Críticas Severas, Confissões Melancólicas

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Críticas Severas, Confissões Melancólicas

Carlos havia encaminhado uma mensagem ao Simon com um endereço e horário. Agora, ele estava todo elegante e perfumado em um dos quartos do Hotel Cadablam. Ali era um lugar reservado onde poderiam conversar tranquilamente e quem sabe trocar uns amassos. Todavia, Simon, que tinha o hábito de ser pontual, estava trinta minutos atrasado e isso estava deixando o introvertido Way incomodado.

A verdade é que Simon ignorou a mensagem e a deletou assim que a viu. Neste momento, sentado à mesa da copa onde alguns de seus familiares também estavam, ele tentava, ao máximo, disfarçar sobre estar ciente de tudo. Apesar de ser bom nisso, e sua família não notar, para ele, era como se todos soubessem que ele havia descoberto. Todo olhar, sorriso e modo de qualquer um deles era suspeito. Tudo se transformou em desconfianças e neuras. Não havia como não ficar na defensiva.

Ao meio do silêncio entre eles, que saboreavam petiscos leves da ceia, o celular de Simon tocou. Ele viu que era um número sem identificação, reparou no olhar de alguns parentes em sua direção e por isso atendeu.

— Alô?

— Você vem?

A voz de Carlos devia ser um frenesi, mas Simon sentiu foi a tensão percorrer o seu corpo. Tentou agir naturalmente, mas talvez alguém tenha reparado no breve arregalar espontâneo de seus olhos.

— Ah! Senhor Tancredo! — Ele sorriu, dizendo qualquer nome que lhe veio à cabeça. — Quanto tempo! — Levantou-se. — É claro que posso falar. — Caminhou lentamente, mas acelerou os passos ao entrar no corredor, seguindo para o banheiro mais próximo.

Carlos não entendeu o que ele estava fazendo.

— Não sou o senhor Tancredo, sou o Carlos — explicou ele. — Você vem para o hotel Cadablam?

— Você ficou maluco? — vociferou Simon em cochicho, ao fechar a porta do espaçoso cômodo. — Por que está me ligando?

— Eu quero te ver — disse Carlos, direto.

Simon fechou os olhos com aquelas palavras. Pela primeira vez, no meio daquela tempestade, ele sentiu o coração aquecer e ao mesmo tempo doer por saber que não podia ceder.

— Não me ligue mais.

— Aonde você está?

Simon se alarmou com a pergunta. O que ele queria dizer com aonde você está?

— Olha aqui, não venha atrás de mim. Está me ouvindo? Me esquece — ordenou Simon.

— Aonde você está?

— Car... — Ele olhou em direção a porta, desconfiado. — Olha aqui. Você precisa me ouvir está bem? Fica longe de mim. É sério. Eu não posso te explicar muito agora. Mas você precisa entender que isso acabou. Nós somos primos. Não me procure mais. Eu não posso ver você. Não posso falar com você. Acabou.

Carlos olhou em direção ao vinho sobre a mesa do quarto. Perguntou-se o porquê Simon estava falando tão baixo na linha. Lembrava-se da forma assustada dele no quarto do hospital, das coisas que disse para Donald sobre o negócio que eles fizeram, tinha certeza de que algo crítico estava acontecendo. E não estava disposto a simplesmente abrir mão.

— Não — disse ele.

— Não? — Simon se viu impressionado.

— Não acabou.

Simon se prostrou muito irritado com a surpreendente teimosia dele.

— Você está de sacanagem? Eu fiquei correndo atrás de você feito um idiota desde o início dessa porra de drama com a família Toro, para agora que eu não te quero mais, você ficar vindo atrás de mim? Você tem ideia de quanto tempo eu esperei você tomar alguma atitude? Vai se foder Car... Você! Vá procurar a sua turma. E não aparece na minha frente, porque eu juro que eu quebro toda a sua cara. — Ele encerrou a chamada, procurou outro número na agenda e ligou.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora