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— Você não foi pra escola? — é a primeira coisa que Luís diz quando me vê chegando na cozinha de pijama às nove e pouca da manhã. — Aconteceu alguma coisa?
— Nada demais. Eu só não acordei no clima. — dou de ombros, colocando água em um copo.
— Pra se ter um futuro, não é preciso "estar no clima". O esforço já é o suficiente, Cíntia. — ele resmunga, se sentando na mesa e comendo um pão doce.
Me sento em um lugar distante do seu na mesa, enquanto xingo muito por dentro.
— Você vai contar pra minha mãe? — pergunto, preguiçosa. — Dessa vez ela tira a minha vida. — brinco, enchendo um pequeno prato que encontro de comida.
— Não se preocupe, eu não sou tão chato quanto pareço. — ele sorri, antes de tomar um gole da sua xícara de café.
Rafael e eu voltamos pra casa de madrugada, e eu acordei totalmente desanimada pra tudo. Literalmente. Pra escola, pra vida, pra qualquer coisa. E algo curioso sobre isso é: eu não ligo se a minha mãe descobrir.
Afinal, o que mais ela pode fazer? Me proibir de ir à escola? Isso seria incrível.
— Sei. — sussurro, lembrando da surra que ele deu no próprio filho pouco tempo atrás.
Muitos pais batem em seus filhos, mas o motivo pode mudar tudo. E eu preciso desse motivo pra conhecer a minha própria família. Quero me sentir segura no lugar onde eu moro, mas isso fica cada vez mais difícil.
— Caso esteja curiosa pra saber o motivo de eu estar em casa hoje: eu finalmente recebi uma folga. Não é demais? — ele se empolga, do seu jeito sério.
— Claro. — eu não to nem um pouco interessada.
— E você? Vai fazer o que o dia todo, já que faltou aula e está de castigo? — ele puxa assunto, algo que não faz com frequência.
— Vários nadas. — debocho, terminando de comer e indo até a pia vazia no canto da cozinha.
Coloco minha louça cuidadosamente dentro, e pra não gerar mais confusão, começo a lavá-la. Não tenho nada pra fazer o dia todo, então vou dar uma de "filha preocupada com a casa".
— Cíntia, eu vou lá dormir. Você pode lavar a minha louça, por gentileza? — Luís pergunta, se levantando e vindo até mim.
— Posso. — dou de ombros, disposta a ocupar meu dia com a famosa terapia de lavar pratos.
Luís se aproxima, e eu me afasto um pouco pra dar espaço para ele poder colocar sua louça dentro da pia à nossa frente. Seu corpo não muito largo e espaçoso se empina para fazer a ação, e eu o apresso internamente.
Que demora pra colocar uma simples louça dentro de uma pia.
— Obrigado. — ele me olha vago, posteriormente apoiando a palma de sua mão na minha cintura, logo abaixando-a até minha bunda.
Eu me assusto, mas paraliso. Que raiva de mim! Não consegui agir, de tão assustada que fiquei. Luís é bem maior que eu e pode me bater também, com certeza. Ele sai da cozinha logo depois, um pouco sorridente. Isso soou como se eu tivesse gostado, mas não. Eu não gostei. Isso foi horrível! Desnecessário.
Cíntia, não! Ansiedade agora, não. Por favor...
Lavo os pratos rapidamente, e corro para o meu quarto. Tento dormir, mas as batidas fortes do meu coração me atrapalham e deixam ansiosa durante horas.