parte 10

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— Oi

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— Oi. — digo animada, assim que entro no carro e coloco minha mochila entre as pernas.

— Oi. — Rafael fala rapidamente, sem pausas enquanto dá partida no veículo.

— Oi? Não vai falar nada além disso? — questiono, preguiçosa.

— Ah, é mesmo. Tinha esquecido... — ele resmunga, e eu sinto uma pontada de esperança. — Coloca o cinto de segurança, vai!

— Que?! — exclamo sem pensar, indignada.

— Você quer morrer antes de chegar na escola? — ele pergunta, aumentando o tom de voz.

— Seria legal. — brinco, o que faz ele revirar os olhos.

— Coloca o cinto de segurança, Cíntia. — ele repete a frase, só que mais devagar.

— Tá bom, senhor certinho. — gargalho. — Mas antes você tem que me explicar umas coisas sobre ontem à noite.

— Ontem à noite? — ele pergunta, fingindo desentendimento.

— Ou você acha que ninguém da sua sala vai estranhar essa ferida enorme na sua cara? — debocho.

— Eu invento uma desculpa. E se você quer saber o motivo dele ter me batido, eu vou inventar outra desculpa. — ele dá de ombros.

— Por que não pode me dizer? — reclamo. — Depois do que aconteceu, eu percebi que nós somos mais parecidos do que eu jamais pensei. — me empolgo.

— Não somos parecidos! Você é uma pirralha, e eu sou um adulto. Nada além disso. — ele levanta o topete.

Respiro fundo, impaciente. Não adianta gastar tempo com mais uma discussão. Ele nunca vai me dizer o motivo da briga com o pai. Mas tudo bem, eu descubro sozinha. Ou com a Karine, ou com qualquer pessoa que queira descobrir isso comigo.

— De boa, então. — sorrio satisfeita, colocando o sinto de segurança em mim mesma.

— Sério? — ele pergunta, desconfiado.

— Sim. — minto, tentando parecer ainda mais convincente. — Eu sou uma pirralha, e você um adulto fodástico! — forço uma voz comemorativa.

Ele solta uma gargalhada estranha, antes de me ignorar até chegarmos na escola. Fiquei pensando em como eu poderia descobrir o que meu padrasto agressor e seu filho escondem.

Pode até ser fácil, se eu me transformar numa mosca que tudo vê, sente e ouve. Pode esquecer, Cíntia.

Talvez eu realmente seja essa pessoa incapaz que a minha mãe tanto acha.

Assim que chegamos, saio do carro antes mesmo de Rafael encontrar uma vaga no estacionamento. Foi um pouco desnecessário, mas não consigo conter minha ansiedade pra falar com a minha amiga.

Tento ver ela por cima do corredor movimentado, mas logo desisto e vou até nossa sala de aula. Por sorte, encontrei ela sentada em sua cadeira de sempre, mexendo empolgada em seu celular.

— Eu tenho uma coisa pra te contar! — falamos ao mesmo tempo, e por outra maior coincidência, no mesmo tom empolgado.

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