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ponto de vista rafael
DECIDI PASSAR UM TEMPO NO APARTAMENTO dela, pra que se sentisse mais segura. Cíntia tá extremamente angustiada nesses últimos dias. Cheia de medo, insegurança, ansiedade.
É difícil tentar deixá-la calma quando até eu tô mal. Essa possível volta do meu pai se tornou a nossa maior preocupação. Falei com a Madalena, mas ela disse não ter notícias dele. A polícia me enrola até agora, não sei se devo confiar nela também.
— Cadê ela? — pergunto à Rayane assim que saio do quarto.
— Saiu. — ela diz enquanto organiza sua bolsa.
— Pra onde? E você deixou? — pergunto, um pouco mais ríspido do que pretendia.
— O que queria que eu fizesse? A Cíntia é cabeça dura, você sabe. Deve estar com a Karine.
Pego meu celular e ligo pra Karine.
— Alô? — ela diz ao atender.
— Karine, a Cíntia tá com você? — pergunto com pressa.
— Não, eu nem falei com ela hoje. Por quê? — ela começa a se preocupar.
— Merda. — resmungo. — Tá, valeu.
— Espera, eu-
Desligo sem deixá-la terminar. Começo a andar de um lado pro outro, sem saber o que fazer, à quem buscar, onde procurar. Me preocupo tanto com aquela garota. Eu amo aquela desgraçada.
Volto pro quarto e dou uma olhada no meu caderno. Angustiado, começo a desenhar a Cíntia, da forma como eu à vejo. Corajosa, forte, maravilhosamente bela, e triste. Bem triste.
•
Duas horas depois ela finalmente volta.
— Onde você tava? — levanto do sofá, nervoso.
— Trabalhando. — ela diz, colocando sua bolsa na mesa.
— Só isso? — levanto uma sobrancelha, e ela se vira pra me encarar.
— Não. — ela parece ceder. — Também fui procurar por ele.
— Ele...?
— Você sabe quem, Rafael. Seu pai. O estuprador do seu pai. — ela cospe as palavras e anda irritada até o banheiro.
— Cíntia, você acha que é fácil pra mim? — sigo ela, irritado do mesmo jeito. — Era eu quem ele espancava, lembra? — paro na porta, impedindo que ela a feche.
— Claro que lembro. — ela cruza os braços.
— Achei que estivesse com medo. Você até disse que não sairia daqui-
— Eu sei o que disse. Você não sabe o quanto eu chorei, com medo daquele verme. Mas eu percebi que é isso o que ele quer. Eu preciso ser forte e encarar o problema de frente.
— O que pretende fazer? Acha que pode com ele sozinha? Cíntia, você tá louca!
— Não, eu não acho. Agora se me dá licença... — ela tenta fechar a porta, mas eu a impeço.
— Me deixa resolver isso. Só eu. Sem você se meter. — sussurro, me aproximando dela.
— Não. Não quero que ele faça nada com você.
— Eu dou um jeito. Só não sai mais sozinha procurando ele. Por favor, sua pirracenta!
Ela acaba sorrindo e eu beijo sua testa, num ato inocente, mas aparentemente não pra ela. Cíntia me puxa pela camisa e eu a prendo na parede. Começamos a nos beijar e eu retiro seu moletom, deixando-a de sutiã. Começo a distribuir beijos pelo seu corpo e ela dá risadas baixas e gostosas de ouvir.
Digamos que esse momento foi aquele famoso arco-íris que vem depois da tempestade.
Deitados na cama dela, enrolados num edredom felpudo e abraçados. Por esses e outros instantes ao seu lado, eu esqueço dos nossos problemas, das brigas, dos empecilhos.
Quando abro meus olhos, vejo ela mexer misteriosamente em seu notebook. Penso em deixar pra lá, pois pode ser uma besteira, mas meu subconsciente insiste em dar uma espiada.
Me assusto ao ver fotos de armas na tela, tanto que levantei a cabeça num pulo.
— Cíntia, que porra é essa?! — exclamo.
— Nada. Fui salvar umas fotos e esse site abriu do nada. Só pode ser vírus. — ela justifica e eu sinto uma pontada de alívio no peito, me fazendo relaxar de novo.
Em pouco tempo ela fecha o notebook e volta aos meus braços. Ficamos em silêncio mais um pouco, até que ela desce a mão por baixo do cobertor, chegando á você sabe onde.
Solto uma risada maliciosa e ela me beija. Seguro sua cintura e a puxo, deixando a garota montar em mim. O frio invade o quarto, mas aqui entre nós dois, está mais quente do que nunca.