Túmulo

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Terceira Pessoa

Os passos silenciosos e ágeis seguiram pelo beco escuro, os olhos verdes atentos em qualquer movimentação que soasse intrusa. Seguiu até o final do corredor e encostou no muro, de costas, espiando quando estreitou os olhos para o pátio silencioso e deserto, sem conseguir enxergar a entrada do estacionamento que descia um breve morro de cascalho, após uma curva, saindo da rodovia. Levou uma mão à orelha e chamou pelos agentes.

– Foster? – A linha da escuta chiou, mas permaneceu silenciosa. – Sophie?

Sophie está entrando na sala, eu precisei ajustar alguns fios. Estamos aqui. O encontro deve ser uma da manhã, essa previsão não mudou até agora.

– Mas já são duas e estamos apodrecendo aqui. – Murmurou Mitch, o tom entediado soando.

Os lábios grossos da mulher desprenderam um impulsivo sorriso breve.

Estão atrasados. Quando aparecerem nas câmeras minha equipe saberá, vamos avisá-los.

– Tudo bem. – Disse ela.

Escorregou contra os tijolos e se sustentou nos calcanhares, os olhos tornando a inspecionar o beco por instinto. Puxou a pistola do cós da calça e o silenciador no bolso da jaqueta, rosqueando no cano da arma. Os ouvidos formigavam com a adrenalina que já a inundava em antecipação.

Lydia, o que você está vestindo?

– Que droga de pergunta é essa, Mitch? – Levou a mão à orelha com confusão, uma risada baixa reverberando na garganta.

Estou entediado, quero me distrair.

– Você entende que não estamos sozinhos nessa linha, não é?

Foster nos desconectou enquanto não temos trabalho. Agora, sua roupa, ruiva.

– Você está flertando comigo à moda La Casa de Papel?

Estou. Você está usando aquela espécie de maiô do dia a dia?

Lydia gargalhou baixinho.

– Um body, você quer dizer?

Eu não sei o nome..., mas gosto de você nessa coisa.

– Você gostaria de mim até em um saco de batatas, Rapp.

Bom ponto, ruiva. Mas é sério..., o que você está vestindo?

A agente mordeu a língua, um sorriso malicioso ameaçando crescer no rosto enquanto se divertia em silêncio.

– Um body preto de renda. – Disse por fim, baixinho.

Mitch gemeu.

Renda? Ah, porra..., eu preciso me concentrar...

– Só estou dizendo o que tem em cima.

Você está insinuando que dá para usar isso sem calcinha? – Ele questionou, e Martin pode senti-lo sorrir. – Você está me torturando de propósito. – Acusou com a voz quente, um misto de humor sendo captado por ela.

Lydia apertou os olhos e riu, imaginando o rosto dele.

Imaginar você sem calcinha agora vai me fazer ser demitido, Martin. E eu falo sério.

– Então você acha que não estou usando?

Eu acho que se eu estivesse perto de você agora eu estaria descobrindo.

Crow's FlightOnde histórias criam vida. Descubra agora