Me desculpa!

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Do outro lado o papo agora era entre Eusébio, Gizelly e três empresárias do ramo aquático. O aniversariante falava sobre o que existia de mais moderno na arquitetura de construções de piscinas e Gizelly se sentia em casa naquele assunto, o que levou vários minutos de uma conversa agradável.

Logo, Rafa perdeu Gizelly de vista por um segundo. Com o restaurante mais cheio ela precisou virar o pescoço algumas vezes para ver que ela estava perto de um palco pequeno ao lado do corredor que dava acesso aos banheiros. Gizelly de longe a olhou até tirar o celular do bolso e mandar uma mensagem. Rafa revirou os olhos inicialmente, só até ver que a mensagem era pra ela. Um textinho bem curto:

"Você tá muito linda."

Ela bufou ao ler. Nem precisava responder, Gizelly viu de longe e depois mandou outra:

"Não, você é muito linda o tempo todo, mas hoje..."

Em seguida Rafa mandou um áudio:

- Olha só, Gizelly... Para com essa infantilidade. No meio de uma festa dessas, você tá mandando mensagenzinha sem graça. Se soubesse a raiva que tô de você, teria ficado em casa ou lá na sua faculdade de cinquenta horas. Você leva tudo na brincadeira, você não tá nem aí pra mim. E não vou ficar falando, falando... Faz o que você quiser. Parece que tem doze anos e...

Rafa enviou o áudio antes de terminar, quando foi interrompida por um colega querendo saber onde Eusébio estava. Depois de responder, ela perdeu Gizelly de vista. Aquele lugar parecia que não ia parar de chegar gente, logo ela pegou mais uma taça de champanhe da bandeja do garçom, mostrando para Ronaldo a mensagem que Gizelly havia mandado.

- Ai Rafa, isso foi um jeito que ela achou de puxar assunto. Parece que você nem conhece a esposa que tem.

Parecia que não conhecia mesmo. Gizelly agora estava do outro lado do restaurante conversando novamente com um grupo de pessoas. Dessa vez sobre seus livros, e ao contrário do que Flávio achava, ser das "artes" tinha vantagem de despertar curiosidade nos outros.

- Sabe o que vai acontecer? Vou acabar indo embora dessa festa antes de cortar o bolo. - Disse Rafa.

Isso era o que ela achava e deixou de achar quando Gizelly parou a conversa com suas novas amizades, trazendo um copo com água para a esposa ao invés de champanhe. Rafa a deixou com o copo na mão, olhou para os lados questionando:

-   Pra quê isso?

-   Acalma.

Rafa respirou fundo. Na sua imaginação naquele momento já havia jogado o copo com água na cara dela, o que era previsível.

-   Se você jogar o copo, além de doer, vai acabar cortando a minha cara.

-   Gizelly. Por favor... Eu tô pedindo. Me deixa!

Com calma, Gizelly se aproximou um pouco mais, ajeitou o cabelo de Rafa do lado esquerdo, uns fiozinhos discretamente enrolados no brinco, sorriu e respondeu:

- É errado eu dizer que você fica ainda mais linda com essa cara, meu Deus!

Por pouco a água não vai embora com copo e tudo. Gizelly sorriu tentando equilibrar enquanto a encostava contra a parede perto do corredor que dava até a porta, Rafa não teve saída.

- Você arranca minha paciência. Eu não quero ficar perto de você, não quero olhar pra sua cara, não quero falar, não quero nada! Cada vez que eu olho pra você penso um monte de coisas que não são nada saudáveis. Você pode sair da minha frente e me deixar curtir a festa em paz?

Séria, Gizelly terminou o que estava fazendo. Voltou a oferecer água pra ela que continuou:

- Eu tenho que te respeitar muito pra não mandar enfiar num lugar bem específico...

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