Um Par Em Uma Cidade ímpar

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A agitação era grande na mansão Way. Trajano esbravejava coisas para os quatro ventos. Capangas circulavam pelos cômodos da residência. Os empregados faziam suas tarefas de olhos arregalados, o que era calmaria havia terminado.

Carlos não estava entendendo absolutamente nada. Havia ido dormir no silêncio e acordou em uma manhã de caos.

— O que está acontecendo? — Ele perguntou ao Donald, quando o encontrou na porta do escritório.

— Eu estou tentando entender. — Disse o irmão um tanto assustado. — Nosso pai enlouqueceu. Ele mudou todo o quadro de rotina. Mexeu nos horários dos nossos seguranças. Fez mudanças em todos os agendamentos e reuniões que tínhamos. Ele tirou todos os clientes que eu tinha marcado. Disse que me quer livre para uma possível emergência.

— Alguém disse algo para ele?

— Não. Ele está fazendo tudo isso porque está com uma intuição. Você acredita nisso?

— Acredito. — Respondeu Carlos, estava aparentemente tranquilo. — Você sabe que as intuições dele raramente falham.

— Mas precisa disso tudo? O que ele acha que está vindo pela frente? Uma guerra?

Os irmãos se encaram em silêncio.

— É melhor nos prepararmos. — Disse Carlos tocando no ombro do irmão. Então seguiu para a sala de estar com a intenção de ir para o jardim.

Se tinha algo em que Carlos acreditava era nas intuições de seu pai. Trajano tinha o dom incrível de enxergar coisas aonde ninguém as via. Até as teorias mais loucas que ele já tinha formado chegaram a ser verídicas. Depois de tantas coisas que ocorreram no passado, Carlos não colocava a mão no fogo para dizer que ele estava errado. Trajano estava certo sobre as intuições em seu casamento, sobre a escolha e o desenvolvimento do projeto, sobre todas as emboscadas, sobre o fim da aliança com os Toros. E Carlos não tinha dúvida de que ele estava certo sobre a intuição de Gerard está com o pen drive. E com tudo o que estava acontecendo ultimamente: os Toros não ter o projeto e os planos de Ray. Carlos tinha certeza de que Trajano estava correto em reagir de modo radical.

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Depois de uma noite solitária com uma garrafa de vodka dentro da limusine, Brendon despertou no chão do seu quarto se sentindo um bagaço. Havia chegado tarde da madrugada em casa, ninguém tinha o visto adentrar. O motorista tinha o ajudado a subir os degraus da escada e a chegar ao quarto. Depois de adentrar Brendon não conseguiu alcançar a cama, caiu no chão e ali ficou. Por sorte, agora, conseguiu acordar antes que Susy aparecesse e o topasse em um estado nada agradável.

Brendon tomou um longo banho. Antes de vestir suas roupas, ele se encarou no espelho e reconheceu que estava mais magro, e que seus olhos estavam um pouco mais fundos. Suspirou, se vestiu, ajeitou o cabelo e enxergou que ainda assim era bonito.

De costas para o espelho, desta vez, ele pode ver que tudo estava desmoronando. Sem explicação, sem sentido e sem saída. Um caos carregado pela face de Tyler, e cada vez que a noite anterior voltava a sua mente seus dedos coçavam em abrir a gaveta da pia, e a sua carne fraca almejava todos os entorpecentes que estavam ali. Era uma maldita prisão, uma catástrofe. Ele fechou os olhos e quis chorar. As lágrimas vieram, mas a voz de um anjo as impediu de cair.

— Brendon! — Chamou Suzy.

Brendon conteve a lástima.

— Oi! — Ele disse passando a mãos na face, ajeitando a roupa uma última vez e saindo do banheiro.

— Aí está você! — Ela sorriu largo, e Brendon sorriu de volta. — Você está bem?

— Estou! Por quê?

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora