Capítulo 24

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Quando Sanzu abriu os olhos foi surpreendido por uma visão inesperada, pois Rindou Haitani estava o encarando de cima com o cabelo cheio de tinta e o rosto coberto por uma máscara de argila verde.

O Haruchiyo quase pulou da cama de susto, o que rendeu muitas gargalhadas de Rindou e também de Mochizuki - que estava encostado na parede do quarto com o rosto melecado com algum tipo de máscara hidratante branca. Rindou segurou Sanzu pelos ombros e o manteve sentado na cama, abriu um sorriso para a expressão confusa dele e disse: 

- Bom dia, Bela Adormecida.


- Que porra é essa na sua cara?


- Mochizuki e eu estávamos entediados, então Koko nos emprestou seu kit de skin care. Além disso, ele também pintou meu cabelo - apontou para a tinta lilás que cobria sua cabeça -, minha raiz estava grande e a cor das pontas estava desbotando, eu realmente precisava pintar de novo. E minha pele estava seca…

Sanzu o deixou tagarelar sobre cremes faciais até sua mente se localizar no espaço-tempo. Mochizuki se aproximou da cama e interrompeu o monólogo de Rindou, dizendo:

- É melhor você não fazer nada por hoje - disse para o Haruchiyo. - Você passou dois dias apagado. Mikey ordenou que mantivéssemos você no quarto até se sentir melhor.

Sanzu fez uma careta de raiva e repulsa quando ouviu o nome de Mikey, embora também tenha sentido seu interior se agitar como um caldeirão fervente. A última coisa que se lembrava depois de Mikey tê-lo o humilhado tão cruelmente foi de ouvi-lo dizer que pertenciam um ao outro. O Haruchiyo ainda não conseguia digerir tudo o que aconteceu, sentia-se flutuando sob a cama como um fantasma.

Ele queria matar Mikey, queria fazê-lo sofrer até se arrepender, até ele implorar por misericórdia e gritar de dor. Ele queria…

- Credo, a sua cara tá péssima. - Falou Rindou, segurando o Haruchiyo pelas bochechas e o analisando criticamente. - Você está horrível pra cacete.


- Sanzu é a melhor propaganda anti-drogas que existe. - Mochizuki riu, principalmente quando o Haruchiyo lhe mostrou dois dedos do meio.

Rindou o acompanhou na brincadeira e listou tudo o que precisariam para repaginar Sanzu, pois aquele seria um dia de spa. Eles também mencionaram o episódio da festa e parabenizaram Sanzu por ter desbloqueado um novo nível de vergonha alheia. A foto dele com a cabeça enfiada na piscina era o mais novo papel de parede do celular de Rindou.

O Haruchiyo quis atirar na cara deles, mas sua arma não estava ao alcance e seu corpo se encontrava meio dormente. Ele se remexeu na cama para se acomodar melhor e tomou um copo de água que estava disponível no criado-mudo, se recusou a pensar em Manjiro Sano por mais um minuto que fosse, pois queria um pouco de paz. Entretanto, havia algo o incomodando profundamente.

- Onde está Kakucho? - Perguntou, a voz grave sinalizando o perigo eminente.

Mochizuki engoliu em seco antes de responder:

- Ele foi embora Sanzu, você nunca mais vai vê-lo de novo.


- Então ainda está vivo?


- Sim, mas você está proibido de ir atrás dele.


- Cara, essa situação toda foi loucura - disse Rindou, consternado. - O que aconteceu entre você e o Mikey? Ele foi atrás de você sozinho e voltou contigo apagado no banco de trás do carro, achamos que ele tinha te matado e trazido o cadáver.


- Ele me matou - a expressão de Sanzu era a de uma vítima traumatizada. - Mikey me matou lentamente. Mas não quero falar sobre isso agora… Nem nunca.

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