As Três Formas de Exaustão

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As Três Formas de Exaustão

Era por volta das seis e meia da manhã quando Patrick saiu do quarto com os olhos ainda vermelhos e inchados. Joe estava sentado no sofá com uma expressão cabisbaixa, não conseguiu dormir depois de tudo o que aconteceu, estava muito preocupado e sequer ponderou em ir para casa.

Não existia dúvidas de que Patrick também havia passado o resto da madrugada em claro, além disso, era evidente que estava sofrendo. Vê-lo deste jeito era algo difícil para Joe. Queria poder confortá-lo, mas não sabia o que dizer. Gerard era tão importante para Patrick, como simplesmente conseguiu fazer isso? Guardar esse segredo durante tanto tempo e deixar Patrick derramar seu rancor sobre alguém inocente. E por que Billie nunca disse nada? Joe não conseguia entender.

- Cadê o Billie? - perguntou Patrick antes que o funcionário pudesse dizer algo.

- Ele se foi.

- Para onde? - Patrick se viu surpreso.

Joe deu de ombros.

- Tem muito tempo que ele saiu?

- Pouco depois do Gerard - respondeu Joe.

Patrick arfou profundamente desviando o olhar para o lado. Joe podia jurar que viu um leve lacrimejo se formar nos olhos dele, porém, como o patrão seguiu até a estante, não conseguiu ter certeza. Patrick pegou a chave do carro e fitou brevemente os porta-retratos, era evidente a dor em seu olhar ao encarar Gerard em uma das fotografias. Com um novo suspiro, ele deu as costas e seguiu para a porta.

- Aonde vai? - questionou Joe, curioso.

- Vou buscar o Billie.

- O quê? Por quê?

- Ele não tem onde ficar, Joe - disse Patrick o encarando após abrir a porta. - Está congelando lá fora.

- Mas é o Billie, ele sabe...

- Ele sabe o quê? - indagou Patrick. - Eu não posso deixar ele na rua - disse antes de sair fechando a porta.

Ao lado de fora havia pouco movimento, o céu encoberto tonava as ruas mais opacas, porém combinava perfeitamente com os agasalhos que as pessoas usavam
o que era um bom cenário para se ver. O inverno era ácido e belo.

Patrick ajeitou o moletom que usava antes de caminhar até o seu carro estacionado do outro lado da rua. Entrou no veículo e deu partida à procura de Billie. Circulou pelas ruas de Parkson, tencionou em ir até as redondezas próximo ao beco Cardonara (portal de acesso ao Gueto), contudo não foi por receio.

Seguindo para o Centro de Crosfilt, Patrick abasteceu o carro no posto e continuou a sua procura pelas ruas mais famosas do Centro. Parou na praça Central de Crosfilt a observando por um tempo na intenção de encontrá-lo.

Após mais de uma hora rodando, Patrick já estava quase desistindo e foi então que seguiu em direção a Tompson parando na praça Mackenzie, antes da Ponte Kaliste, próximo as áreas de Division. Recostando no banco com um suspiro profundo, ele se permitiu distrair com os seus pensamentos.

A dor da decepção era forte, mas a estranha culpa que sentia também era e no fundo ele sabia que não devia se sentir assim, já que era a maior vítima desde o início. Dentro de si circulava muita tristeza e raiva pela situação, porém pensar em Billie trazia uma agonia similar a remorso. Sentia uma súbita vontade de chorar sempre que as lembranças de todas as vezes que o destratou vinha sua cabeça; pura birra de suas cicatrizes passadas que acreditava ter sido ele o causador. Agora existia uma pergunta remoendo em sua mente: o que eu fiz?

Segurar o nó que isso causava era quase impossível, mas olhar em direção a parte coberta da praça onde havia alguns bancos e mesas e vê-lo se descobrir entre os jornais em um dos banco, sentando e aceitando a metade de um pão que um morador de rua o ofereceu, essa era a imagem que Patrick não esqueceria tão cedo. Seus olhos lacrimejaram ao vê-lo sorrir agradecendo ao homem pela comida. Desviando o olhar ele tentou se controlar com piscadas rápidas, pegou sua jaqueta largada no banco de trás e saiu do carro a vestindo sobre o moletom ao que passou a atravessar o caminho pela praça até ele.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora