Ao chegar de volta na casa de Felipe, ele me pergunta se eu queria que as meninas e Guto fosse embora, mas eu já fiz minha cena, meu show e agora eu quero que ela veja o que ela não vai ter. Não com meu homem.

Convido seu Eugenio, sua namorada e Haroldo para passar um tempo conosco no churrasco, mas não quiseram. Terminaram de jogar truco e logo em seguida foram embora deixando as crianças conosco. Nem mesmo minha mãe que sempre gostou de um churrasco quis ficar.

Vou até a cozinha e faço uma farofa de bacon enquanto Bianca investiga todas as coisas que seu filho comeu durante o dia, já digo logo, não foram coisas saudáveis. Entretanto o menino parece estar alegre.

Quando chegamos do lado de fora Caique, com sua alma venenosa - característica herdada da mãe - foi correndo até seu pai exibir suas duas notas de 50 reais.

- Papai, eu tenho a melhor titia do mundo. Ela me deu cinquenta reais, mamãe me deu mais cinquenta só por eu ter mostrado que essas mulheres estavam aqui. - o menino pula no colo do pai animado. Gabriel nos olha meio desconfiado, apenas sorri de lado.

- Está subornando meu filho, Malu? - ele questiona em tom de brincadeira.

- Malu, ele é só uma criança. - Felipe acrescenta.

- Essas muier que vocês arrumaram são doidas varridas. - Guto conclui fazendo todo mundo rir. - A Malu sempre foi a mais doida das duas, desde a época da escola. Vocês lembram que ela vivia espiando a gente trocar de roupa lá no vestiário do ginásio?

Então todo mundo começou a contar um caso nada a vê da época da infância e adolescência, trazendo um clima leve e divertido para o inicio da noite. Olho para a cena, Felipe com Agnes no colo, Isis no colo de Bianca, Eloá e Caique se acabando no pula a pula, todos bebendo uma cervejinha e Guto assando uma carne com sua mulher da semana ao seu lado. As duas loiras apenas observavam, falava alguma coisa e outra com a gente de vez em quando, mas interagia mais com a mulher de Guto e Guto.

A pretendente de Felipe estava sem graça após nossa conversa.

- Cheguei lá no bar e vi o cara agarrando a Malu, beijando, fiquei com uma puta raiva. Mas antes de se quer dar um passo, vejo Maria Luisa dando uma joelhada no homem. - Felipe rir e toma mais um gole de sua cerveja. - Eu pensei em ir lá defende-la quando Bianca entrou no meio e começou a bater no homem também.

- Nossa cara, foi uma puta confusão. Nem sei como que ninguém chamou a policia. - Gabriel concorda rindo.

- Ninguém mexe com minha irmã. - Raul conclui orgulhoso enquanto ria também completamente relaxado.

Alguns minutos depois Carol chega para buscar sua filha e meu irmão. Ficou um pouco também, foi embora um pouco depois de Guto meter o pé com suas mulheres. Bianca decidiu ir quando viu que Caíque já estava derrubado demais no sono.

Ao irem embora olhei com certo orgulho a família de minha amiga. Gabriel carregava em seu colo seu filho mais velho, Bianca levava a pequena Isis. Sorrio ao assistir isso, jamais imaginaria que aos meus vinte e poucos estaria em um rolê família. Sempre me imaginei de outra forma, outra mulher, outra vida.

Meu coração se dividi entre se sentir confortável, segura com essa vida. Ao me ver assim, com família, sendo mãe. E a outra parte é a angustia de não estar por aí, viajando, festejando, vivendo. Eu amo meu bebê, me sinto alegre ao olhar para ela. Amo ficar observando cada detalhe seu, o cheiro, o som que ela imite, até cada movimento. Mas me sinto presa, eu sempre amei a liberdade.

Gosto da ideia de não ter a obrigação de existir. Mas como Agnes existe, ela precisa de mim.

Eu não estou mais a só e eu não sei como lidar muito bem com isso.

Me EsperaOnde histórias criam vida. Descubra agora