A Missão do Bastardo

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Acompanhados por seguranças, pai e filho seguiam pelo corredor até a sala de reunião presidencial das Empresas Toro. Era possível ouvir o som dos passos no silêncio do andar, e os pisos bege os refletiam como um espelho. Ao chegar à porta de vidro fosco, Carlos, preocupado, olhou para seu pai, pois sentia que nada de bom os aguardava depois da porta.

Era explícito que a aliança com a família Toro teria um fim. Fazia tempo que Russel os culpava por qualquer pequeno imprevisto. A falta de confiança só aumentou a cada dia e, no fundo, Carlos entendia o motivo.

O plano de seu pai, desde o início, fora obter de volta o pódio que um dia lhe fora tirado. Esperava o momento certo, visto que o novo projeto que haviam desenvolvido seria uma febre na cidade. Naquele ano, Trajano daria o golpe para conquistar tudo o que considerava seu; contudo, a má fama de um Way pode ser o seu próprio prejuízo.

Carlos sentiu um comichão na barriga; mal sabia que se tratava de um mau pressentimento. Trajano mantinha-se fissurado pelo nome da empresa grifado na porta, mas seu suspiro demonstrou aos seguranças que o sentimento de perda era recíproco.

Os dois homens não esperavam um banquete ou trocas de elogios, mas não imaginavam encontrar a celebração de uma nova aliança.

À mesa estavam acomodados Russel e Simon. Robb encontrava-se de pé próximo a eles. No canto, em um sofá cinza, Ray e Leto assistiam àquela entrada triunfal feito meros espectadores no aguardo do ápice da ação.

— O que significa isso? — inqueriu Trajano, ao que seu olhar pendeu sobre Simon. — O que os Ieros fazem aqui?

— Negócios! — Russel sorriu sarcástico. A voz grave fazendo Carlos ter um breve pensamento de que ele poderia ser um locutor em qualquer estação de rádio da cidade.

— Que negócios você tem com eles?

— Negócios dos quais você, Trajano, e a sua família não fazem mais parte. — As palavras atingiram Trajano como um soco no estômago.

— Como?

— É isso mesmo! Nossa aliança termina aqui — anunciou Russel ao pegar a taça de champanhe sobre a mesa; o líquido cristalino balançando entre o vidro.

— Seja mais claro — exigiu Trajano, e o riso abafado de Simon ressoou como um insulto.

— Você não consegue entender o que eu acabei de dizer? — alfinetou Russel, altivo.

A graça transpareceu aos jovens no sofá.

Havia empolgação nos rivais, mas Carlos encontrava-se distraído com a excentricidade de Robb. Era um rapaz de estatura baixa, um pouco acima do peso, suas vestes eram repletas de estampas chamativas, despertava a sua curiosidade. Um breve desviar, uma intuição, percebeu que Simon o encarava com uma intensidade incômoda. Sutilmente pendeu o olhar para a camisa branca, sob o terno preto que usava. Estava sujo? Seria o molho do lanche da tarde?

— Você só pode estar brincando. Com tanta gente nessa cidade, você irá colocá-los no nosso lugar?

— E por que não, Trajano?

Trajano arfou, a tensão se espalhando perante sua raiva súbita. Ele inclinou-se, espalmando as mãos sobre o vidro fresco, sua atitude sendo interpretada como uma ameaça. Os seguranças sacaram as suas armas, Carlos também. Enquanto eles tinham Trajano como alvo, Carlos colocou Ray Toro em sua mira. Afinal, o que era um ponto fraco se não um filho?

Para Russel não significava nada, estava inabalável. Mas para Simon, o corajoso homem demonstrava mais do que o esperado ao seu paladar. Ficou obcecado em assisti-lo.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora