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Às vezes, as coisas parecem mais simples do que são. Quer dizer, depois de uma baita discussão, um quase suposto sequestro, não-roubo de absorvente, a coisa mais sensata à se fazer é cantar altamente num carro em alta velocidade nas pistas interioranas de São Paulo.
— Any way you want it, that's the way you need it, any way you want it...! — Rafael e eu cantamos e dançamos quase que juntos, se não fossem os péssimos passos que eu acabei de inventar.
Em um movimento brusco, Rafael acaba batendo no rádio e movendo ele de lugar. O objeto cai no chão, a música para e nós gargalhamos. O carro continua em movimento e não demora pra chegarmos numa plantação de milho.
— Daria tudo por um milho cozinhado agora... — desejo.
— Se pelo menos tivesse alguma casa por aqui. — ele responde, claramente rejeitando a ideia de cozinharmos um sozinhos.
Tudo bem.
— Já se deu conta? — pergunto, reflexiva.
— Do quê? — ele franze a testa.
— Podemos fazer o que quisermos agora. Tipo, qualquer coisa. — mordo o lábio, e ele entende errado. — Não isso que você provavelmente tá pensando agora...! — dou risada e ele coça a nuca. — Algo emocionante. Sei lá...tipo...
— Roubar um banco? — ele sugere.
— Nem se quiséssemos. — rio. — Cê precisa mesmo de alguém pra parar essa cabecinha insana, né Rafael? — provoco.
— Para, não tem graça. Isso é triste. — ele tenta não rir.
— Hilariamente triste. — cuspo de tanto que ri. — Como concertou o carro?
— Tive que empurrar ele pra...qualquer direção. No fim acabei encontrando um cara que entende de carros.
— E vocês se beijaram ao pôr-do-sol? — brinco.
— Idiota. — ele me xinga, mas acaba por rir também.
Ter ideias não é muito meu forte. Já fui mais criativa. Agora tudo o que eu faço de inovador é tirar fotos das coisas pra marcar e registrar. Se bem que o cérebro serve meio que pra isso, né? Não sei.
— Faz uma pose. — Rafael pega a câmera no banco de trás e posiciona ela, ainda dirigindo.
— Vou fazer aquela pose de: "estou prestes a morrer porque meu namorado não olha pra pista". Que tal?
— Quer que eu estacione, então? — ele coloca a câmera no meu colo e volta a prestar atenção na direção.
— Tira minha foto, vai. — devolvo a câmera pra ele, gostando da ideia de ter um pouco de aventura, pra variar.
— Faz uma pose melhor. — ele faz uma careta, pra demonstrar.
Eu imito, ele registra e nós rimos de como ele quase nos fez bater numa pedra enorme. Rafael me dá esperança, sabia? Ele me faz ver que pequenos momentos valem uma vida inteira. Ai, como eu amo esse loiro, puta merda.
— Eu te amo. — digo rapidamente, olhando nos olhos dele.
— Te amo. — ele sussurra, posteriormente pegando minha mão e beijando-a suavemente.
— Melação, eca! — forço uma cara enojada. — Quero mais uma dose de liberdade, senhor Rafael...! — imito um freguês de bar.
Se é que se pode imitar isso.
— Cê quer é um beijo na boca, que eu sei. — ele vira à esquerda rapidamente e aproveita pra me puxar pra um beijo intenso.
Sorri durante o beijo e nossos dentes de encostaram. Foi engraçado, até ele quase bater o carro numa pedra de novo e eu cair de tanto rir. Liberdade tem gosto bom. Muito bom.