parte 13

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— Eu vou perguntar mais uma vez: qual é o seu nome? — o oficial de polícia calvo e de óculos me encara fixamente

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— Eu vou perguntar mais uma vez: qual é o seu nome? — o oficial de polícia calvo e de óculos me encara fixamente.

— Do que adiantaria? Vai acreditar em mim? — pressiono os lábios, receosa.

— Eu decido se acredito ou não na hora em que você me mostrar a sua identidade. — ele ajeita os óculos e cospe com as palavras.

— Eu não trouxe. — dou ênfase.

— Tudo bem. — ele respira fundo e levanta a cabeça. — Vamos esquecer a identidade por um minuto. Quero saber o motivo de tudo isso que você e seu namorado causaram. Esqueceram o dinheiro? A carteira? Como aconteceu?

Por um segundo tenho a esperança de que minha mãe não prestou queixa na polícia sobre meu desaparecimento. Depois de tantos meses e nada acontecer, é o que eu espero.

— Sim. — respondo, tentando me manter calma.

— "Sim" o quê?! — ele insiste.

Rafael entra pela porta desse escritório acompanhado de dois policiais. Olhei para ele em desespero, mas logo vi os dedos do oficial à minha frente se mexerem na frente de meus olhos, sinalizando pra eu voltar minha atenção pra ele.

— Ela não fez nada. — Rafael se intromete.

— Para! — repreendo. — Posso me defender sozinha.

— Então comece! — o oficial cospe as palavras de novo.

— Saímos de casa pra viajar e esquecemos carteira, dinheiro, tudo. Foi isso o que aconteceu. — explico, certa de que realmente foi quase isso.

— É melhor a gente falar a verdade, açaí. — Rafael murmura, e os policiais nos encaram com cada vez mais desconfiança.

— Essa é a verdade. — arregalo os olhos pro loiro.

— Nós fugimos há um ano e pouco. Vivemos no meu carro desde então. — Rafael diz, bancando o correto.

Ele continua sendo o cdf politicamente correto que eu conhecia.

— Fugiram de onde? — um dos policiais dá ênfase.

— De casa. — Rafael gagueja, e eu reviro os olhos.

— É mentira! — exclamo. — Cala a boca. Eles vão nos mandar de volta. — resmungo baixo, já cheia de raiva.

— Fodidos já estávamos há muito tempo, Cíntia. — ele responde, sua voz trêmula de ansiedade.

Devia ter arrumado um jeito de conseguir remédios pra gente. Somos ansiosos fora do normal.

— Sente-se. — o oficial puxa Rafael pela camisa e o praticamente joga ao meu lado.

Eu seguro a coluna dele, aliviando a situação. Isso não se chama "aliviar", Cíntia.

— Vocês não vão sair até contarem seu endereço. Moravam na mesma casa? — o homem calvo pega um caderno pequeno e caneta.

— Sim. — respondemos ao mesmo tempo, desanimados.

— Com mais quem? — ele passa os dedos na língua.

— Nossos pais. — Rafael responde.

— ...Então são irmãos?

— Não! — bato os pés no chão, irritada ao lembrar do incômodo que sentia cada vez que me perguntavam isso. — Vão nos levar de volta ou nos prender?

— Isso só depois que vocês cooperarem e explicarem exatamente o que aconteceu pra quererem fugir.

— Então não faz diferença, né? Vai nos prender numa jaula do mesmo jeito? — provoco.

— Ou levá-los de volta pra casa. — o homem corrige, irritado.

— Mesma coisa. — sussurro.

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