Quero ver tentar hoje!

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   Gizelly observou Rafa se arrumando após se vestir. Daquela vez ela usou um vestido solto, com chinelos enquanto Gizelly estava de short e camisa. Elas ficavam se olhando contra o espelho, sorrindo uma para a outra como duas adolescentes.

-   O que foi? Tá me achando bonita? - Perguntou Rafa virando-se depois de amarrar os cabelos.

-   Nem preciso responder isso concorda?

Rafa se aproximou, sentando no colo dela de lado, enrolando o braço em volta do seu pescoço enquanto era observada. Começaram a se encarar outra vez.

- Você sempre foi assim sem freios que sai falando o que vem a cabeça? - Questionou Gizelly.

- Aham! Mas não é motivo de orgulho isso.

Gizelly a apertou no colo, lhe beijou sobre a roupa e afirmou:

- Você é encrenqueira, briguenta, fala pelos cotovelos, indecisa e pé no saco...

Rafa arregalou os olhos de um jeito divertido, espantada com o tanto de predicados nada dignos de orgulho, mas Gizelly continuou:

- Mas é muito carinhosa, fofa, amorosa, companheira, tem uma generosidade sem tamanho. Sou grata e falo em nome de todos do prédio pela sua ajuda. Sabe o que eu descobri por esses dias?

Ela balançou a cabeça negando e Gizelly continuou:

- O Ronaldo me levou nos dois orfanatos que vocês ajudam sem espetáculos no instagram, sem mídia, sem esperar nada em troca. Lá uma garotinha me falou: "tô com saudades de brincar de boneca com a tia Rafa!"

Disse Gizelly imitando a voz infantil da criança.
Era uma coisa que Rafa e Ronaldo faziam, mas sem contar a ninguém.

- É um jeito de ajudar, muitas pessoas não tem sorte! - Disse tímida.

- Mas tem sorte de ter você!

Rafa estava visivelmente intimidada, não falava muito sobre aquilo.

- Agora que já descobri o seu segredo, eu quero conhecer também! Inclusive, prometi à menininha que levaria uma boneca nova pra ela brincar com a tia Rafa!

Elas se beijaram e se abraçaram.

- Vou te apresentar meus pequenos amigos. Me sinto a Xuxa quando estou lá! - Enquanto se dirigiam à porta abraçadas, ouviram alguém batendo.

- Será que todo mundo bate nessa porta?

Perguntou Gizelly abrindo e deu de cara com o rapaz com quem havia discutido, ele ficou sem graça ao ve-la com a chefinha.

-   Pensei que era o banheiro! - Disse o rapaz, olhando para o ambiente.

-   Tem banheiro nenhum aqui não, cara! É pra lá! Lá na casa do caral...

Exclamou apontando para o corredor com a cara amarrada, mas não continuou o palavrão ao perceber Rafa atrás. Gizelly foi tirando a chave da porta ao mesmo momento que Rafa saia.

- vem, amor! Vamos ver o que a Flavina quer.

Afirmou pegando a mão de Rafa, trancando a porta e pondo a chave no bolso. Deixando o funcionário lá comentando com os amigos.

    A casa de Rafa cheia era o chamariz para que todos olhassem as duas de mãos dadas andando pelos corredores. Quem não imaginava que existia alguma coisa ali ficava surpreso pela cena e os cochichos eram descarados. Ninguém disfarçava a surpresa de ver a chefinha com a namorada que também trabalhava na academia, mas daquela vez Rafa não estava se importando.

-   Acabamos de virar o assunto do feriadão. - Disse Gizelly cochichando no ouvido dela com um beijinho em seu pescoço.

-   ô povo curioso! Ninguém tem o que fazer, vão passar o resto do tempo falando da gente.

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