parte 22

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— Não quer que eu vá junto? — Rafael pega na minha mão ansioso pela segunda vez, assim que avistamos Luís ir pro banheiro e fomos pra frente de casa, onde está seu carro pronto pra partir

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— Não quer que eu vá junto? — Rafael pega na minha mão ansioso pela segunda vez, assim que avistamos Luís ir pro banheiro e fomos pra frente de casa, onde está seu carro pronto pra partir.

— Eu sou menor e mais rápida. — encaro confiante seus olhos azuis e tristes, que piscam constantemente e eu me derreto por dentro.

— Claro. — ele debocha. — Mas e se ele te ver?

— Ninguém vai me ver, Rafael. — sussurro, olhando pra dentro de casa. — Vou tomar muito cuidado, prometo.

— Por isso tá usando essa capa preta estranha? — ele aponta pra minha roupa. — Cíntia, você não é a Barbara Gordon! — ele levanta o topete suado, e eu respiro fundo, encantada.

— Tem razão. Mas eu sou a garota que vai salvar as nossas vidas! Então pode ir treinando seu discurso de agradecimento. — sorrio, divertida.

— E você pode ir treinando suas baixas expectativas... — ele resmunga. — Parou pra pensar que isso pode não dar certo?

— Sim. Mas é a única chance que temos, então eu vou aproveitar. — digo, entristecida. — É melhor eu ir, antes que o velho volte. — encolho os ombros, um pouco constrangida, me afastando.

O dia está nublado e alguns respingos de chuva já caem do céu. Ultimamente o clima não tem contribuído com as coisas que acontecem na minha casa. Mas tudo bem, porque dá um ar mais...emocionante? Isso deveria acabar logo.

Rafael "roubou" por um momento a chave do pai, para abrirmos o porta-malas e assim eu me esconder. Vou até o carro e rapidamente e sem muito barulho, destravo a brilhante tampa da Mercedes branca de Luís.

Jogo a chave de volta pra Rafael e ele coloca no mesmo lugar onde a pegou. De volta pra frente da casa, nos despedimos com um abraço amargo e estranho – como se estivéssemos percebendo só agora a situação a qual nos metemos sem querer –.

Ele me espera na varanda, enquanto eu respiro fundo, olhando pro céu e torcendo pra que nada de errado aconteça. Bom...nada de tão errado aconteça.

— Ei! — o loiro vem até mim em passos rápidos, e quando eu paro para olhá-lo, ele parece estar quase chorando e meu coração aperta. — Por favor, toma cuidado. — ele segura minha mão novamente, e eu sinto seu toque gelado.

— Tá bom. — eu garanto, sentindo meus olhos queimarem.

— Não, é sério. — ele fica ansioso. — Eu não sei o que pode acontecer se você se machucar de alguma forma. — olha pro chão, tímido.

— Tá bom. — gargalho baixo, já me virando novamente para o porta-malas com minha câmera.

— Só mais uma coisa... — ele me puxa contra seu corpo, e eu arregalo os olhos, surpresa. — Posso? — o loiro pergunta, já aproximando sua boca da minha.

— Deve. — sussurro, sorrindo emocionada.

Rafael aproxima nossos lábios, mas ouvimos algo dentro de casa e nos afastamos desesperadamente. Entro no porta-malas com pressa e o loiro corre pra varanda.

Fico encolhida por um tempo, à espera do barulho da porta do motorista ser aberta e o corpo traumatizante do meu padrasto pesar no carro. Não demora muito pra isso acontecer, e eu percebo o quão tranquilo Luís está, assim que senta em seu banco e liga o rádio.

Então ele não viu o Rafael, penso. Ufa!

Merda. Ficar nesse lugar estreito até o Luís parar na porta da casa de sua amante, pra TENTAR entrar na casa dela e TENTAR tirar fotos comprovantes. Isso vai ser mais difícil do que pensei...

Ele para num posto de gasolina, e em seguida vai direto pro trabalho. Telefonou pra algumas pessoas, incluindo a mulher que verá hoje depois que largar. Ele falou coisas obscenas pra ela, dizendo o que eles farão hoje. Foi nojento.

O tempo passa rápido quando eu me vejo pensando no Rafael e no beijo que quase tivemos. Ele sente o mesmo por mim! Caramba! Por essa eu não esperava, ainda mais depois de tudo o que está acontecendo.

Já disse e repito: ele me dá esperança.

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