O HOTEL NO FIM DA ESTRADA

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A chuva não caía como chuva comum naquela noite; ela parecia mais um tipo de insistência do céu, pesada, irregular, quase como se testasse a paciência do mundo. Alex percebeu isso tarde demais, quando o limpador de para-brisa já não dava conta de empurrar a água e as luzes da estrada rural começaram a desaparecer uma a uma, engolidas por uma escuridão sem referências. Ele não lembrava exatamente do momento em que o carro começou a falhar — talvez um estalo no motor, talvez um engasgo prolongado — mas lembrava da sensação imediata de que algo simples tinha se transformado em um problema sem solução. Quando o motor morreu de vez, o silêncio que se seguiu pareceu maior do que deveria, como se o próprio veículo tivesse sido desligado do mundo.

Ele ficou alguns segundos sentado, as mãos ainda no volante, esperando que aquilo fosse apenas um erro temporário do tipo que o carro às vezes cometia quando estava cansado, como ele mesmo. Mas não houve retorno. Nem luz no painel, nem resposta do motor, apenas a chuva aumentando e a estrada vazia se estendendo para os dois lados como uma pergunta sem resposta. O celular, guardado no bolso da jaqueta, não tinha sinal, e isso não surpreendeu Alex tanto quanto deveria; havia algo naquela noite que parecia determinado a cortar qualquer tipo de conexão. Ele respirou fundo, sentindo um leve gosto metálico na boca, e saiu do carro como alguém que aceita uma derrota pequena demais para ser dramática, mas grande o suficiente para mudar o rumo das coisas.

A caminhada começou com a tentativa de racionalizar o problema. Ele dizia a si mesmo que encontraria ajuda em breve, talvez uma casa isolada, talvez uma propriedade rural com telefone, talvez alguém que ainda usasse rádio. Mas a estrada parecia não oferecer nada além dela mesma, e cada passo fazia com que a ideia de "logo ali" se tornasse mais frágil. O barro grudava nos sapatos, a chuva entrava pela gola da jaqueta, e o frio parecia menos climático e mais pessoal, como se o ambiente estivesse tentando se ajustar ao estado mental dele. Em algum momento, ele parou de procurar soluções e começou apenas a caminhar, o que o deixou desconfortavelmente consciente de seus próprios pensamentos.

Foi então que ele viu a construção.

Não apareceu de forma dramática, como nos filmes que ele às vezes assistia sem muita atenção. Primeiro foi apenas uma interrupção na linha da estrada, algo mais escuro contra a escuridão, depois formas geométricas sugerindo paredes, janelas, uma estrutura que não deveria estar ali, ou pelo menos não daquele jeito. O hotel parecia antigo, abandonado por uma ideia de tempo que já não fazia sentido, mas havia luzes acesas em alguns quartos, amarelas e fracas, como olhos cansados que se recusavam a fechar. Alex sentiu um incômodo imediato, não exatamente medo, mas a sensação de que aquilo era incoerente demais para ser ignorado. Ainda assim, continuou andando, porque a alternativa era voltar pela mesma estrada e admitir que não havia mais nada.

A porta estava destrancada.

Ele percebeu isso antes de tocar nela, o que só piorou a sensação geral de que algo estava errado. Portas de hotéis abandonados não deveriam estar destrancadas, não deveriam estar operando como se ainda existissem hóspedes, mas a maçaneta cedeu facilmente sob sua mão. O interior o recebeu com um ar parado, carregado de poeira e um cheiro indefinido entre madeira úmida e algo que já havia sido orgânico há muito tempo. A iluminação era intermitente, e cada lâmpada parecia lutar para manter uma identidade própria dentro daquele ambiente esquecido. Alex chamou por alguém, sua voz soando pequena demais para o espaço, e o silêncio que respondeu não foi vazio — foi ativo, como se estivesse ouvindo.

Ele decidiu subir as escadas depois de alguns minutos de hesitação que ele mesmo tentou justificar como prudência. Cada degrau parecia ceder um pouco mais do que deveria, e o corrimão estava frio e levemente pegajoso, embora ele não conseguisse definir o porquê. No segundo andar, os corredores se estendiam em ambas as direções, todos iguais, todos com portas fechadas demais para um lugar supostamente vazio. Ele escolheu um quarto quase aleatoriamente, mais por cansaço do que por decisão. Quando entrou, o ar era ainda mais pesado, como se o espaço tivesse sido fechado há pouco tempo, apesar da evidente decadência.

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