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— Não precisava ter pago o jantar pra gente também. — digo, quebrando o silêncio que se instalou desde que começamos à comer na mesa do restaurante.
— Cíntia. — Rafael chama minha atenção. — Ele tá sendo gentil, deixa.
— Não. — faço uma careta.
— Eu tenho bastante dinheiro aqui, não se preocupem. — Calino fala com a boca cheia.
— É? E onde conseguiu todo esse dinheiro? — provoco, olhando pro meu prato.
— No banco. — Calino ri, óbvio.
— Tá, mas se tava no banco, você deixou lá. Como conseguiu o dinheiro pra depositar? — continuo, e Rafael limpa a garganta, incomodado.
— Eu investi. — o homem engole seco, e eu estreito os olhos, duvidosamente.
— Jura?
— Cíntia. — Rafael me repreende. — Já deu.
— Eu to sendo criança, agora? É isso que vai dizer? — perco a cabeça e digo o que não quero. — Que merda...! — saio da mesa, desnorteada, e ando até a margem de entrada do hotel.
Às vezes eu tenho umas crises existenciais bem estranhas. Elas vem do nada e também desaparecem do nada. Acontecem geralmente nos piores momentos. Nos momentos onde eu deveria estar o mais calma e tranquila possível. Pelo menos minimamente.
Rafael me segue até as escadas, e eu paro entre duas paredes, baixo a cabeça e respiro fundo, tentando raciocinar. Eu gosto quando paramos um pouco no tempo só pra conversarmos sobre sentimentos.
Torna as coisas menos irracionais. É melhor.
— Sei que tá difícil. Estamos perdidos. — Rafael murmura, coçando o nariz com a manga do moletom.
— Achei que estivéssemos "fodidos". — faço aspas com os dedos.
— É difícil dizer qual estamos mais. — ele morde o lábio e eu acho graça.
— Desculpa por aquilo. — digo após uma pausa. — Às vezes fica difícil controlar minha boca.
— Eu sei bem disso. — ele ri, tocando no meu ombro e me puxando pra encostarmos nossos corpos. — Mas falando sério? Você tá certa em desconfiar. Ele provavelmente tem algum problema, mas tocar no assunto toda hora só vai dar cada vez mais merda. Nada vai acontecer, relaxa.
— Que dê merda, então. Você só tá sendo legal com ele porque ele é homem, que eu sei. — cruzo os braços e dou de ombros.
— E o que isso tem haver? — ele franze a testa, incrédulo.
— Você se intimida por mulheres. Pensa que eu não sei? — levanto uma sobrancelha.
— Isso é mentira. — ele balança a cabeça.
— Aham, tá. Muito mentira. Mentira cabeluda, mentira...deslavada, eu diria. — soei aleatória agora.
— Vem cá, cabelo de açaí. — ele segura minha mão e me gira, posteriormente dando-me um beijo na bochecha.
— Ex irmãozinho. — toco no ponto fraco dele.
— Ah, não começa com isso de novo! — ele faz uma cara aborrecida.
— Eu só falo porque você odeia. Faz parte! — gargalho, enquanto ele revira os olhos.