Capítulo 53

10 0 0
                                        

Não sei ao certo o que aconteceu depois daquilo. Eu só lembro de chegar na enfermaria e apagar completamente. A minha parte consciente havia se esgotado e eu deixei me levar pelo controle da lavagem cerebral.
Aparentemente a minha teoria estava certa: Eu ainda era imune a lavagem cerebral, Mas a Abelha Rainha não, então agora o poder do Hitoshi funcionava em mim de certa forma.
Muita gente podia dizer que era uma habilidade assustadora, mas agora eu agradecia muito pelo efeito dela em mim funcionar.
Eu acordei no meu quarto, me sentindo surpreendente restaurada.
Me levantei esfregando os olhos e me surpreendi ainda mais pro ver o Hitoshi dormindo com a cabeça pendendo pra frente em uma poltrona em frente a minha cama.
Me levanto e vou até ele, afastando seus cabelos pra eu ver melhor seu rosto. Estava manchado de lágrimas. Ele parecia triste, mas ao mesmo tempo tão sereno dormindo.
Sorrio fracamente. Ontem deve ter sido um dia péssimo pra ele. E eu ia cumprir o último desejo da mãe dele : eu iria cuidar pra que ele pudesse sorrir de novo, apesar das dificuldades.
Coloco a mão levemente em seu rosto e ele abre um pouco os olhos, reagindo ao toque.
- Anami?- ele pergunta, rouco, colocando a mão sobre a minha.
- Desculpa te acordar- digo.
- Tudo bem - ele diz e passa a mão livre no cabelo - Você está bem?
Assinto e inclino a cabeça.
- Você está bem?- pergunto.
Ele me olha por uns instantes em silêncio antes de responder.
- Eu liguei pro meu pai ontem a noite. Ele disse que estava lá também, quando aconteceu- um sorriso fraco aparece em seu rosto- E ele disse que viu você. E que, aliás, foi quem te tirou dos escombros quando você caiu.
Eu me ajeito nos calcanhares e olho pro alto, deixando a luz afastar o iminente impulso de cair no choro.
- Isso explica muita coisa - respondo.
- Ei- Hitoshi põe a mão delocadamente sob  meu queixo e me faz olhar pra ele - Ele só me disse o que eu já sabia. Que você foi uma heroína. E que você salvou a vida de muita gente lá.
- A sua mãe também- respondo e encosto a testa na dele- Eu posso pedir desculpas de novo?
- Você não tem do que se desculpar. Meu Deus, como você é teimosa - ele ri fracamente - Além disso você deveria descansar, a Recovery Girl disse que o fato de você ter uma segunda individualidade agora vai te esgotar bastante nos primeiros dias.
- Ah, então eu agora tenho mesmo duas individualidades?- questiono. Aquela também era uma hipótese incerta.
Ele assente, antes de eu suspirar e levar a mão instintivamente ao olho esquerdo que não estava mais lá- Tá muito ruim?
Ele afasta o meu cabelo do rosto e beija minha no bochecha.
- É claro que não. Você continua linda.
Ergo uma sobrancelha, tentando me fazer de durona mas aquela era a primeira vez que ele me dizia aquilo tão abertamente, então eu por dentro eu estava completamente derretida.
- Tá dizendo isso porque é verdade ou porque gosta de mim?
Ele abre a boca pra responder mas de repente arregala os olhos e fica vermelho.
- É porque eu gosto se você que é verdade- ele responde, por fim, e meu sistema nervoso frita mais ainda com aquela afirmação. E eu acho que eu só não entro em curto circuito porque uma batida na porta interrompeu o momento e a Uraraka abriu a porta.
- Ah oi- ela diz parecendo um pouco envergonhada - Desculpa eu não queria...
- Não, tudo bem - Shinsou diz e nós dois nos levantamos - Alguma novidade?
- O Bakugo conseguiu uma localização- ela responde e se vira pro celular na mão dela- A gente vai juntar tudo pra propor nossa ideia pro diretor.
- Espera do que vocês estão falando?- pergunto, já esperando que ela dissesse o pior.
- Nós conseguimos achar o Deku- ela continuou- E estamos planejando ir buscá-lo.
Eu então começo a segui -la pelo corredor.
- Vamos lá então.

A Uraraka acabou me contando o relato completo do que acomtecera com o Deku: aparentemente ele também tinha virado um vigilante, mas diferente de mim que estava trabalhando com outras pessoas, ele passou a fugir das pessoas e a ser visto por elas como uma incógnita. Não sabiam se ele era um herói ou um vilão. Só sabiam que ele aparecia, ajudava alguém, e desaparecia novamente.
- Não existe uma rede oficial de vigilantismo, mas agir desse jeito, sem parada, é extremamente perigoso- disse assim que minha amiga terminou de falar - Vocês estão mais do que certos de irem atrás dele o quanto antes.
E então o diretor Nezu concordou em nos deixar trazer ele de volta, afinal, ele ainda era um aluno e, assim como todos nós, também precisava de ajuda.
Então, depois de uma longa reunião, nós passamos o resto do dia nos preparando pra amanhã irmos atrás dele.
Ninguém estava tranquilo, mas estávamos tentando relaxar enquanto preparavamos o jantar.
- Mas que droga!- resmungou Luna que estava ao meu lado apoiada na bancada enquanto eu fazia o arroz.
- O que?- pergunto me virando pra olhar pra ela.
- Olha pra ele- ela aponta pro Bakugo que estava cortando qualquer coisa que fosse comivel e entregando ao Kirishima - Ele não tá xingando nada nem ninguém. Não tá fazendo crítica alguma. Não tá nem com raiva. Ele não tá bem.
Ergo uma sobrancelha.
- Já tentou conversar com ele sobre isso?
Ela inclina a cabeça e estreita os olhos.
- Você sabe que a nossa dinâmica não é bem o diálogo né?
Desligo o fogo e coloco as mãos na cintura. Eu sabia que o relacionamento dela e do Bakugo era mais " a gente é os melhores da escola e por isso a gente se entende, mas é difícil de admitir". Mas ainda assim, às vezes conversar ajudava.
- Olha, se você me perguntasse no começo do ano se eu gostava do Hitoshi eu responderia não- respondo e faço um sinal de redenção com as mãos antes de pegar um prato pra me servir - Conversas podem fazer milagres.
Ela começa a fazer que sim com a cabeça e então arregala os olhos e tampa a boca com a mão.
- Espera então vocês dois estão... tipo... namorando?!
Baixo o olhar e sinto o sangue subir às minhas bochechas. Abro a boca pra responder mas então eu sinto a mão de alguém circundado minha cintura e eu automaticamente perco a fala.
- É, mais ou menos- responde Hitoshi que aparecera por trás de mim. Ele aproxima o rosto do meu e sussurra-  Tudo bem eu fazer isso?
Assinto e resmungo um "uhum", porque era o máximo de inteligibilidade que me restava pra falar.
Ele me beija na testa e se vira pra ajudar pra restante dos meninos com o jantar.
- Vocês dois são muito fofos- Luna comenta quando eu recobro minha dignidade e a capacidade de falar.
- Ah. É. Acho que sim - respondo e dou de ombros - Mas isso não desvia o nosso assunto de antes. Você tem que falar com o Bakugo. Antes de amanhã.
Ela balança a cabeça, concordando, então franze a testa pra mim.
- Espera você vai amanhã? Eu achei que você estivesse meio mau por causa do seu olho - ela gesticula pro próprio rosto onde a enorme cicatriz atravessava seu olho.
- Eu tô ótima- digo e levo a mão instintivamente à cavidade vazia do meu olho esquerdo - Ainda tenho que entender direito como isso funciona, mas eu não vou abandonar a expedição por nada! Afinal, o Deku é meu amigo também.
- Ele já ajudou muito a todos nós- minha amiga responde - Agora é a nossa vez de ajudá-lo.

Rainha FantasmaOnde histórias criam vida. Descubra agora