Townes: Venenos e Descobertas

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Townes: Venenos e Descobertas


Depois de Simon e Susy dançarem pela pista a boa energia fluiu pelo salão. A movimentação e a animação tomaram o espaço. Pessoas dançavam, conversavam e se espalhavam pelo palácio. Os jardins e bares ao lado de fora, nos fundos, começaram a ficar agitados. Sob as pérgolas de alumínio grupos de jovens se reuniam e mantinham conversas acaloradas e divertidas.

Susy andava pelos caminhos do jardim a procura de Brendon e Billie. Simon havia retornado para o bar e se juntado ao Roob. Observando o salão ele foi fisgado pela presença marcante de Ray vindo de um dos corredores seguindo rente ao bar.

Rapidamente Simon se virou para o balcão pondo sua taça sobre a estrutura. Pegou uma das taças de champanhe que o barman enfileirou para o garçom. Atento ao redor abaixou a taça, com a mão livre pegou o pequeno vidro de veneno dentro do bolso, impulsionou a tampa com o polegar e despejou a substância no líquido.

Roob que já estava atento a ele, logo se achegou de modo a ser um escudo para a ação do primo.

— Simon! — sussurrou em desespero analisando ao redor para garantir que ninguém havia notado aquilo. — Você vai mesmo fazer isso?

— Mas é claro que vou. — Simon colocou o vidro de volta no bolso e balançou a taça para misturar o conteúdo ao champanhe sem deixar vestígios no fundo.

— Você enlouqueceu. — Roob alargou um pouco a gravata ao sentir o corpo suar.

Simon viu Ray se aproximando.

— Aja naturalmente ou eu vou te esganar, Roob — avisou pegando sua taça sobre a bancada. Então se virou e entrou na frente de Ray quando este estava prestes a passar por si. — Ray! — Sorriu simpático.

Ray parou o encarando sério.

Roob engoliu a seco e tentou disfarçar ao máximo.

— Hoje é o grande dia, não? Finalmente conhecerei o tão famoso projeto que você insistiu tanto para que eu esperasse para descobrir. Estou muito ansioso para a apresentação, e lisonjeado pela parceria que formamos. Então por que não brindar a isso? — Simon direcionou a taça a ele que a pegou.

Roob sentia temor, Simon tinha uma expectativa no olhar e de formas diferentes eles estavam ansiosos.

Ainda sério, Ray encarou o champanhe e então voltou a olhar para Simon.

— Um brinde — disse encostando a taça a de Simon, a elevando em seguida em direção a boca.

Roob prendeu o ar.

Os olhos de Simon focaram Ray com ânsia.

Um ar de sorriso cruel se formou nos cantos dos lábios do engenhoso Toro. Ele parou seu movimento antes mesmo de encostar a taça nos bordos.

— A sua hipocrisia — saudou antes de abaixar a taça fazendo o vigor se esvair de Simon; o seu olhar superior e viril foi como uma ducha fria sobre as artimanhas do esperto Iero. — Você acha que eu não sei quem era ela? — referiu-se a Lucrécia. — Achou que eu não iria descobrir o que você andou fazendo pelas minhas costas?

— Maldito fantasma! — reclamou Simon após trincar os dentes.

— Fantasma? — indagou Ray dando um passo em direção a ele para encará-lo mais de perto. — Você quer dizer, maldito Iero. — Sorriu. — É engraçado a capacidade que vocês têm. Para alcançarem o que querem são capazes de tudo. Traem a própria família, traem a si mesmos, e até a própria mãe. Serão os últimos da fila a me condenar, e os primeiros a entender. — Ray olhou brevemente para a taça em sua mão. — Não é preciso mais máscaras, Simon. Você sabe — declarou sobre o projeto. — Eles sabem. — Fitou brevemente em direção a mesa dos Ways. — Todos vocês sabem. É por isso que negociou com eles. E tenho que confessar. Eu fiquei decepcionado. Eu esperava mais de você. Os famosos inconfiáves Ways deram a própria cara a bater. Mas você enviou uma mulher. Uma. — Balançou a taça girando o líquido. — E você continua com planos óbvios e fáceis. O quão é preciso cavar para que você seja menos covarde? O quão é preciso cavar para saber a sua real capacidade? — O encarou persistentemente. — Até agora você só conseguiu mostrar o quanto não é páreo para mim.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora