parte 19

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O PORTEIRO ME DEIXOU SUBIR SEM interfonar pro apartamento de Rafael

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O PORTEIRO ME DEIXOU SUBIR SEM interfonar pro apartamento de Rafael. Entro no elevador me perguntando quem seria aquela mulher da ligação. Sinto que vou explodir, e isso talvez seja um sinal de que estou perto de saber da verdade.

Que medo do que isso possa significar.

Toco a campainha e quase um minuto depois, resolvo tocar de novo. A porta se abre, dando visão ao loiro, com seu típico semblante ansioso.

— Cíntia... — ele murmura ao me ver entrar. — O que tá fazendo aqui?

— Você sumiu e quando eu te liguei mais cedo, uma mulher atendeu. Pode me explicar o que tá acontecendo? — cruzo os braços, e antes que ele responda alguma coisa, uma garota aparece na sala com uma camisola de bolinhas. — O que...?

— Você é a namorada dele? — ela aponta pra mim e dá uma mordida em seu donut.

Fico sem palavras e olho pra ele, que parece não saber o que dizer, ou como dizer.

— Alguém pode me explicar essa merda? — aumento o tom de voz.

— É-

— Foi com você que eu falei por telefone? — a provável Alessandra pergunta, interrompendo o cara que supostamente estava comigo.

— Sim. — digo quase num sussurro.

— É melhor ela saber, Rafael. — ela toca no ombro dele e se aproxima de mim em seguida. — Cíntia... — ela pronuncia meu nome como se tivesse ligando os pontos. — Eu estou grávida. Dele. — ela completa a frase apontando pro loiro. — E sinceramente, eu pensei ter sido clara na ligação. Agora que o Rafael vai ser pai, vocês precisam se afastar um do outro.

— Alessandra, fica quieta. — ele quase a interrompe. — Você não pode me dizer se devo ou não me afastar da Cíntia. Você não é nada minha.

— Eu sou a mãe do seu filho! — ela rebate gritando, me fazendo ficar ainda mais confusa.

— Você devia ter me contado. Mas é claro que isso ia acontecer. — balanço a cabeça, perplexa.

— Cíntia, me escuta, tá? — ele segura minhas mãos. — Eu te juro que isso não tava nos meus planos. Essa maluca veio aqui e me pegou de surpresa.

— Espera... — dou um passo pra trás. — Você tá com mais de dois meses, né?

— Aless-

— Um mês. Apenas um mês. — ela responde antes que ele pudesse intervir.

— Um mês. — murmuro, me sentindo a maior otária do planeta. — Eu vou embora. — dou as costas e saio em passos rápidos.

— Cíntia. Cíntia! — Rafael me segue e na porta do elevador, ele segura meu braço.

— Me solta, Rafael! — resisto, tentando afastá-lo, e quando finalmente consigo, nós ficamos um de frente pro outro.

Ele engole seco e seus olhos ficam vermelhos e encharcados, tanto quanto os meus.

— Me perdoa. — ele implora, segurando meu rosto.

— Sai! — tiro suas mãos de mim mais uma vez. — Pra quê isso? Me diz! Por que você disse que me amava?! Por que disse pra eu confiar em você?! Por que? Me fala! — distribuo tapas em seu peito.

— Eu te amo! Eu disse isso antes e vou continuar dizendo! Por favor, Cíntia! Não me deixe aqui, por favor...eu te imploro! — ele pede em desespero.

Ponho minhas mãos no rosto e me viro de costas. Começo a desabar em lágrimas, gemendo de angústia e com uma vontade imensa de gritar. Ele continua dizendo que me ama, repetidas vezes, até que me envolve em seu abraço. Me deixando perdida. Triste. Desolada.

— Sai daqui! — empurro ele. — Você arruinou tudo. Tudo. — enxugo meu rosto rapidamente, e clico no botão do elevador. — Agora fique com a sua nova família. — é a última coisa que digo antes de entrar e ver a porta se fechando lentamente.

Tiro da minha bolsa um lenço umedecido e o passo embaixo dos olhos, deixando a maquiagem menos borrada. Respiro ofegante até chegar no térreo.

Volto pra casa a pé, andando como um zumbi. As gotas salgadas insistem em cair e escorrer pela minha face. A última pessoa que pensei que me magoaria, não só me magoou, como me destruiu por dentro.

Atravesso a pista pensando que talvez seja melhor se o Luís me encontrar e me fazer pagar pelo que aconteceu com ele. Qualquer castigo é melhor do que essa solidão imensa e dolorosa.

— Cíntia, o que houve? — Rayane me recebe com uma pergunta.

— Nada. — jogo minha bolsa no sofá e vou direto pro banheiro.

Quando tiro minha roupa e estendo a toalha no box, ouço batidas na porta.

— Cíntia, pelo amor de Deus, me diz o que aconteceu! Foi o Rafael? Alguém te fez alguma coisa? Cíntia!

Fecho os olhos e sinto a água cair sobre mim, muito mais fria do que eu me lembrava. Com o susto, acabo caindo no chão e soltando um gemido de dor. Rayane grita pra eu destrancar a porta e com dificuldade, eu faço.

Ela entra na maior velocidade e ao notar meu estado, me abraça fortemente. Eu choro em seu ombro e ela põe as mãos no meu cabelo úmido, dizendo que vai ficar tudo bem. O que na certa é uma das maiores mentiras que eu já ouvi.

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