parte 18

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— Mas o que é que eu vou fazer com vocês? — Luís esfrega seus grisalhos cabelos pela terceira vez, enquanto anda irritado em volta da sala

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— Mas o que é que eu vou fazer com vocês? — Luís esfrega seus grisalhos cabelos pela terceira vez, enquanto anda irritado em volta da sala.

— Deixar a gente em paz? — falo vagamente, dando de ombros.

Luís me encara furioso, e Rafael toca no meu braço, balançando a cabeça em negativo.

— Cíntia, esquece. — ele sussurra.

— Esquece, não! — me levanto do sofá, exausta. — A gente tem que ficar trancado dentro de casa o tempo todo, estudando coisas que não nos interessa? — me viro pra Luís, e ele continua furioso.

— Cíntia, querida... — ele passa suas mãos pelos meus braços, o que me incomoda mas eu não movo um músculo. — Se você quer ser uma desocupada, aí resolva isso com sua mãe. O Rafael quer estudar, então não é bom vocês andarem juntos. Né? — Luís olha para o filho, prevendo uma resposta.

— É. — Rafael resmunga, decepcionado.

— O que?! — exclamo, sentindo minha voz falhar.

— Cíntia, cala a boca! — o loiro se levanta do sofá e fica de frente pra mim.

— Não me manda calar a boca! — grito.

— Silêncio! — Luís levanta seus braços, o que me faz engolir seco, pensando no quão agressivo ele pode se tornar. — Cíntia, vá pro seu quarto e espere lá.

— Esperar o que? — cruzo os braços, receosa.

— Esperar. — ele me lança um olhar calmo, antes de puxar Rafael pelo braço até o andar de cima.

As coisas poderiam dar certo de vez em quando, né? Tudo ruim ao mesmo tempo confunde a minha cabeça de uma forma que a Cíntia de seis anos atrás não acreditaria.

Vou ao meu quarto e fico lá por horas, sem comer, beber ou descer pra fazer nada. Não consigo me concentrar em nada! Tudo está uma verdadeira merda. Bom...talvez nem tudo.

Pego minha câmera e coloco-a pra carregar. Fico vendo detalhe por detalhe dela por tempo demais. Fiquei tão feliz quando a mãe da Karine me deu isso no meu aniversário de quatorze anos. Foi o melhor presente que eu ganhei na vida.

O melhor, e provavelmente o último.

Mas não tem problema. Se eu tiver ela por muito tempo, vai ficar tudo numa boa.

Não ouvi nada vindo do quarto de Luís ou de Rafael. O silêncio se instalou completamente na casa. Fiquei até com receio de abrir a porta, caso algum dos dois aparecesse e começasse a discutir comigo.

Quando enfim ouço um barulho vindo de fora do quarto, coloco a câmera dentro de uma gaveta, puxo meu cobertor e finjo dormir. Luís abre a porta e entra inconvenientemente.

— Cadê o Rafael? — pergunto, levantando minha cabeça do travesseiro.

— Ele deu uma saidinha. Assim nós dois podemos conversar mais à vontade... — ele resmunga, num tom rouco, o que me faz arrepiar de tensão.

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