Hospital

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As pupilas de Gerard se comprimiram com a luz da lanterna que a socorrista direcionou contra seus olhos.

— Ele parece consciente — ela disse ao colega. — Ei? Você consegue falar?

A única reação vinda de Gerard foi o piscar de olhos. Quando ela afastou a lanterna, ele viu Frank em uma padiola alaranjada – o rosto imobilizado, a pele lívida e parcialmente manchada pelo sangue. Inconsciente.

A ambulância estacionou. A chuva estava mais densa, e Gerard pôde sentir o impacto das gotas em seu rosto como alfinetes. Uma breve visão urbana e a intensa claridade do hospital o obrigaram a fechar os olhos. Sentiu presenças, vultos e murmúrios ao seu redor.

— Tragam o desfibrilador!

Ele abriu os olhos. Encontrava-se em um leito, mas não fazia ideia de em qual momento havia sido feita a transferência. Viu Frank em uma maca de aço inoxidável. Uma enfermeira estava sobre ele, realizando manobras em seu tórax exposto, pálido e manchado de sangue, que sujavam as luvas brancas que ela usava.

O peito de Gerard doeu conforme a respiração ficava ofegante. O enjoo voltou, a lava escalando outra vez pelo esôfago. Ele se inclinou vomitando, o sangue se destacando no piso claro. Enfermeiros o trouxeram de volta e o seguraram enquanto se debatia na agonia de não conseguir respirar. Em um minuto tudo ficou distorcido e, em segundos, ficou inconsciente.

Nuvens tomavam o céu e delas vinha uma leve garoa, que umedecia o gramado, o caixão, o jazigo e os guarda-chuvas pretos que protegiam as pessoas

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Nuvens tomavam o céu e delas vinha uma leve garoa, que umedecia o gramado, o caixão, o jazigo e os guarda-chuvas pretos que protegiam as pessoas. Era uma manhã fria e triste. Diante daquele grupo, Brendon Urie não entendia o porquê, dentre os amigos mais próximos, aquela difícil missão teve que ficar com ele.

A dor alojada em um nó na garganta mantinha o silêncio constrangedor perante os olhos brilhosos daqueles que aguardavam suas palavras.
Não sabia por onde começar. Havia passado o dia anterior se preparando, preso em seu quarto, escrevendo pensamentos sobre o amigo enquanto sofria o calor do luto. Nenhuma prevenção o ajudou naquele instante; mal conseguia se atentar às letras no papel sobre o púlpito a sua frente, pois o que via era a tinta derretendo sob a garoa como se as palavras chorassem.

Brendon arfou pesadamente sobre o pensamento de que não conseguiria fazer aquilo. Mas encontrar o olhar preocupado de Patrick foi um incentivo, feito uma obrigação em demonstrar que estava tudo bem, que ele não precisava intervir. Focar nas gotículas que escorriam pelos guarda-chuvas era como um escudo para bloquear a tristeza deles, que intensificava a sua.

— Max foi... — Brendon pausou, as lágrimas teimosas escapando-lhe. Respirou fundo novamente e destravou sua voz em um pigarreio.

— No seu tempo — disse o coveiro ao seu lado.

Patrick se viu em agonia. Além do estado devastado de Andy e do sofrimento contido de Joe, sabia que ser o orador daquela despedida estava sendo uma tortura para Brendon.

TLIAC (Frerard)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora