Capítulo 3

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Me virei e saí andando pela porta, mas assim que saí daquele prédio comecei a correr, e então ou meus olhos estavam molhados demais pelas lágrimas ou tinha começado a chover(não sou orgulhosa o suficiente a ponto de acreditar que era a chuva).
Acabei esbarrando em alguém e quando fui me virar para pedir desculpas me deparei com Shade à poucos sentímetros de mim. Mas é claro, de todas as pessoas que eu podia encontrar na rua, justo com ele?
-Millena, o que aconteceu? -perguntou ele num tom de preocupação.
-Nada, e-eu estou bem. -eu não estava nada bem. Estava arrasada, encharcada, meus dentes estavam batendo um no outro por causa do frio e eu sentia uma dor muito intensa; nunca tinha sentido isso antes, devia ter batido em alguma coisa, ou talvez a verdade tivesse batido na minha cara.
-Millena! -Shade grita me tirando dos meus pensamentos.
-Oi?-Aquela maldita cena, aquelas malditas palavras ecoando em minha mente, eu precisava sair dali, precisava sair daquele furacão que minha vida havia se tornado em apenas meia hora- ...Eu preciso sair daqui! -disse já começando a andar em direção nenhuma, indo a lugar nenhum.
-Millena? Millena espera! -ele corre e me alcança -Não vou deixar você andar por aí sozinha nesse estado! -ele diz parecendo mesmo preocupado.
-Eu sei me cuidar sozinha, e não se preocupe, eu retoco o rímel assim que chegar em casa. -Eu disse sendo sarcástica. Por que estava sendo tão grossa com ele? Ele queria apenas ajudar.
-Não quando está desse jeito, deixa eu te levar para algum lugar; A casa da Maya talvez? -ele sugere, ignorando meu sarcasmo.
-Não, a Maya saiu com aquele cara misterioso de novo, não quero atrapalhar. -digo, esse lance da Maya com o tal cara estava ficando sério, se ela não me contasse logo eu iria ficar louca.
-Você não fica curiosa?
-Eu confio nela. -eu confio, por isso eu ainda não fiquei louca, se ela ainda não me contou é porque tem um bom motivo.
Eu estava com raiva de tudo e todos, então teria que ir até a única pessoa de quem eu não conseguia ficar com raiva.
-Me leva para a casa do Jason... -disse para ele de uma forma meio grossa, o que estava havendo comigo? Eu não era assim. -..Por favor. -disse para ver se amenizava um pouco a grosseria.
Jason era um ótimo amigo, meu melhor amigo antes do... Antes do Allan voltar da Califórnia. Ele dificilmente cala a boca, e fala o que pensa sem nem pensar. Por isso gostava tanto dele.
-Okay, mas você vai ter que me dizer onde fica porque não sei quem é esse cara! -ele diz. Na verdade ele sabia sim, só não lembrava do nome mas quando visse o rosto dele, ia ficar louco. Há alguns anos Shade recusou ficar com Jason de um jeito tão grosseiro que seria mais fácil o Shade ter dado um murro na cara dele, então ele espalhou o boato de que os dois tinham ficado, isso não foi muito bom para o Shade.
-Mas antes... -disse ele tirando o casaco e o estendendo para mim.
Sabia o que ele queria mas não ia vestir o casaco dele, mesmo estando com muito frio. Então olhei para ele com uma cara de desentendida. -Ah, pega essa coisa e veste logo! -insiste ele.
-Não estou com frio. -mentira, eu estava tremendo.
-Veste. -insiste ele- por favor.
-Okay! -reviro os olhos e pego o casaco.
-Você já considerou a ideia de parar de revirar tanto os olhos? -ele pergunta sorrindo.
-Já, não vai rolar.
Caminhamos até seu carro, ele dirige e eu vou dando a ele todas as coordenadas para chegar na casa do Jason. Quando chegamos eu desço do carro e ele me segue, eu até o impediria mas queria ver a cara dele quando visse quem era o Jason.
Toquei a campainha e esperamos em silêncio. Quando ele abrir a porta eu não vou começar a chorar -prometi a mim mesma; Jason tinha essa coisa de sempre conseguir tirar a verdade de mim, e eu odiava a ao mesmo tempo amava isso.
Ele não atendeu, então eu simplesmente abri a porta e entrei; Eu não devia ter aberto aquela porta. Mas não me arrependia de ter aberto aquela porta.
Jason estava pelado, com outro cara pelado, deitado no sofá, bem, estava deitado mas agora estava....numa posição estranha, agora sei o porquê das aulas de Hyoga. Tenho que admitir meu amigo tem pegada, e tinha malhado nos últimos tempos.
Eu tinha razão, não comecei a chorar, tive um ataque de riso na mesma hora em que fiquei horrorizada, aquela cena iria me assombrar pela eternidade. Nunca mais vou sentar naquele sofá.
Jason percebeu que eu estava lá observando a cena e que eu já começava a chorar de tanto rir, não sei do que eu ria; da cara do Jason ou da cara do Shade que estava com uma cara horrorizada, e muito hilária.
Jason fez questão de ficar em pé e pelado na nossa frente, e botar a roupa bem devagarzinho para Shade poder aproveitar cada segundo. O outro cara(que eu não fazia a mínima ideia de quem era) foi para o quarto e saiu, dessa vez com roupa e passou pela porta. Depois que esse outro cara saiu Jason olhou além de mim, para o Shade e disse num tom divertido:
-E aí gatão, quanto tempo!
Shade ficou paralisado, dava para ver que aquela cena se repetia na mente dele. Logo depois ele apenas se virou e se dirigiu até a porta, então fui atrás dele.
-Shade! -gritei em quanto ele se afastava. E continuava se afastando fingindo não me ouvir.
-Shade espera! -gritei mais alto dessa vez e então parei- Shade eu preciso de você aqui, por favor, fica.
Ele parou de se afastar e se virou para me encarar.
-Você já está em boas mãos. -disse ele de uma forma seca.
-E que mãos, ein! -brinquei, e ele me fuzilou com os olhos.- Tá, okay, já entendi, cedo demais!
Ele se virou de novo e continuou a se afastar, então gritei:
-Escuta Shade! -ele parou- Eu acabei de perder meu melhor amigo, acabei de perder alguém que eu achei que se importava comigo, acabei de perder alguém que eu amo. Pode não parecer tanto, mas dói como um murro na cara. E....e eu tô me segurando para não desmoronar aqui okay? Eu preciso de você aqui, mas se não quiser ficar; Vai. Porque já cansei de sofrer por idiotas.
Ele se virou e veio em minha direção com brutalidade nos olhos e determinação nos passos, quando ele chegou perto, me preparei para os xingamentos, mas senti sua não envolver minhas pernas e me jogar pelo seu ombro, fui me debatendo o tempo inteiro enquanto ele atravessava o quintal da casa do Jason até me jogar sobre a poltrona que havia ao lado do sofá.
Não tive nem tempo de respirar e a campanhia tocou.
Jason foi atender mas antes que pudesse fazer isso uma Maya visivelmente preocupada entrou na casa sem nem esperar o Jason abrir a porta. Eu devia estar péssima para ela me olhar com tanta preocupação.
Maya veio correndo até mim e me abraçou com toda força. Eu precisava disso.
-O que está fazendo aqui, não estava em seu encontro com o tal cara misterioso? -pergunto ainda abraçando ela.
-Nenhum encontro é mais importante que você, docinho! -ela diz melancólica.
-Obrigada May -digo mais melancólica que ela.
Eu ameaço chorar mas antes que uma lágrima sequer possa cair do meu olho, a mão da Maya vai de encontro ao meu rosto me dando um tapa na cara. Olho para ela horrorizada, ela dá de ombros e diz:
-Não vou ficar aqui sentada vendo você chorar por um idiota, nós vamos superar isso juntas!
-Sabe que isso só me dá mais vontade de chorar, não é?
-Não me obrigue a bater na sua cara de novo... -ela diz de um jeito intimidador-...minha mão ainda tá doendo. -ela diz isso sacudindo a mão no ar e deixando para traz sua cara intimidadora. Nós rimos e depois ela ficou séria de novo, olhou para os meninos e mandou Jason e Shade buscar as sacolas que estavam no carro.
-Por quê sacolas? -perguntei assim que eles saíram.
-Achou mesmo que eu iria demorar tanto para vir, sabendo que você estava mal? Tive que passar em um lugar antes. -ela respondeu.
Os meninos entraram carregando as sacolas, eram muitas sacolas.
-O que é tudo isso? -pergunto a ela.
-Você já usou todos os seus vestidos de festa, e eu também precisava de roupas novas! -ela pegou duas sacolas e jogou uma no Jason e outra no Shade -Considerem presentes de Natal.
-Estamos em Setembro! -protesto.
-Só aceita, você não viu os presentes que eu comprei para o amigo oculto!
-Ainda não entendi porquê tudo isso. -protestei.
-Não achou que íamos ficar em casa assistindo filme triste e comendo sorvete, não é? Você merece muito mais que isso! E além disso, faz tempo que não vamos à uma social juntas sem aquele idiota! -ela diz.
-Okay, eu vou se combinarmos não falar desse idiota, tudo bem? -sugiro, não estava com nenhuma vontade de ir, mas a Maya tinha razão, não ia ficar chorando por causa daquele idiota.
-Feito! -Maya disse rápido para que não houvesse tempo para que eu mudasse de ideia.
-Eu ainda não entendi o que eu tenho a ver com isso. -Shade se manifesta.
-Vocês dois vão se trocar, eu cuido dessa daqui. -Maya diz.
Os dois foram e fiquei imaginando o que eles conversariam lá sem nós, tinha medo que se matassem.
Maya me levou à uma cadeira e me fez sentar, então começou a limpar minha maquiagem borrada e fazer uma nova, arrumou meu cabelo e me fez colocar o vestido que ela havia escolhido.
Estávamos todos prontos, a Maya tinha mesmo comprado vestidos lindos, o meu era preto, com mangas que iam até o pulso, com uma fina tira aberta que revestia o decote e se estendia até o umbigo, atrás ele não tinha costas e sua saia rodada era recheada de gliter da cor do vestido. O dela era azul, colado e tomara que caia, com a saia também rodada cheia de gliter azul, que ia de comprimento até um pouco acima dos joelhos. Eram realmente lindos.
-E então? -Maya me perguntou com aquela cara esperançosa.
-Sorte sua que o vestido é bonito!

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