Após decidir passar um tempo sozinho me vejo fazendo as malas para viajar a Bahia, conhecer um lugar novo na medida em que posso por conta do pé. Passarei uma semana la ao lado de Vicente e trabalharei em casa.

Meu voo sairá ainda hoje mais tarde, portanto arrumo tudo as pressas. Depois de arrumar meu cabelo, me vestir, chamo um carro particular no aplicativo e vou rumo ao aeroporto.

Uma das coisas boas em ter dinheiro é isso, poder fazer uma viagem repentina para tentar descansar e clarear as ideias. Dinheiro nos traz a possibilidade de viver de verdade, a falta nos mata e os mais espertos conseguem sobreviver.

Sobreviver é tão cruel.

É como se você tivesse se afogando, você se debate, tenta se salvar, mas você sabe que é isso aí. Morrera ali mesmo, mas por míseros instantes você ainda tem a esperança de que alguém vai lhe salvar.

Não vão te salvar e quando descobrir talvez seja tarde. Ou você aprendi a nadar ou morre com a correnteza que a vida é.

A vida é cruel. Do início ao fim.

Ter um pouco de conforto a torna ao menos tolerável. 

Ao chegar no aeroporto resolvo tirar foto e começar um conteúdo na qual meus seguidores vão acompanhar. Não demora muito para eu ir embora da minha cidade e ir para meu descanso da semana.

Ao chegar na Bahia, vou direto para a pousada onde aluguei um quarto. Um lugar humilde, porém simpático. Vicente queria logo algo mais luxuoso, na qual ele está acostumado, mas insisti pela simplicidade.

O luxo também pode ter um preço alto a ser pago. Pode nao, tem.

Alugamos o quarto um do lado do outro. Deixo minhas malas no meu quarto e saio para tomar um café da tarde com meu amigo.

- Nossa, eu nem acredito que estou grávida! - comento enquanto tomo um café preto bem docinho que tinha no refeitório da pousada.

- Azar o seu. Crianças são um porre. - ele rir. - Você é muito problemática.  Devia sentar e conversar com Felipe, definir o que vão fazer. Ser adulta, Malu! Não pode ser assim a vida toda não, mulher. Manda essa Sofia pastar, manda ela para longe. Vai deixar essa mulher te intimidar?

- Ah sei lá, ando muito triste. Não sei.

- Hum, vai ter um evento maravilhoso hoje, com uns artistas de todo lugar do Brasil. São dançarinos, vamos lá ver eles. Assim você distrai um pouco.

- Tem razão, vai ser bacana.

- Todo ano tem! E tem um pessoal lá da escola da Mada aqui. Conhece a escola?

- Conheço. Então, vamos lá. Assim você distrai a cabeça... E vai ser bom para mim, pois sempre estou de olho em novos artistas. As vezes é necessário ter uns bailarinos, fora que eles vem babando ovo que é uma beleza e eu gosto dos meus ovos bem lambuzados.

- Credo, que nojo! - O reprimo rindo. - Você é terrível cara.

Termino de comer minha torrada e resolvo sair um pouquinho. Com a ajuda de Vicente, chegamos a praia.

Apenas fico ali observando a natureza e sentindo a brisa fresca do vento.  Depois me estico na cadeira para tomar um sol.

Como para mim não era viável entrar no mar por conta do pé e da bota, Vicente arrumou um litro, o encheu de água do mar e trouxe para me molhar. Poupando apenas o pé machucado.

Acabo caindo na risada, gravo um pouco da graça dele afim de compartilhar pelo fato do momento ser incrível.

- Aí cansei, você já tomou banho de mar. Não vou buscar mais água hein. - ele diz se sentando ao meu lado, mas logo se levanta e volta com duas águas de coco. - Sempre gostei da praia, acho que nasci no litoral porque as ondas do mar estavam me chamando enquanto eu ainda estava no céu.

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