parte 8

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— Cíntia? — ouço a voz da minha mãe ecoar vagamente pelo meu quarto, me fazendo desconcentrar da música que ouvia

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— Cíntia? — ouço a voz da minha mãe ecoar vagamente pelo meu quarto, me fazendo desconcentrar da música que ouvia.

Tiro meus fones e olho pra ela, que entra rapidamente no cômodo e me encara um pouco receosa. Fiquei tanto tempo trancada aqui ouvindo música, que nem percebi a tarde passar tão rapidamente. Já devem ser umas 18 e pouca da noite.

— Oi. — levanto uma sobrancelha pra ela.

— Vamos. — ela estende sua mão pra mim, e sinaliza com a cabeça pra porta.

— Vamos? Vamos pra onde? Eu não to de castigo? — questiono, confusa.

— Sem perguntas, menina. Só venha comigo! — ela perde a paciência e me puxa pelo punho.

Consigo colocar meu celular no bolso do short, mas meus fones caíram de qualquer jeito na cama quando eu levantei. Onde ela quer me levar? Às vezes minha mãe parece uma bipolar, pois seu humor é muito aleatório.

Ela briga comigo, diz coisas horríveis repetidas vezes pra mim, e minutos – ou até segundos – depois fica toda carinhosa e arrependida. Me pergunto como seria se eu fosse assim. Geralmente eu tento pensar bastante antes de falar qualquer merda.

Queria poder recusar seu "convite" e mesmo assim sair ilesa. Sem receber mais um sermão, ou castigo. Desde a hora em que Karine saiu da minha casa, fico pensando na conversa estranha que ouvi entre o Rafael e Luís.

Merda. Queria tanto estar em casa a tempo do meu padrasto chegar do trabalho pra tentar ouvir a possível discussão que os dois vão ter. Mas a pergunta é: por que? Como eu já mencionei, eu nunca vi eles brigando, então isso seria bem inesquecível.

Saímos da garagem com o carro da minha mãe. Ela não disse pra onde pretende me levar, então eu to criando mil e uma teorias na minha cabeça.

— Pra onde tá me levando? — pergunto assim que ela cruza a esquina.

— Ao shopping, filha. Como nos velhos tempos. — ela sorri pra mim, levantando um pouco os ombros.

Levanto uma sobrancelha. Velhos tempos? Nós só fomos juntas ao shopping uma única vez, e eu fui por livre e espontânea PRESSÃO. Nunca gostei de comprar roupa, mas a dona Amélia – vulgo minha mãe – me pressionava a ser uma versão humana da Polly Pocket. Ou pelo menos tentava.

— Velhos tempos, claro. — gargalho, sarcástica. — Qual o sermão da vez?

— Não tem sermão nenhum, Cíntia. Você está de castigo, mas ainda temos o direito de um momento mãe e filha. — ela diz, ofendida.

— Você sempre diz que tem vergonha de sair comigo, porque não gosta do jeito que eu me visto. — exclamo, óbvia.

— Eu só falo essas coisas na hora da raiva, e você sabe disso! Não seja ingrata, minha filha. — ela gagueja, me olhando com decepção.

— Tanto faz... — me encosto no banco. — Não quero ir no shopping com você. — começo a roer uma unha.

— Você não tem mais escolha. — ela ri. — Já saímos de casa, então é melhor aproveitar. — ela tira minha mão da boca, sem tirar os olhos da pista em frente.

Ultimamente ela tem feito muito isso. Me chama do nada pra ir em lugares que não me agradam tanto, mas faz questão de passar horas e horas no mesmo. Mesmo que seja pra não fazer ou falar nada. Isso é estranho, certo? Ela com certeza tem algum distúrbio mental, e eu não to brincando.

— Eu quero ir pra casa! — reclamo, me espreguiçando.

— Vai ser legal, eu prometo. — ela diz, em um tom nada reconfortante.

— A sua animação me contagia. — sussurro comigo mesma, antes de ver Amélia olhando encantadíssima para o retrovisor do carro.

Ela tá literalmente admirando sua beleza facial plastificada enquanto dirige, ignorando o fato da própria filha estar cagando pro seu passeio nada divertido. Uau, que incrível...

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