Coisa fofa da mamãe

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A academia foi aberta por uma das funcionárias de Rafaella, mas depois do almoço ela ficou surpresa ao chegar e ver Ronaldo sentando com um compressa na cabeça.

- Ainda de ressaca? Imaginei que não viesse hoje!

Afirmou jogando-se em sua cadeira. Ronaldo sorriu, estava com uma dor de cabeça enorme.

- Mana, se eu contar, você nem acredita. O Paulinho apareceu lá em casa com o outro professor umas duas horas depois que você saiu. Eu nem sei como a festa continuou, mas continuou! Meu sangue foi trocado por litros de álcool e os outros detalhes eu conto depois.

   Rafa já podia imaginar o que havia se passado naquele apartamento, mas ficou feliz pelo amigo, ao menos nada foi perdido. Até iria começar a contar como a sua festa tinha terminado, mas viu uma das recepcionistas batendo na porta.

- Dona Rafaella, tem uma senhora lá fora. Quer falar com alguém responsável, tem uma cara de granfina bem mal humorada.

Rafa revirou os olhos, afirmou que iria ver o que era e afirmou para Ronaldo.

- Você acha que eu mereço alguém de mau humor em plena segunda feira? Vai lá Ro.

O amigo se encolheu virando-se para a parede e afirmou:

- Eu até mordo se alguém olhar feio pra mim hoje! Tô fora!

Rafa desceu a escada e foi até a recepção. A mulher estava olhando tudo de cima a baixo, com uma cara não muito agradável segurando os braços.

- Olá, senhora! Tudo bem? Deseja falar comigo?

Rafa foi olhada dos pés a cabeça, e a senhora afirmou:

- Queria falar com meu bebê, mas essas moças falaram que ela não está e não tenho o dia todo.

"Meu bebê" não parecia ser o nome de ninguém, mas a senhora abriu um sorriso imenso, ao ver Gizelly entrando pela porta de vidro, ajeitando os cabelos depois de tirar o capacete.

- Coisa fofa da mamãe!!! Que saudade.

Rafa segurou a gargalhada. Gizelly estava morta de vergonha enquanto via Rafa e as recepcionistas a olhando:

- Mãe, pelo amor de Deus, coisa fofa não. - Disse ela, sentindo uns beijinhos no rosto e um abraço.

Rafa pôs a mão na boca, ficou assistindo a cena controlando o sorriso, mas estava quase impossível. A mãe de Gizelly parecia estar verificando uma criança de cinco anos. Abriu os braços da mulher, tirando o capacete das mãos dela. Se afastou emburrada cruzando os braços afirmando:

- Mais magra? Aquela lambisgoia que você chama de noiva não está cuidando de você? E outra coisa, está fazendo o quê aqui no Brasil? Por que não me contou que havia voltado? Fico sabendo da sua vida pelos outros. É desse jeito que ama a sua mãe?

Rafa e as recepcionistas arregalaram ainda mais os olhos. Gizelly estava cada vez mais vermelha de vergonha a ouvindo falar.

- Estava esperando a senhora curtir a viagem, sabe que não gosto de incomodar com as minhas coisas.

- E desde quando quero saber se vai me incomodar ou não? Onde está hospedada?

Márcia parecia uma máquina, parecia não ver ninguém além da filha.

- no prédio do centro, no mesmo lugar.

Ela levou a mão até a testa, fechou os olhos como se estivesse passando mal e afirmou em alto e bom tom.

- NAQUELA POCILGA? NAQUELE ANTRO DO DESCARAMENTO E DA PERDIÇÃO? AQUELE PRÉDIO CAINDO OS PEDAÇOS E AQUELES VIZINHOS QUE SÓ VIVEM BÊBADOS. Quantas vezes eu já disse para vender aquela espelunca minha filha...

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