Assim que saímos do trem, Momo sujeriu que colocássemos disfarces pra ninguém nos reconhecer como estudantes da U.A e aquele provavelmente foi um momento que me fez relaxar um pouco.
Eu não queria falar nada, mas todos pegaram roupas que os faziam parecer versões de baixo orçamento de heróis profissionais. E, percebendo o traje dos outros, Luna me entregou uma jaqueta marrom escura estilo aviador e piscou pra mim.
Era ridículo, mas eu sabia o que ela queria que eu fizesse com aquilo e imaginei meu irmão sorrindo ao me ver vestida com uma cópia bem estranha do seu antigo uniforme de herói.
A Luna em si fez uma réplica do uniforme do Hawks que de alguma forma a fazia parecer uma gangster. E ela não ficou ridícula como o restante de nós.
- Como você conseguiu ficar tão bem?!- exclamou quando saímos todos da loja e caminhávamos ao nosso destino, tentando aliviar o clima.
Ela deu de ombros.
- Parece que eu tenho talento pra isso.
- Yayurozu, você não podia ter só criado esse através pra gente?- perguntou Todoroki.
- Ah eu poderia mas...- ela deu de ombros meio envergonhada - as vezes eu tenho que contribuir com o comércio local.
Quando ela disse aquilo eu olhei de lado pra ela. Fazer os meninos desfilarem pra gente, em especial o Todoroki, não me parecia bem uma forma de "contribuir pro comércio local", mas eu acabei ficando quieta.
Na verdade, todos ficamos quietos enquanto seguimos até o local onde o rastreador da Momo nos dizia pra ir. Passamos por vários prédios estranhos e aparentemente abandonados até chegarmos a uma ruela apertada e vazia, onde aparentemente não havia nada além de um galpão vazio.
- Me ajudem a subir pra ver o que tem lá dentro - diz Midorya e Iida faz uma escadinha pra ele.
Depois de alguns segundos Kirishima o chama e entrega pra ele um óculos de visão noturna.
- Aqui. Isso vai ajudar.
- Kirishima, você comprou um óculos de visão noturna pra isso?!- perguntei um pouco indignada. Aqueles óculos era caríssimos e eu sabia disso porque eu queria um desse pro meu traje.
E parecia que o Midorya também, porque essa foi exatamente a sua resposta. Kirishima deu de ombros.
- Eu não posso ficar parado enquanto um amigo meu está em perigo. Então eu quero fazer de tudo pra salvar o Bakugo.
Todos ficamos em silêncio de novo. Ele estava completamente certo, e era por isso que eu também estava disposta a fazer de tudo pra salvar a Luna também.
- O que tem aí dentro?- perguntou Kirishima quando Midorya quase caiu pra trás em uma exclamação silenciosa de susto.
Ele não respondeu e apenas estendeu o óculos de visão noturna. Kirishima fixou com a mesma cara de espanto depois de olhar.
- Aquilo são...
- Nomus- Midorya completou - É uma fábrica deles.
Então eu pisquei e passei a olhar através das paredes no mundo espiritual. Nomus tinham espíritos dentro deles, mas eram presos pois sua consciência passava a ser controlada. Eu aprendi isso pelas experiências em Hosu e na U.S.J.
Mas o que eu senti ali me assustou. Eu podia não só sentir, mas ver e ouvir cada uma das almas dos projéteis de Nomus daquele lugar.
Pisquei de volta e balançei a cabeça, tentando afastar a agonia daquela visão.
Mas então eu voltei a ver no mundo espiritual. Por um instante eu pensei ter visto...
Um tremor percorre o chão e eu perco a concentração, alguns segundos depois, o teto do prédio a nossa frente pareceu desabar sob uma pancada enorme e forte.
- É a Montain Lady- disse Momo e senti uma repentina onda de alívio. Os profissionais estavam ali. Talvez nos nem tivéssemos que entrar em ação.
- Bom, vamos embora, parece que a situação já está resolvida - diz Iida e ele começa a arrastar o Todoroki e o Midorya pra fora do beco quando outro entrando soa e nós congelados onde estávamos.
- O que foi isso?- perguntou Kirishima e assim que olhou pra trás ele arregalou os olhos - Cadê a Luna?!
Sigo o olhar dele. Ela havia desaparecido. Xingo baixinho e cerro os punhos.
Se ela tinha desaparecido isso significava que o plano dos heróis em tomar o controle da fábrica dos Nomus estava prestes a dar muito errado.
- Acho que eu sei - digo no exato instante em que a cena do que estava acontecendo do outro lado da cerca se tornou visível pra nós- E também sei onde o Bakugo está.
Todos encaramos pra ver, de repente, toda uma multidão de vilões ali, praticamente sufocando os heróis que pareciam estar no controle um segundo atrás.
Junto deles estava o Bakugo, um cara de cabelos negros o segurando pelo pescoço.
Mas o que me assustou foi ver que, um pouco mais além no céu acima de todos eles, estava minha amiga claramente preparada para fazer alguma besteira.
Coloco a mão no ombro do Midorya.
- Você é melhor em planejar do que eu, então, por favor, tente fazer algo pra tirar o Bakugo dali - suspiro - Eu vou cuidar da Luna.
Ele abra a boca, claramente surpreso por eu estar agindo tão rapidamente. Mas então ele assente e eu assumo o meu estado fantasma.
Eu tinha me preparado pra aquilo colocando meu uniforme de heroína por baixo da roupa.
Assim eu comecei a sobrevoar a cena sem poder ser vista, mas sentindo cada uma das almas dos Nomus lá embaixo como pássaros enjaulados.
Luna estava bem a minha frente e eu sabia que bastava um acenar de mãos pra tirar ela do alvo da morte, mas assim que cheguei mais perto eu congelei.
Mais cedo eu tinha pensado sentir uma energia familiar. Porque eu realmente tinha. Entre os espíritos de corpos não identificados ali estava a figura de cabelos azuis que me era tão familiar. Oboro.
Uma onda de náusea me atingiu. Era por isso que a energia dele estava tão perto no dia da batalha em Hosu. Meu irmão havia sido transformado em um daqueles monstros sem consciência. O verdadeiro líder da Liga dos Vilões havia arruinado o que restara do meu irmão pra transforma-lo em um monstro subordinado.
Pensar naquilo me fez perder a atenção e antes que eu percebesse, eu estava caindo. E, por consequência, eu estava visível pras outras pessoas ali.
- Anami!- ouvi alguém gritar e antes que eu percebesse uma figura escura do outro lado da fábrica esticou uma das mãos e um enorme espinho preto começou a vir em minha direção.
Fechei os olhos, tentando voltar ao meu estado de plasma, mas o medo não me deixava eu me concentrar.
Eu tinha sido estúpida. Eu tinha ido até ali pra não deixar a minha amiga morrer, e agora eu ia morrer.
Nesses últimos instantes de desespero eu acho que ouvi a voz do All Migth. Ele estivera ali antes? Se estava eu não tinha prestado atenção. E porque o espinho estava demorando tanto pra me atingir?
Então eu abri os olhos lentamente e me vi encostada em um pedregulho olhando pro pior dos cenários que eu podia imaginar.
Eu tinha me distraído. Tinha me deixado ficar desatenta, e possivelmente desacordada perante meu horror. E agora Luna estava diante de mim. Atravessada por uma coluna negra.
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Rainha Fantasma
Hayran KurguAnami é uma estudante do primeiro ano do curso de heróis da famosa U.A. E enquanto ela tenta se tornar uma grande heroína, ela não percebe a sombra que se agiganta sobre todos. Mau ela sabe que grande parte dessa sombra, foi ela mesma quem construiu.
