a vida enquanto são novos.

Subimos as escadas. Quando estávamos no corredor que ía levar ao nosso quarto, tentei imaginar qual seria a reação dos rapazes quando lhes contássemos.

Diogo: Sabes o que é que devíamos de fazer?

Eu: O quê?

Diogo: Nós devíamos de fingir que estávamos chateados com eles. Assim eles pensavam que tinham estragado tudo entre nós. O que é que achas, amor?

Eu: Até mereciam, mas temos que lhes contar, amor.

Diogo: E vamos... Quando eles menos esperarem, nós beijámo-nos - disse, dando uma pequena gargalhada.

Eu: Estou a imaginar a cara deles - disse, soltando uma gargalhada.

Diogo: Estás pronta?

Eu: Sim, espero não estragar tudo. Ainda por cima eles, a esta hora, devem de estar todos acordados.

Abrimos a porta do quarto e o barulho invadiu o corredor.

Diogo: Guida, eu já te disse que a culpa não foi minha. Pergunta-lhes...

Controla-te, não te podes rir.

Eu: Ninguém me tira da cabeça que tu fizeste de propóstio, que tu lhes pediste. Foi ele que vos pediu para levarem as nossas roupas, não foi?

Paulo: Não, Guida, foi nossa a ideia. Ele não sabia de nada.

Diogo: Vês? Não acreditas em mim...

Eu: Pois não, não acredito. Porque será?

Está-me a custar estar a dizer-lhe isto... Mas é por uma boa causa.

Diogo: Guida, ouve em o que é que estás a dizer... Não achas que estas a exagerar? 

Eu: Não, não acho. Já comecei a ficar um bocadinho farta disto.

Os rapazes estavam a olhar para nós de boca aberta. Eles nunca nos tinham visto discutir.

Rúben: O que é que se passou?

Diogo: Nada!

Paulo: Não parece... 

Eu: Sabem o que é que se passou? Vocês levaram as nossas roupas, foi isso que se passou.

Rafael: Foi só uma bincadeira.

Diogo: Muito estúpida por sinal, não é? Quer dizer, nós ficámos ao frio.

Paulo: Desculpem, nós pensávamos...

Eu: Pensavam o quê?

Rúben: Que podia ser uma oportunidade para resolverem as coisas.

Eu olho para o Diogo e tento transmitir-lhe que achava melhor terminar a conversa por ali. Já estávamos a fazê-los sentirem-se culpados. E, se calhar, se não fossem eles, eu e o Diogo ainda não éramo namorados. Eu e o Diogo somos namorados, ainda não acredito.

De repente, o Diogo puxa-me contra ele e dá-me um beijo. Fez-se silêncio no quarto. Quando olhámos para eles, eles estávam de boca aberta.

Rúben: Eu é que não estou a perceber nada...

Diogo: Rapazes, apresento-vos a minha namorada - disse, com um sorriso enorme.

Paulo: Mas vocês ainda há pouco estavam meios chateados...

Eu: Era para vos fazer sofrer um bocadinho - disse, soltando uma pequena gargalhada.

De repente, todos estavam em cima de nós, num abraço de grupo. Só  conseguia ouvir «Parabéns!». 

Who am I?Histórias para pegar e não largar. Descubra agora