Os raios da manhã tocavam o horizonte de Tóquio enquanto a comitiva da Bonten se instalava na Harbinz, uma boate que, para qualquer um que não fosse familiarizado com a vida noturna de Roppongi, parecia a materialização da decadência e opulência.
O prédio era uma monstruosidade moderna de vidro fumê e neon, com letreiros chamativos piscando em tons de vermelho e roxo. No andar térreo, um grupo de seguranças corpulentos expulsava bêbados resistentes, que balbuciavam algo sobre "só mais um drink" ou "você sabe quem eu sou?". Um desses, particularmente empenhado, tentou negociar um último shot antes de ser lançado na calçada como um saco de batatas.
Dentro, o chão de mármore refletia o brilho das luzes que ainda piscavam como se a festa estivesse em pleno vapor - o que era uma piada cruel, já que os únicos sons eram o zumbido do ar-condicionado e os lamentos abafados dos que haviam perdido seus celulares e dignidade na noite anterior.
No último andar, a atmosfera era conturbada o suficiente para cortar com uma faca. Em um dos quartos mais reservados, estavam Angel e Senju, a última estava inclinada sobre Ran Haitani, as mãos ágeis e cuidadosas tratando do ferimento em sua perna. Porém, o cuidado terminava aí, já que a expressão dela era de puro desgosto.
Afinal, ela descobriu que os Haitani haviam sido os responsáveis pelo sequestro de seu irmão.
Enquanto isso, na sala ao lado, Kokonoi estava grudado em seu telefone, discutindo por horas. Era difícil decidir se ele estava resolvendo um negócio multimilionário ou ameaçando alguém de morte, porque as duas coisas soavam exatamente iguais vindas dele.
A alguns metros dali, Sanzu estava em seu próprio universo. Encostado contra uma janela, com a cidade acordando lá fora, ele olhava para as ruas como se estivesse contemplando a destruição de todo o distrito de Roppongi. Suas mãos estavam tensas nos bolsos, e o maxilar cerrado mostrava que ele estava mais bravo do que o normal - e, quando se tratava dele, isso era sempre preocupante.
- Só diga uma palavra... - ele murmurou, baixinho, provavelmente para si mesmo, ou para os demônios em sua cabeça.
Do lado de fora do quarto onde Senju cuidava de Ran, Rindou estava de guarda, os braços cruzados e os olhos escaneando o corredor como um falcão. Ele sabia que, se Sanzu resolvesse agir, ele não teria muita chance de impedir o derramamento de sangue, mas ainda assim, ali estava ele, suspirando profundamente e lançando olhares de advertência. A atmosfera era tão espessa que era quase surpreendente que as paredes não cedessem sob a pressão. Roppongi continuava a vibrar lá fora, indiferente, enquanto o mal se desenrolava, um passo de cada vez.
Uma porta se abriu com um rangido quase dramático, revelando Mikey no batente. Ele parecia o personagem de um comercial de perfume barato, com o cabelo molhado, pingando, como se tivesse acabado de sair de um banho e de uma crise existencial. O uniforme de presidiário havia sido substituído por um conjunto de moletons escuros que gritava "sou recluso, obrigado". Era um contraste alto para com Sanzu, que parecia não ter visto água desde a última década, com seu uniforme tático cheirando a sangue e fumaça.
Mikey lançou um olhar silencioso - mas carregado - para os três homens à sua frente. Não precisou dizer nada para que eles entendessem a mensagem: "Entrem. Agora." Kokonoi desligou o celular imediatamente, obedecendo sem hesitar, embora claramente irritado por ter que pausar sua negociação com alguma pobre alma que provavelmente estava sendo extorquida.
Rindou, mais arisco, entrou como quem caminha sobre gelo fino. Afinal, ele sabia que sua cabeça já estava em uma bandeja invisível para Sanzu. O último a entrar foi, obviamente, o Haruchiyo, que parecia estar carregando metade do inferno em seus olhos azuis. Ele não fez questão de esconder o clima nuclear que emanava.
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Egoístas
Fiksi PenggemarSanzu Haruchiyo não era alguém normal, ou pelo menos era o que as pessoas que o conheciam diziam sobre ele. Violento, impulsivo e vice-presidente da gangue mais poderosa do Japão, Sanzu era um monstro do submundo de Tóquio guiado pela coleira por Ma...
