Capítulo 16

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Não sabia bem pra onde eu estava indo, mas assim que eu ouvi os gritos e uma explosão mais embaixo, eu desci diretamente pra lá.
E me arrependi instantaneamente. Ali estava um Nomu, como aquele que invadiu a USJ. Mas esse era branco e parecia mais musculoso também. Assim que eu me pus entre a multidão que corria e gritava pra todos os lados eu soube que eu estava ferrada.
Uma garotinha loira veio com toda a velocidade, chorando, em minha direção. Eu a ampara o instantes antes de ela tropeçar.
Não tive muito tempo pra ver se ela estava bem, pois o monstro gigante começou a correr em nossa direção.
- Segure firme em mim- sussurro pra ela, a abraçando com força e, com um esforço colossal, fazendo ambas nos tornarem plasma.
Assim que o monstro nos atingiu, ele nos atravessou e bateu na parede do prédio atrás de nós, fazendo uma chuva de concreto cair sobre nós assim que nós fiz voltarmos ao normal.
- Você está bem?- pergunto me ajoelhado em sua frente e conferindo seu rosto assustado.
Ela abre a boca e começa a gaguejar, me abraçando forte logo em seguida.
- O-obrigada!- ela disse e eu sorrio pra ela.
- Tudo bem. Agora, por favor, fique com os outros adultos até tudo isso acabar tudo bem?- respondo vendo uma mulher aos berros correr em nossa direção e a pegar pela mão.
Me voltei pra frente onde o Nomu se movia desajeitado em outra direção. Aquela coisa parecia mais burra do que seu irmão que eu tinha visto anteriormente e obviamente estava ali apenas pra causar caos.
Eu sabia que aquilo podia funcionar, então passei a enxergar no mundo espectral. Aquela coisa possuía uma alma aprisionada, se eu ao menos pudesse alcançar essa energia e fazer aquela coisa apagar...
Mas então, além da energia das centenas de pessoas correndo por aí, apareceram no meu campo de visão, mais além e bem fracamente, duas figuras que pareciam em cima de um prédio. E uma delas parecia vagamente familiar...
Assim que pisquei os olhos e voltei a enxergar normalmente eu não pude ver nada. Então decidi tentar uma coisa.
- Oboro, por favor vem até mim- sussurrei e a figura fantasmagórica do meu irmão apareceu meio segundo depois, sorrindo a minha frente.
- E aí Annie! Qual o problema agora?
Achei aquilo estranho. Geralmente ele demorava mais pra chegar até mim. Ele só demoraria menos se o corpo físico dele estivesse próximo. Mas como aquilo era possível se ele tinha sido cremado e enterrado numa urna num cemitério?
Deixei aquilo de lado por um momento e consegui retribuir um pouco o sorriso.
- Bom, aquilo ali- digo e aponto pro Nomu- Preciso que você me ajude a tirar todos da frente daquela coisa.
- Pode deixar!- ele finge se alongar e sua expressão fica mais séria- Se não pude fazer isso em vida, pelo menos o farei na morte.
Então ele começa a sair por aí e a levar as pessoas que corriam apavoradas para cantos mais seguros com um conjunto de nuvens que começaram a circunda-lo.
E eu me atirei na frente daquela coisa.

Eu não tinha medo da morte. Porque eu simplesmente não podia morrer. Mas aquela coisa só em aparência me assustava bastante.
Então na hora em que eu fui fazer algo estúpido, eu o fiz enquanto ele estava virado de costas.
E contra um Nomu, o soco inglês que o Koichi me deu iria vir muito bem a calhar.
Então assim que eu cheguei perto o suficiente, eu voltei ao meu estado sólido e dei um soco com toda a minha força na lateral da cabeça do monstro.
Aquilo não pareceu afeta-lo, mas sua atenção se dirigiu pra mim no mesmo instante em que eu pousei no chão.
O Nomu berrou, frustrado, e ergueu um punho cheio de espinhos em minha direção. Eu respirei fundo, flexione as pernas e me lancei de encontro a seu punho...
Só que minha manobra foi interrompida. Um senhor baixinho foi mais ágil que eu e deu um chute que tinha a potência de um foguete, levando o monstro ao chão e me fazendo bater de cara num poste de luz.
Fiquei uns trinta segundos vendo pontinhos pretos dançarem no meu campo de visão, antes de me levantar e me virar pra ver quem era aquele estranho que meio que me atrapalhou.
Mas assim que eu vi o senhor de amarelo conversando com a figura impotente do Endeavor eu desisti de continuar a lutar.
Afinal, eu não tinha nem uma licença de herói. Se eu simplesmente continuar Se ali por muito tempo eu podia ser reportada a polícia como uma vigilante. E, tendo agido na área do vigilantismo antes, eu sabia que o Endeavor era a pior pessoa pra se encontrar em uma luta, porque ele era muito chato com aquela questão de " se você não é um herói, então é um vilão ".
Então eu desapareci em um beco e segui pra onde Oboro tinha reunido as pessoas da área.
- Estão todos aqui?- pergunto pro meu irmão que simplesmente pairava olhando atentamente todo um grupo de pessoas.
- Se Deus quiser sim- ele respondeu - A maioria não entendeu o que aconteceu, mas pelo menos ficou com o restante das pessoas que estavam fugindo.
- Tá legal, pessoal por favor se abriguem e fiquem em segurança até algum herói anunciar que é seguro sair por aí de novo - digo bem alto, apesar do meu instinto de timidez me dizer pra simplesmente ir embora pra casa de uma vez - O Endeavor já está cuidando da situação.
Um suspiro de alívio percorreu a multidão. Então uma senhorinha se aproximou de mim sorrindo e segurou minhas mãos.
- Muito obrigada querida. Nós todos somos muito gratos a você.
Eu agradesci meio envergonhada, porque eu não tinha coragem de dizer pra ela que eu não era exatamente uma heroína ainda.
Mas só de saber que eu tinha conseguido ajudar, mesmo por baixo dos panos, eu já me sentia como uma heroína.

Eu cheguei bem tarde em casa. Meus pais me receberam cheios de uma preocupação óbvia, mas eu rapidamente afirmei que estava bem.
Mesmo àquela hora da noite eu não conseguia dormir. Não parava de me perguntar o que estava acontecendo realmente em Hosu.
E então foi que eu vi as notícias no meu celular. Stain, o assassino de heróis, estava em Hosu. Ele e mais três Nomus. O Endeavor e outros super heróis conseguiram conter toda a situação.
Mas eu duvidava que era só aquilo. O jornal que eu estava lendo dizia apenas que talvez a liga dos vilões e o Stain agora estivessem aliados. Mas, em uma foto do vilão que antes fora um vigilante sendo levado ao hospital, bem lá no fundo, eu pude ver um par de asas brancas familiares.
Ampliei a foto e quase cai da cama. Aquela era a Luna. Ela tinha estado lá. Mas ela deveria estar estagiando com o Hawks, o que ela estava fazendo em Hosu...
E então eu tive uma epifania louca. Luna estava lutando contra o assassino de heróis. Mas como o Hawks sabia que ele estava lá? Essa era a única explicação pro fato de ela estar ali. E como eu pude fazer o Oboro chegar tão rapidamente até mim?
Arregalei os olhos e peguei um pequeno caderninho que eu mantinha na gaveta da minha cômoda. Eu tinha ganhado ele faz anos, mas nunca soube o que escrever ali. Mas então eu passei todas aquelas suspeitas pro papel.
Mas aquilo não me levou a lugar algum. Só a perguntas sem respostas.

Rainha FantasmaOnde histórias criam vida. Descubra agora