"O desequilíbrio emocional é uma catástrofe para a sanidade."
Sr. Jorge
Ao chegar na mansão de vidro, Ray caminhou direto para as escadas. Russel que estava sentado no sofá da sala segurando um copo de uísque, acompanhado por algumas moças contratadas do Kitty Machine, o viu passar e subir apressadamente. Notou que o filho estava machucado e com parte do terno sujo de sangue.
- Parece que você andou se divertindo! - comentou com um sorriso.
- A diversão só está começando - A voz de Ray soou ríspida em rebate. Ele seguiu corredor adentro, e Russel ficou o observando até o término das paredes de vidro.
Ray passou por Cissa, a empregada, ao que seguia para o quarto de hóspedes onde Dewees estava. Ela se viu assustada com o estado dele. Tinha temor por seus patrões, principalmente Ray, porque apesar de ser retraído, sério e muito educado, era o mais imprevisível.
Cissa não era a empregada mais antiga, mas trabalhava há anos naquela residência. Já havia visto muita coisa da qual guardou segredo, e ouvido muitos sussurros entre os funcionários de longa data. Sabia muitas coisas sobre aquela família, e tudo que sabia a levava a observar Ray.
O filho único de Russel era uma bomba relógio e estava findado a perder o controle. Não tinha vícios, não tinha amigos, não tinha hobbys; era muito solitário. Como podia armazenar tanta coisa e não dividir com ninguém? O problema estava em seus picos de raiva, nas magoas guardadas e nas formas que as descontavam. Para Cissa, parecia uma outra personalidade dentro dele a qual não podia segurar.
Os Toros pagavam muito bem, foi isso que levou Cissa aquele emprego, porém ela não demorou a descobrir que as altas taxas eram também para pagar o seu silêncio. Por várias vezes sentiu vontade de pedir demissão, contudo Ray não era um patrão ruim, diferente de Russel, ele nunca gritava, sempre agradecia, abria a porta para ela passar, procurava saber se estava tudo bem e às vezes perguntava como foi o dia de folga. De toda forma, era um cavaleiro, não só com ela, mas com todas as empregadas. Mesmo sendo um homem tão perigoso, havia algo nele que transmitia conforto, que as fazia se sentir bem e as prendiam naquele emprego.
Entretanto Cissa, naquele instante, havia acabado de passar por um Ray desestabilizado, aquela versão que a deixava amedrontada. Ela sabia o que o esperava e foi por isso que acelerou seus passos em direção as escadas na expectativa de sumir dali.
- Cissa, volte aqui - ordenou Ray.
Ela parou sentindo o coração a flor da pele. Virou-se o vendo parado em frente a porta aberta do quarto de hóspedes. Então retornou até ele com temor e cautela.
O quarto estava arrumado, todos os equipamentos médicos haviam sido tirados, e a cama estava forrada com novos lençóis.
- Onde está o Dewees? - questionou Ray ainda encarando o quarto de modo surpreso.
- Ele se foi, senhor - respondeu ela tentando disfarçar o quanto estava aflita de ficar naquela posição.
Ray sentiu seu coração bater rápido como se tivesse acabado de levar um susto, mas era apenas o pânico de não ver seu amigo bem ali onde havia deixado.
- Como assim ele se foi? - Seu tom saiu seco e mais baixo como se o choque estivesse engolindo até mesmo a sua voz.
- Seu pai mandou a equipe médica desligar os aparelhos, e autorizou que o levassem.
- Para onde?
- Eu não sei - Cissa o viu apertas as mãos. Viu a faca que estava fincada na mão direita deslocar um pouco para fora e o sangue voltar a escorrer pingando no chão.
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TLIAC (Frerard)
Fiksi PenggemarEM HIATUS REVISÃO: SINALIZANDO NO CAPÍTULO. 1ª temporada → O Pen Drive Direto da teoria do último, um pen drive causa mudanças no destino das mãos em que passa. Através de um golpe ambicioso, o caos ameaça a cidade de Crosfilt. Após um acidente in...
