Raios de luz, uma forma humana perante seus olhos, um anjo dando um fim a escuridão, um anjo aparentemente muito bonito.
— Brendon? — cochichou ele.
— Nein. Ich bin deine Liebe — sussurrou a envolvente voz, próximo ao seu rosto.
— Quê? — Ray estreitou os olhos atrás de lucidez, e aquele rosto foi ficando cada vez mais nítido. Traços delicados, íris traiçoeiras e um sorriso bonito.
— Olá, mestre! — disse Dallon, antes de se elevar.
Cicil estava surpresa, por um momento achou que o excêntrico rapaz iria beijar na boca do paciente. O modo que pendeu sobre ele parecia íntimo e invasivo, certamente preocupante em relação ao quadro traumático.
— Como se sente, senhor Toro? — perguntou ela.
Ray olhou ao redor. Sentia-se tonto e muito confuso, era como se nada tivesse acontecido, parecia estar em casa. Sentou-se notando uma pressão em seu baixo ventre que logo o fez se levantar.
— Senhor Toro, espere — Cicil tentou fazer com que ficasse sentado.
— Banheiro — disse ele, embolado.
— Deixe-me remover o soro. — Visto que o frasco estava vazio, ela rapidamente removeu a mangueira da conexão e fechou para que o sangue não vazasse.
Ray se levantou e andou desordenado como se estivesse indo para o banheiro de seu quarto, na mansão, mas encontrou apenas a parede e a tateou procurando pela maçaneta.
— O banheiro fica ali, senhor — disse Cicil, o guiando até o pequeno cômodo. — O senhor precisa de... — Ela foi interrompida pelo baque da porta. Não era que Ray estivesse sendo rude, ele não tinha noção do que estava fazendo.
— Até que ele acordou meio doidinho — comentou Dallon, divertido.
— Eu vou chamar o doutor George. Pode olhar ele para mim por um momento?
— É claro! — Dallon se mostrou solidário, e ela rapidamente deixou o quarto. Sem demora, ele se aproximou da porta do banheiro e ficou a aguardar feito um soldado.
Ray apoiou as mãos sobre a bancada da pia, apertou os olhos tentando se concentrar em organizar seus sentidos, e a sua consciência começou a vir ao que elevou o rosto e se identificou no espelho. Algo parecia errado em sua própria imagem, por um instante se desconheceu. Pendeu o olhar para as suas mãos e percebeu as marcas em seus pulsos, o tom entre verde e amarelo dos hematomas indicavam remissão e mostravam que o tempo havia passado. Quanto tempo? Onde estava?
Ele não teve tempo de pensar, pois a pressão em sua bexiga se tornou uma urgência. Cambaleou um pouco até o vaso sanitário, apoiou a mão na barra de apoio paralela à parte imóvel do box de vidro e tateou a calça procurando pelo zíper. Não o encontrar o fez notar que estava vestindo algum tipo de pijama novo e muito diferente dos seus.
Depois de abaixar a calça expondo suas partes íntimas, bastou liberar algumas gotinhas de urina para sentir como se algo estivesse o rasgando de dentro para fora, uma dor terrível que o fez apertar a barra de apoio e gemer em agonia. A algia feroz trouxe tudo à tona, acordando cada pequena parte de suas memórias, e ele não estava no banheiro, estava lá, naquela mesa, e aqueles homens estavam ao seu redor, sobre si, o destruindo feito monstros frios e nojentos.
A dor se espalhou para o seu intestino, e algo se pressionava para fora, o obrigando a se virar e se sentar no vaso. Apertou a barra com mais força conforme a contração vinha em ondas severas feito facadas, feito as facadas violentas que levou de Russel. Não conseguia urinar e evacuar. Tornou-se um confronto onde seu corpo forçava-o a expelir e a dor forçava-o a segurar. Mas ele não podia controlar aquilo, assim como não pôde ter controle de nada naquela noite; vulnerável. Cada movimento involuntário de seu reto era como uma investida agressiva, cada mínimo jato de urina era como uma agulhada da haste uretral; era como reviver tudo. Ele chorou pela dor física e emocional.
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TLIAC (Frerard)
FanfictionEM HIATUS REVISÃO: SINALIZANDO NO CAPÍTULO. 1ª temporada → O Pen Drive Direto da teoria do último, um pen drive causa mudanças no destino das mãos em que passa. Através de um golpe ambicioso, o caos ameaça a cidade de Crosfilt. Após um acidente in...
