O Homem das Sombras

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O HOMEM DAS SOMBRAS


É fora da realidade, como se tivesse entrado em outra dimensão, as horas de estresse, as noites mau dormidas teriam o levado a uma alucinação? Miragem era a única resolução para aquilo, porque, não, Ryan não podia estar vivo. Ele estava lá entre as pedras, no fundo daquele penhasco, viu o corpo, o enterrou. Então quem era aquele rapaz a sua frente?

Ryan sorriu e disse:

— Olá, Frank.

Frank regrediu um passo. Parecia que o sangue havia congelado em suas veias, resfriando todos os seus órgãos, tirando toda a sua cor, seus braços e suas pernas formigaram, sua expressão era insana e demostrava o quão abalado estava com o que via.

— Você está morto — As palavras saíram em automático, um protesto espontâneo dos seus neurotransmissores que registraram todas as evidências aos longos dos anos. Era como se seu cérebro tivesse entrado em curto, como se seus neurônios fossem formigas e tivessem destruído o formigueiro, agora elas corriam desesperadas sem nenhum rumo a seguir, causando uma sequência de reações em seu corpo.

— Uhm! Será que eu estou? — disse Ryan, com o seu humor negro. Jogou a almofada de volta a poltrona e então olhou novamente o irmão, depois olhou para Gerard, que o encarou de volta de modo fatal.

— Não pode ser. — Frank se viu em negação, uma nova onda de dormência passou por todo o seu corpo, sentiu uma dificuldade para respirar, a sensação do corpo está desacelerando, vacilando, feito uma queda brusca de pressão. O um alerta vermelho vindo ao seu raciocínio com a frase: Acho que vou passar mal.

Para Ryan era nítido que ele não estava bem, pois estava branco feito cera, e a expressão estava se desfazendo.

— Você vai acabar caindo duro aí. Se morrer, faça o favor de não voltar — brincou, mas tinha um fundo de verdade em suas palavras.

Frank levou a mão ao peito, sentia-se mal, mas tentou recobrar o controle.

— Como isso... — Ele não conseguia falar direito, seus olhos lacrimejaram.

— Eu sabia que seria assim. Eu até tentei me preparar, mas eu não tenho paciência para tanto drama — disse Ryan ao Gerard, que se mantinha em silêncio com uma expressão tão fria quanto uma pedra.

— Drama? — indagou Frank, ainda desacreditado. — Isso está realmente acontecendo?

— Você quer que eu te belisque? — ofereceu Ryan.

Frank arfou, parece que a normalidade de Ryan perante a situação fez todas as formigas se reunirem para debater, uma rebelião.

— Eu te enterrei, Ryan. Eu te vi no penhasco. Eu te vi com os meus próprios olhos. Então como você pode estar aqui agora? — questionou Frank, desesperado.

— É simples! Estava muito entediado naquele túmulo. Aí eu resolvi sair para dar uma volta. Vim fazer uma visita aos velhos e bons amigos, sabe? — indagou Ryan, divertido.

Frank queria acreditar que aquele rapaz era um impostor tentando se passar por seu irmão, mas cada detalhe de Ryan estava nele, o tom da voz, o modo de falar, o humor ácido, o jeitinho sarcástico... Queria negar aquilo, mas era o Ryan. Porém, como? Como? Não fazia sentido, ou melhor, começou a fazer sentido no instante em que seu olhar se desviou do irmão para o Gerard. Por que Gerard não estava surpreso? Por que Gerard não estava impactado feito ele?

Gerard o olhou de volta, diretamente nos olhos, e não havia nada em seu olhar além da indiferença gigantesca sobre tudo aquilo. Ficou muito nítido para Frank, não precisou de um minuto para chegar à resposta.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora