Não foi muito difícil para Kokonoi encontrar Sanzu, ele só precisou seguir o barulho.
O Haruchiyo estava próximo a piscina, roubando algo da mão de um convidado e ferindo vários Direitos Humanos diferentes. Ele atirou o homem dentro da água e sentou-se em uma espreguiçadeira, ignorando os gritos dos amigos do sujeito que tentavam tirá-lo da piscina. Indiferente ao caos, ele virou alguma coisa na boca e engoliu a seco.
Era uma cena cômica, embora o semblante de Sanzu estivesse transfigurado em trevas.
Koko correu até lá antes que os seguranças abandonassem o bom-senso e sacassem suas armas contra o vice-presidente da Bonten, o que resultaria em diversos corpos mortos vazando sangue na piscina. Com esforço, o homem saiu da água e se ergueu em seus sapatos encharcados. Amparado pelos amigos, ele encarava Sanzu como se pudesse matá-lo apenas com o poder da mente.
- Por favor se afastem! - Kokonui intercedeu, seus saltos quase derrapando no chão molhado. - Ele está bêbado, não fez por mal.
Sanzu soltou um riso de escárnio.
- Ora, seu desgraçado! - O homem tentou avançar.
Agora que estava mais próximo, Kokonui foi capaz de perceber os traços indianos do homem e seu sotaque carregado. Provavelmente era algum parceiro de negócios estrangeiro de Miyu.
- É melhor parar, amigo. - Koko o manteve no lugar com um erguer de sua mão. - Você já está molhado, quer acabar baleado também?
O sujeito parecia ter engolido água clorificada demais, pois suas caretas de indignação eram grotescas. Ele foi levado por seus companheiros aos tropeços, vez ou outra olhando para trás como se pudesse fazer algo contra os dois.
- Esses retardados de merda. - O Haruchiyo xingou, seu tom de voz estava pesado e anestesiado. - Não passam de viadinhos estrangeiros.
- É incrível como você consegue ofender tantas minorias diferentes com apenas duas frases - alfinetou. - Principalmente quando você faz parte de, pelo menos, duas delas.
O objetivo de Koko era fazer Sanzu se acalmar e explicar melhor o motivo de seu comportamento inapropriado. Mas, quando o Haruchiyo ergueu o rosto em sua direção, Kokonui se deparou com uma expressão oca e transtornada.
- O que você usou? - Perguntou, quase mudo de choque.
- Sei lá.
- Puta que pariu - pegou das mãos dele um saquinho de pílulas azuis, a mais nova modinha da cidade. - Foi isso o que você roubou daquele cara? - Sanzu assentiu. - Quantas você tomou?
Sanzu deu de ombros de forma desleixada e sorriu, ele estava pouco se fodendo se morreria de choque anafilático, overdose ou o que diabos fosse. Kokonui analisou o saquinho e deduziu que deveria caber no mínimo 15 a 20 comprimidos, entretanto só haviam restado 6.
- Caralho, você quer morrer?! - Gritou puto, pouco ligando para as pessoas em volta.
- Estou apreciando muito essa ideia já tem alguns minutos.
- Eu sei o que Antony te contou, mas você não pode fazer uma idiotice dessas!
- Você sabia? - Suas pupilas estavam enormes e ele percebeu as alucinações dando as caras quando Kokonui parecia ter adquirido um súbito par de asas. Puto e tonto, ele repetiu a pergunta: - Você sabia sobre o Mikey e o Kakucho?
- Não, e se soubesse nunca teria contado pra você.
Sanzu abriu um sorriso animalesco, o mundo parecia derreter ao seu redor e a água da piscina brilhava em vermelho.
- Vamos voltar pro salão de baile - Koko chamou.
- Se eu voltar pra lá eu faço uma chacina, Koko. - As cicatrizes em sua boca tornavam seu sorriso ainda mais brutal e assustador. - Por que você acha que eu tô completamente chapado agora? - Se levantou. - Se eu ainda estivesse sóbrio já estaria exibindo a cabeça decapitada do Kakucho por aí.
- Você não pode matar ele, porra. - Koko avisou seriamente. - Seus sentimentos não podem interferir na gangue, Kakucho é um membro importante.
- Eu sei! - Gritou irritado, o choro subindo a garganta. - Eu estou obedecendo o Mikey, ele me proibiu de matá-lo, mas eu não consigo lidar com isso! - Apertou o próprio peito com as mãos, destruindo alguns botões da camisa. - Não sei o que fazer!
- Vamos embora então, você precisa descansar - tentou segurar o braço dele, mas Sanzu se afastou de forma brusca. - Estou tentando te ajudar, você tomou pílulas demais e pode acabar muito mal.
- Foda-se! Não ligo! - Ele cambaleou.
- Sanzu!
- Estou com sede - murmurou de uma hora pra outra.
- Eu vou pegar um copo de água…
Sanzu não esperou ele terminar a frase e muito menos lhe conseguir algo para beber. O Haruchiyo simplesmente foi até a borda da piscina, se ajoelhou e enfiou a cabeça dentro d'água.
- Sanzu! - Koko berrou, em choque.
As pessoas se afastaram ainda mais deles quando viram o vice-presidente da Bonten beber a água da piscina e um de seus subordinados tentar puxá-lo pelos ombros, elas ficaram escandalizadas.
Mochizuki e Ran, que estavam passando pelo local, tomaram um susto com a cena e correram até os dois protagonistas daquela situação. Preocupados que Kokonui tivesse perdido sua costumeira paciência e estivesse tentando afogar Sanzu. E qual foi a surpresa deles quando entenderam que o Haruchiyo estava na verdade bebendo a água da piscina enquanto Koko tentava fazê-lo parar.
- De todas as coisas toscas que eu já vi Sanzu fazer essa é, sem dúvida, a mais idiota - disse Ran.
Mochizuki puxou o celular do bolso e tirou uma foto.
- Preciso mostrar isso pro Rindou - ele comentou, animado.
Quando Sanzu ergueu a cabeça para respirar, Kokonui o afastou da borda da piscina. O Haruchiyo se sentou no chão, com a camisa social colando ao corpo e os cabelos pingando, sua expressão era uma máscara apática que escondia seu desequilíbrio emocional e a vergonha que sentia por apenas existir.
Koko se levantou, extremamente aborrecido, e falou:
- Você é inacreditável! Não tenho ideia do que se passa na merda da sua cabeça! - Passou as mãos pelos cabelos arrepiados. - Quer ficar chapado e morrer de overdose em uma sarjeta?! Ótimo, fique a vontade. Você não vale o meu esforço!
Kokonui foi embora pisando duro, com vergonha de toda a cena que eles causaram.
Ran suspirou, mentalmente exausto, e ordenou que Mochizuki levasse Sanzu para casa. Após isso, ele virou as costas e retornou ao salão para encontrar Mikey e explicar o que foi toda aquela confusão.
- Sanzu - Mochizuki o chamou com receio. - Vem comigo, vou te levar embora.
Ele esperava que o Haruchiyo colaborasse, pois arrancar sua cabeça para fora da piscina de novo seria outro vexame e ele não gostava de estar envolvido em episódios de vergonha alheia. Mochizuki esperou uma resposta dele, ou ao menos que se erguesse do chão, mas Sanzu continuou quieto e imóvel.
- Vamos embora - tentou novamente.
Quando Sanzu finalmente se levantou, Mochizuki temeu que ele planejasse se jogar na piscina, felizmente ele não fez isso. Mas a visão que Mochizuki teve foi ainda mais alarmante do que se seu chefe estivesse se afogando, ele ficou branco como papel ao perceber as lágrimas nos olhos de Sanzu.
Ele estava chorando. Chorando de verdade.
- Ei, cara… - Mochizuki tentou dizer algo.
Sanzu apenas o ignorou, passou por ele trombando em seu ombro e sibilou violentamente:
- Não me siga.
Com medo, Mochizuki apenas o deixou ir embora. Sanzu foi seguido pelos olhares e comentários julgadores de toda a plateia que havia assistido ao show. E Mochizuki deixou passar cinco minutos antes de ir atrás dele.
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Egoístas
Fiksyen PeminatSanzu Haruchiyo não era alguém normal, ou pelo menos era o que as pessoas que o conheciam diziam sobre ele. Violento, impulsivo e vice-presidente da gangue mais poderosa do Japão, Sanzu era um monstro do submundo de Tóquio guiado pela coleira por Ma...
