Notas da autora:
Olá pessoal, passando só para avisar que esse provavelmente será o último capítulo do ano e os próximos só saíram em Janeiro e Fevereiro de 2026.
Boas Festas a todos!
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Desde que chegou a Manila, Mikey vinha se mantendo em estado constante de alerta. Não por acreditar que estivesse realmente em perigo imediato, mas por hábito — e por prudência. Ele sabia que, mesmo que alguma agência de polícia internacional desconfiasse de seu paradeiro, teria enorme dificuldade em localizá-lo ali. As Filipinas não extraditavam criminosos procurados para cumprir pena em seus países de origem, e essa certeza funcionava como uma espécie de colchão psicológico, ainda que não fosse suficiente para fazê-lo baixar completamente a guarda.
A viagem desde Tóquio fora surpreendentemente rápida. O navio cortara o mar com eficiência quase indiferente, como se o oceano não se importasse com o que o Sano deixava para trás. Ele havia “roubado” dinheiro suficiente da Bonten — uma soma vultosa, acumulada com frieza e cálculo — para garantir a ele e a Sanzu uma vida confortável por muitos anos. Nada de luxo ostensivo, nada que chamasse atenção: apenas estabilidade, silêncio e distância do passado.
Antes mesmo de desembarcar, Mikey já havia providenciado tudo. Novas identidades, documentos convincentes, carteiras de habilitação válidas no país para que pudessem circular com suas motos sem levantar suspeitas. Comprara também uma casa afastada, próxima ao litoral, longe das zonas turísticas e do burburinho urbano. A construção ficava em uma elevação suave, protegida por vegetação densa, com coqueiros altos, arbustos salgados pelo vento e árvores retorcidas. A casa era ampla, de linhas simples, paredes claras e grandes janelas de vidro que se abriam para o mar. À noite, o som constante das ondas invadia os corredores como uma respiração profunda, e durante o dia a maresia impregnava tudo — roupas, móveis, pele. Havia um terraço de madeira voltado para o oceano, onde o sol se punha em tons alaranjados e violetas, e um quintal irregular que descia até uma faixa quase deserta de areia branca.
O cenário era paradisíaco. Por vezes, Manjiro tinha a sensação de que havia escapado do inferno, arrastando Sanzu consigo para fora das chamas. Ali, tudo parecia quieto demais, limpo demais, quase irreal. Havia apenas paz, vento morno e o cheiro persistente de sal. Uma pena que o Haruchiyo não conseguisse sentir nada disso.
Desde a chegada, ele permaneceu trancado em um dos quartos da casa. Mikey o libertou da camisa de força logo no primeiro dia, acreditando — ou talvez desejando acreditar — que o pior já tivesse passado. No entanto, quando ficou claro que Sanzu estava furioso demais, consumido pela abstinência das drogas e por um ódio que transbordava sem direção, Mikey foi obrigado a acorrentá-lo. Não por crueldade, mas por necessidade. Os dias que se seguiram foram exaustivos.
No começo, tudo se transformou em um verdadeiro pandemônio. Sanzu destruiu o quarto quase por completo: móveis virados, paredes riscadas, objetos arremessados contra portas e janelas. Gritava até a voz falhar, chorava em acessos violentos, e o simples ato de olhar para Mikey parecia enchê-lo de uma raiva descomunal, quase física. Aquilo acionou gatilhos profundos no Sano. A memória de sua própria desintoxicação — o caos interno, a dor, a sensação de estar preso dentro do próprio corpo — retornara com força, trazendo junto uma culpa silenciosa e um cansaço que ele pensara já ter superado.
Então, cerca de três dias atrás, algo mudou.
Sanzu simplesmente parou.
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Egoístas
FanfictionSanzu Haruchiyo não era alguém normal, ou pelo menos era o que as pessoas que o conheciam diziam sobre ele. Violento, impulsivo e vice-presidente da gangue mais poderosa do Japão, Sanzu era um monstro do submundo de Tóquio guiado pela coleira por Ma...
