parte 9

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— Bom dia

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— Bom dia. — a atendente de um mini quiosque de roupas me cumprimenta.

— Bom dia. — sorrio, sem a mínima vontade. — Aqui vende...é... — gaguejo. — absorventes?

— Não, sinto muito. — ela me olha com pena.

— Tá bom. — respiro fundo e baixo a cabeça.

Me viro pra sair, mas ela faz um barulho com a garganta.

— É pra você agora, ou quer guardar pra depois...? — ela pergunta, meio que sussurrando.

— Tenho mesmo que responder? — brinco.

— É que eu tenho um reserva no meu bolso. — ela ri.

— Pode ser, pra agora, sim. — aceito, e ela me entrega, posteriormente apontando pro banheiro.

Vou ao banheiro e faço o que tenho que fazer. Tinha me esquecido de como a realidade nos choca às vezes. Absorventes deviam ser gratuitos, só eu acho isso? Deixo o quiosque e ando alguns metros.

Tento me concentrar no sentimento que tenho quando sinto o sangue descer pela minha vagina. Isso pode ser um pouco nojento e inadequado...mas foda-se. Como eu queria o loiro aqui. Não, eu não quero ele perto de mim. Ele só precisa de auxílio. Já é bem grandinho pra cuidar de si mesmo. Mas e a ansiedade dele?

Tantos pensamentos rodeando minha mente agora.

— Precisa de ajuda, menina? — um senhor de idade de boné pra frente e camisa desabotoada me para.

Fico sem saber o que responder. O que eu deveria responder? Ele não me parece ameaça, mas isso não seria independência.

— Eu to bem, moço. Não precisa. — nego ajuda, seguindo adiante na caminhada.

— Tem certeza? A minha casa é aqui perto, se quiser-

— Não precisa. — digo com mais rispidez.

— Tá bom. — ele se afasta, aparentemente convencido. — Não confia em mim, né?

— Não. — digo, sincera.

— Sei. Mas devia. Eu sou sua salvação. — ele sorri amarelo, o que me lembra do Calino.

Esse homem ainda me dá calafrios. Espero não cruzar com ele até o dia da minha morte.

— Salvação? — rio, sentindo vergonha por ele.

— Foi modo de dizer. — ele riu, e eu abri a boca pra responder, mas ouço uma buzina se aproximar.

O carro de Rafael surge por trás de mim e ele buzina mais uma vez. O loiro coloca a cabeça pra fora da janela e sinaliza com a mesma para que eu entre.

— Você conhece esse cara? — o velho pergunta.

— Não. — bufo, com raiva, voltando à andar.

— Cíntia, qual é...? — Rafael resmunga, sem paciência, o que espanta o velho. — Quer que eu peça desculpas? Tá, eu peço.

— Sai, Rafael! — olho pra ele.

— Eu fui um escroto, tá? Não devia ter falado daquele jeito contigo. Eu quero te proteger, açaí, confia em mim.

— Cê sabe que é careta ficar me chamando de "açaí", né? Parece um velho sem graça. — brinco.

— Foi mal. Eu falo merda, você sabe. — ele ri.

— Idiota. — xingo, me rendendo. — Pra onde vai me levar...? — pergunto, fingindo resistência.

— Pra onde a princesa quiser. — ele balança a cabeça, e baixa os meus óculos escuros, até o nariz.

— Não força a barra...! — reviro os olhos, cedendo e indo até a porta do passageiro.

— Quase foi sequestrada pelo velhinho ali, olha. — ele comenta quando eu entro no carro.

— Eu tava no controle. — me defendo.

— Sim, com certeza tava. — ele debocha.

— Não brinca comigo, babaca! Eu sei golpes mortais, sabia? — faço umas poses engraçadas.

— E eu te amo, sabia? — ele diz naturalmente, mas depois parece ter se arrependido.

— Sério? — pergunto, convencida.

— Sério. — ele sorriu, e eu tirei seus óculos escuros, posteriormente colocando-os no meu rosto e puxando Rafael para um beijo.

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