Acordei primeiro que Felipe e já fui mais do que apressada para tomar banho, pois eu tinha que ir buscar Agnes na casa de mamãe e já se passavam das 12h. Eu não quero explorar mamãe, mesmo que ela não tenha reclamado, sinto que estou sendo uma folgada em deixar um bebe com minha mãe. 

Após finalizar meu banho rápido, paro em frente ao espelho e começo a analisar meu corpo. Ainda não voltou a ser como era, não é mais o corpo definido como antes. Também não ando me alimentando e nem treinando adequadamente, muito das vezes não consigo por estar ocupada ou cansada demais entre a maternidade e minha carreira profissional. Ando exausta. 

Minha pochete é pequena, nada que aparente que estou gorda ou qualquer coisa do tipo, mas me incomoda. Ela não é assim. E também tem um pouco dessas estrias que não existia e meus seios sempre parecem estar maiores, de fato está, por conta da amamentação. Não estou feia, mas esses detalhes diferentes me fazem ver e perceber que nada será mais como antes, isso me dói. 

Se eu não tivesse Agnes, estaria agora deitada na cama e transando provavelmente. Talvez teria passado a noite numa festa bem doida e agitada, não em um barzinho vendo Elise surtar com meu irmão. Essa dor de cabeça agora valeria a pena. 

Eu amo minha filha, mas o desejo de ser mãe ainda não despertou em mim. Eu sou mãe porque o acaso quis assim, não porque eu quis. 

Sou mãe porque poderia ter me cuidado melhor, e essa cobrança me mata aos poucos junto com as outras. 

O pior julgamento é o seu contra si mesmo. 

- O que está olhando? - Felipe me questiona com o olhar curioso. Se aproxima de mim e põe a mão na minha barriga, perto da minha mão. 

- Tentando me reconhecer.

- Como assim? - ele começa a acariciar minha barriga. Parecia orgulhoso, feliz. 

- Acho que eu mudei muito. 

- Por conta da gravidez? - então ele cheira meu pescoço. - Amo esse seu cheiro natural depois de sair do banho. Sabe, sem nada. Sem cremes, perfumes. Só você!

- É. A gravidez, a maternidade. 

- Nós dois mudamos, mas está tudo bem. - ele me vira para si. - Você está maravilhosa como sempre esteve! Responsabilidades são ruins, eu sei meu amor. Mas a vida é essa. Sempre uma responsabilidade e pensa que agora você partilha uma comigo. - ele me abraça, me envolve em seus braços e eu começo a chorar.

- Eu queria um dia de preguiça. Um dia no spa. Um dia sendo cuidada. Sendo mimada. Um dia dormindo o dia inteiro. 

- Oh meu amor, deixa Agnes comigo domingo que vem e faz tudo isso. 

- Eu não consigo. Se eu sumir um dia inteiro vou ficar preocupada com ela o dia inteiro. - choro mais um pouco. - Eu tô gorda, Felipe. 

- E o seu personal?

- Ele diz que é invenção da minha cabeça. 

- Oh meu amor, vou pagar uma terapia para você. Vem cá, deita comigo. 

Felipe me leva até na cama e me deita lá. Aos poucos ele vai me acalmando. Quando minha crise passa percebo que agora já são mais de 13h. Visto uma roupa rapidamente, deixo Felipe em casa e vou buscar Agnes. Ao chegar na casa de minha mãe ela estava enlouquecida tentando fazer a neném parar de chorar.

- Minha filha, essa sua menina desatou a chorar! Não para nunca. - mamãe entrega Agnes imediatamente para mim assim que me vê. - Dei mama para ela, já dormiu, já brincou e agora está ai reclamando a manhã toda.

- Aí tem hora que ela desata a pirraçar. 

- Pois é, viu!? Você almoçou minha filha? - mamãe pergunta já indo para a cozinha, mais tranquila. Como se não estivesse apavorada com os berros de Agnes. - Tem comida aqui. Almoça aí.

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