parte 8

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— Quer que eu ligue o rádio? — Rafael interrompe o silêncio, ainda dirigindo

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— Quer que eu ligue o rádio? — Rafael interrompe o silêncio, ainda dirigindo.

— ...Talvez. — não o encaro.

Ele liga e a música que toca é "Hurts So Good".

— Eu não gosto dessa música! — reclamo.

— Você gostava. — ele mexe no rádio, e me olha estranho.

— Gostava de você também, só que aí você fodeu com as nossas vidas. — respondo, ríspida, mas logo sinto uma pontada de arrependimento.

Ele estaciona em qualquer lugar e vira pra mim.

— Cíntia, na moral...Até quando vai me culpar por isso, hein? Até quando? O cara entrou no hotel com uma faca e se fingiu de inocente pra nós dois. Aí ele tentou me matar- Eu quase fui morto..pelo cara!

— Eu sei! — choro. — Eu sei.

Ficamos em silêncio de novo. Eu odeio esses momentos. Odeio ter o que dizer, mas não saber como. É nessas horas que você percebe que a vida é exatamente como nos filmes. Um grande clichê de merda.

— Liga o carro, né? Vamo sair daqui. — reclamo.

— Agora vai me dizer o que fazer? Quer ser a mãe que eu nunca tive, por acaso? — ele provoca, irritado.

— Eu quero que você cale a boca. Isso que eu quero. — digo naturalmente, ficando mais tranquila, já que eu não sou mais a alterada do momento.

— Anda, fala...! Vai colocar a culpa do carro não funcionar em mim também? — ele tenta dar partida, mas o carro aparentemente morre.

— Cala essa boca! — grita.

— A criança vai levantar a voz pro adulto, de novo?! — ele provoca mais, fora de controle.

— Chega, eu cansei. — saio do carro.

— O quê?

— Cansei de bancar a babá de um mimado como você. Se vire, Rafael! — viro as costas e saio andando pelo mato.

— Cíntia, volta pro carro, é perigoso! — ele grita.

— Sai daqui! — resmungo.

— Cíntia! — ele grita mais uma vez.

Começo a correr e tento me distanciar o máximo que consigo do carro. Não vejo nada além de mato, pista e postes específicos acesos amareladamente. Penso em voltar e pedir desculpas, mas aí lembro do Calino. Da preocupação que tive com Rafael, da proteção que tive com ele e da confusão no hotel.

Uma raiva e angústia começa a crescer dentro de mim e eu não consigo parar minhas pernas. Sigo correndo e posteriormente andando. Sem destino, sem rumo, sem objetivos.

Eu gosto muito desse cara. Na verdade, eu acho que até amo ele. Mas é muito criança. Ele é mais criança do que eu, que nem sou criança. Isso soou estranho, não me entenda mal, eu só to nervosa. Nunca me aconteceu algo assim, então to bem frustrada.

A última vez que me senti assim foi quando fui assediada pelo meu padrasto, pai do Rafael. Posteriormente eu também quase fui estuprada por ele, mas alguém me salvou. Adivinha quem? Rafael. O Rafael sempre esteve lá, mesmo não sabendo disso. No fundo do meu coração, ele sempre esteve.

Isso é ruim, certo? Não fomos feitos um pro outro. Eu tenho sentimentos por ele e tal, mas as pessoas se enganam sempre. Talvez seja melhor eu me afastar e tentar viver de um jeito mais...Cíntia? Sem ser Cíntia "E" Rafael. Um pouco de independência cairia bem.

Penso no que Karine diria agora. Como eu sinto falta dela. Deve estar sendo modelo agora.

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