Capítulo 69

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Notas da Autora:

Oi gente! Só passando para avisar que estamos na reta final da fic, provavelmente ela será finalizada no capítulo 75.

Deu muito trabalho escrever esse cap 69, acho que foi o mais longo dessa história até aqui. Espero que gostem!

E já aviso que desse capítulo em diante o bicho vai pegar! Kkkk

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Os fogos estouravam sobre os prédios de Tóquio como constelações em colapso. Estilhaços coloridos tingiam o céu de vermelho, dourado e violeta — um espetáculo que escondia, sob sua beleza, a guerra prestes a começar. Mikey observava o reflexo das explosões nos vidros escurecidos da boate. A cidade comemorava a chegada de um novo ano, mas, para ele, aquele seria o início do fim.

Todas as etapas de seu plano estavam prontas. Só restava a fase final — a mais difícil, a mais cruel.

Convencer Sanzu.

Ou melhor, forçá-lo a aceitar uma nova realidade.

Aquilo podia soar desesperado, talvez fosse mesmo. Mas Manjiro já não via alternativa. Se Sanzu não aceitasse por bem… ele o faria aceitar por mal.

Ainda assim, antes de jogar suas cartas sobre a mesa e transformar Tóquio em um pandemônio, havia algo que precisava manter: a máscara. Tomoe — o subordinado caladão, obediente, eficiente. O homem que falava pouco, mas fazia tudo certo.

A boate Harbinz estava lotada. Luzes piscavam, dançarinas se revezavam no palco, e o cheiro de álcool se misturava ao perfume caro e à fumaça dos cigarros. Mikey encostou-se ao balcão, silencioso, observando Hirose rir de algo que Angel murmurara — até que o som metálico da porta principal ecoou.
Um homem de terno branco entrou, abrindo os braços como se fosse o dono do lugar.

Antony Pelltov.

O russo exalava dinheiro e arrogância. Um sorriso largo cortava o rosto, os olhos claros brilhando sob as luzes de neon. Ele avançou entre os seguranças, cumprimentando uns e apertando a mão de outros, como um político em plena campanha.

— Feliz Ano Novo, meus amigos! — Ele anunciou com sotaque carregado, batendo palmas. — Hoje a bebida é por minha conta! Comprem tudo, sim? Quero deixar este bar seco!

Um coro de comemoração ecoou. Até Sanzu, sentado em uma das cabines de couro vermelho, levantou o copo e riu. Mas o sorriso se perdeu rápido. Mikey notou.

Sempre notava.

— Que diabos esse cara está fazendo aqui? — Murmurou Kokonui, baixinho, ajeitando o colarinho.

— Eu o convidei, — o Sano respondeu.

Kokonui o olhou de canto de olho. Mikey não havia feito a gentileza de lhe contar os pormenores de seu plano maluco para tirar o rei do submundo de seu trono.

— Devo avisar aos Haitani? — Questionou, sentindo a adrenalina começar a correr nas veias.

— Sim, — assentiu. Mikey então o encarou, gratidão brilhava em seus olhos escuros. — Eu realmente não sei onde eu estaria sem a sua ajuda durante todos esses anos. Obrigado, por tudo o que fez por mim. Vou sentir sua falta.

— Mikey… — Ele engoliu em seco antes de suspirar e o segurar pelo ombro. — Você é mesmo um porra louca, quase me fez morrer de tanto estresse, mas… Eu também vou sentir saudade.

— Vá e não olhe para trás, Koko.

Kokonui sentiu a respiração acelerar, tomando ciência de que aquilo estava de fato acontecendo. Aproveitou que ninguém prestava atenção neles e fez algo que jamais imaginou fazer, ele abraçou Manjiro, que ficou estático pela surpresa, mas retribuiu o estranho afeto daquele que sempre o pôs nos trilhos quando necessário. As pessoas em volta ainda comemoravam, abraçando e beijando umas às outras, e não notaram quando Koko partiu andares acima para avisar aos outros e buscar Inui, para sumirem no mundo.

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