EM HIATUS
REVISÃO: SINALIZANDO NO CAPÍTULO.
1ª temporada → O Pen Drive
Direto da teoria do último, um pen drive causa mudanças no destino das mãos em que passa.
Através de um golpe ambicioso, o caos ameaça a cidade de Crosfilt.
Após um acidente in...
"Quanto tempo o amor leva para acontecer? O amor pode estar nas pequenas coisas, ser minúsculo a ponto de não ser identificado. O amor pode estar nas imensidões, porém permanecer despercebido; um sentimento forte camuflado na bagunça. Mais cedo ou mais tarde, em uma brecha, ele será apresentado. Deixe o amor voltar para Crosfilt!"
Sra. Chermont.
Acomodado na poltrona confortável do ônibus, Frank admirava a paisagem pela janela. Era uma deliciosa época de outono; as folhas das árvores tinham um tom alaranjado e as flores assentavam-se à beira da estrada. Ele passara muito tempo fora de Crosfilt, recuperando-se na casa de Bob Bryar, um amigo de infância a quem não via há anos.
Frank lembrava-se do dia em que chegara à casa do amigo, abalado pela tragédia. A mágoa alojada em seu peito, a mente afundada no caos. Remoía a dor de ter perdido o cordão do irmão; no fim, a catástrofe não valera de nada. A única coisa que recebeu fora mais sofrimento, e sua vida virara de ponta-cabeça outra vez.
O carinho de Bob e de sua família ajudou muito em sua recuperação. O amigo o rodeou de cuidados e bons conselhos, fazendo com que Frank se sentisse confortado. Isolado em uma fazenda, cercado pela natureza e imerso no ar puro, ele encontrou a paz. Com o tempo, as feridas externas e internas foram cicatrizando. Voltar a andar normalmente, cuidar dos animais e brincar com a filhinha de Bob foi uma terapia incrível; cada risada gostosa da menina restaurava sua alma. Sentindo-se recuperado, era hora de voltar para casa.
A despedida foi triste, e sua ausência deixaria saudades, mas era o momento de encarar a cruel cidade à qual pertencia. Desembarcar na rodoviária de Riveras, próximo ao Centro de Crosfilt, e rever cada detalhe conhecido era como pôr os pés no passado. Mas a paz que havia conquistado permanecia consigo. Por isso, as paisagens urbanas e precárias de Parkson não o incomodaram, e atravessar a porta do apartamento para reencontrar seu cantinho seguro trouxe um sorriso aos seus lábios. Lar, doce lar.
Abriu as janelas para ventilar a casa, desfez as malas, preparou algo para comer e deitou-se no sofá. Paz, paz e paz.
Não em Crosfilt.
Frank abriu os olhos no instante em que o som do vizinho começou a estremecer as paredes do apartamento. Parecia que seu olhar implacável cruzaria o teto. No momento em que seu sangue borbulhou, ele reconheceu que realmente estava em Parkson. Bairro xexelento! Mas não estava disposto a deixar a cidade infernal acabar com sua felicidade. Era um novo Frank: animado, equilibrado, de bem com a vida, e provaria isso para Crosfilt.
Contrariando o estresse, levantou-se e foi tomar um banho. Debochou da ocasião ao curtir a música alta, fingindo tocar uma guitarra sob a água do chuveiro. Dormiria depois; por hora, daria uma volta e tomaria umas cervejas com os amigos no Stump Bar. Mataria a saudade.
Arrumou-se e admirou-se no espelho. Não havia uma cicatriz sequer em seu rosto; o cabelo, mesmo em corte baixo, não permitia ver marcas em seu couro cabeludo. Estava bonitão. Sorriu de canto e arqueou uma das sobrancelhas. Era uma afronta a Crosfilt.
As árvores do lado de fora chacoalharam com o sopro do vento, e o som das folhas parecia sinalizar uma caçoada. Talvez uma guerra estivesse declarada.
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