No dia seguinte, todas as salas foram reunidas no pátio pra um anúncio do diretor. Então todos fomos guiados até lá pelo Iida que insistia em nós colocar em uma fila.
No meio do caminho, claro que cruzamos com os alunos das outras salas e que a turma B, ou melhor, o Monoma da turma B, começou a implicar com a gente.
Também cruzamos com a sala do Shinsou e a expressão dele quando viu a minha sala inteira me fez lembrar que ele na verdade odiava todos nós. E que eu era uma exessão.
Uma exessão tão grande, que, como eu estava no fim da fila do nosso grupo, assim que todos os outros passaram ele sorriu e me pegou pelo braço, me levando pra um corredor vazio por um instante.
- Você tem alguma ideia do porque todo mundo foi chamado?- ele pergunta e eu pisco surpresa pra ele.
- Você me arrastou aqui, como se fosse me assaltar, pra isso?- balanço a cabeça - Acho que talvez pra receber todo mundo oficialmente no sistema de internato.
Ele inclina a cabeça e da um sorrisinho pra mim.
- Ah, eu não sabia que tinha medo de mim.
Foi a minha vez de rir.
- Medo? MEDO?- tampo a boca com a mão pra esconder o meu sorriso enorme - Ah, não. Tá mais pra "Eu ainda não confio plenamente em você".
Ele abriu a boca pra responder alguma coisa quando ouvimos um baque atrás de nós. Naquele corredor só tinha uma porta, que levava pra uma sala de zeladoria.
Hitoshi fez um sinal de silêncio pra mim é ambos seguimos até a porta de fininho, encostando o rosto no campo da porta pra ouvir o que quer que estivesse lá dentro.
- Não ouço nada...- ele começou a dizer, pondo a mão na maçaneta e começando a abrir a porta devagar...
Ou aquele era o intuito, pois o peso de nós dois encostados na porta fez ela ceder abrupamaente, nos jogando na sala do zelador pra encarar uma Luna boquiaberta e um Bakugo branco feito um fantasma.
- Ah. São vocês- eu consigo dizer, me endireitando e comecando a me virar pra sai - Foi mau. A gente já ta indo.
Então eu puxei Hitoshi comigo pra foda do corredor, e comecei a correr até as escadas pra sair do prédio e ir até o pátio como todo mundo.
- O que rolou lá?- ele me perguntou no caminho.
- Não sei - respondi, sorrindo comigo mesma.
- Eles vão caçar a gente agora né?
- Muito provavelmente.
Assim que chegamos ao pátio a gente se misturou a multidão e parou pra recuperar o fôlego.
Olhei pra trás, mas ninguém parecia ter nos seguido e, assim que encarei meu amigo ambos começamos a rir, meio que sem motivo.
No final o diretor realmente nos reuniu pra falar sobre o novo sistema de internato, que aquilo era uma medida preventiva pra proteger pra alunos e que começariamos um tal de "estudos de trabalho", ou algo assim. Eu meio que parei de prestar atenção no que ele estava dizendo, quando o povo da classe C que estava perto de mim começou a jogar UNO e eles me convidaram pra participar. Aparentemente numa escola de mais de 200 alunos, um quinteto jogando cartas passava despercebido na multidão.
Então quando voltamos pra sala de aula como mundo só falava daquilo e começou a questionar se aquilo iria ser como os estágios que fizemos.
- Na verdade, agora vocês poderão agir oficialmente como heróis, pois possuem uma licença- explicou o professor Aizawa- Diferentemente dos estágios, onde vocês apenas deveriam observar os profissionais.
Não consegui não desviar o meu olhar pra Luna quando ele disse aquilo. Ela me lançou de volta um olhar do tipo "Você não pode falar nada".
- Pra explicar e preparar melhor vocês, eu convidei o Big Tree pra falar com vocês- o professor continuou e abriu a porta da sala - Podem continuar.
Então os meus três amigos do terceiro ano entraram e tudo mundo começou a cochichar. Às vezes eu me esquecia de que eles eram meio famosos na escola, porque pra mim era mais que normal falar com eles, afinal, a gente marcou algumas sessões de treino depois da prova do meio do ano.
Como eu meio que esperei o Tamaki foi pra um canto e a Nejire começou a fazer várias perguntas, animada em conhecer gente nova.
- Pessoal acho que estamos assustando eles um pouco - interrompeu Mirio - Acho que deveríamos deixar eles vivenciarem na prática o efeito de uma experiência de trabalho, o que acha professor?
- Façam o que quiserem- disse o professor Aizawa e se enrolou em seu saco de dormir.
Então todos fomos guiados ao ginásio e o Mirio apenas deu a seguinte instrução:
- Eu quero que vocês lutem contra mim.
Todo mundo ficou chocado, argumentando que aquilo seria injusto pro lado dele, mas eu sabia do que ele era capaz. Eu e a Luna conseguimos por pouco vencer o Big Tree na prova de meio de ano. Eles eram realmente surpreendentes.
E por saber disso e que tal habilidade devia ser fruto da experiencia com um profissional eu encostei na parede ao lado do Tamaki e fiquei observando a luta com meus colegas.
- Você não vai participar?- ele me pergunta, virando só um pouco a cabeça encostada na parede pra me encarar.
- Acho que eu já me provei pro Mirio- argumento - Eles estão mesmo subestimado ele.
- É. Eles não tem ideia do que o Mirio é capaz. Ele é simplesmente incrível.
Mas como eu e a Luna éramos as únicas que verdadeiramente sabiam de sua força, todo mundo começou a bater de frente com ele.
Minha amiga foi um pouco mais prudente e analisou um pouco a situação. Mas eu sabia que depois do que ela passou, ela não hesitaria em tentar dar um murro nele. E ela realmente foi fazer isso.
No final, o Mirio derrotou todo mundo e ainda por cima, pelado. Como eu sabia que aquilo ia terminar assim eu virei de cara pra parede que nem o Tamaki e nós ficamos conversando até a luta acabar.
- Bom pessoal, me desculpem se eu peguei pesado, mas eu queria mostrar pra vocês o quanto uma experiência com um super herói pode fazer a diferença.
- Mas a sua individualidade também é incrível! Você é tipo de vezes mais poderoso do que qualquer um de nós!- interveio Kaminari que cambaleava um pouco.
- Na verdade a minha individualidade nem e tudo isso - Mirio responde e explica o seu "permear". Que ele podia usar aquilo pra reaparecer em qualquer lugar mas que tinha uma série tão grande de restrições, que o fazia ter extrema previsão pra usar seus poderes. Também tinham sido essas restrições que eu e a Luna usamos pra vence-lo na prova do período anterior.
- Bom creio que por hoje é só turma - disse o professor Aizawa que assistira a luta em um canto - Vamos voltar pra sala.
No dia seguinte eu e o Kirishima fomos chamados pra conversarmos com o diretor Nezu.
Nenhum de nós dois fazia a mínima ideia do que se tratava, então quando chegamos lá e vimos o Tamaki, ambos ficamos surpresos.
Mais surpresos ainda quando o diretor disse que o Amajiki tinha nos recomendado pro Fat Gum pra fazermos estágio com ele e estávamos ali pra a escola oficializar o estágio se voncordassemos com aquilo.
- Mas é claro que concordamos !- disse Kirishima animado e eu assenti também.
- Sim, vai ser um prazer.
É claro que fomos avisados que teríamos que repor algumas aulas pra isso, mas eu não ligava. Eu ia mesmo estagiar com um herói de verdade.
Assim que saímos da sala do diretor eu não consegui me conter e abracei o Tamaki com força.
- Meu Deus, muito obrigada, mesmo Amajiki!
Ele ficou meio sem graça mas retribuiu o gesto.
- Não tem de que. Você dois são incríveis e eu achei que o Fat fosse gostar de vocês- ele encolheu os ombros - Seriam bons substitutos pra mim.
- Ah, não fala assim - disse Kirishima e sorriu pra ele, dando um soquinho no ar - Nós três vamos trabalhar juntos de agora em diante.
Dou risada. A animação dele era contagiante e eu não podia deixar de ficar muito contente com aquilo também. Além de lisonjeada é claro. Afinal, não era todo dia que te recomendavam pra um estágio com um herói famoso.
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Rainha Fantasma
FanfictionAnami é uma estudante do primeiro ano do curso de heróis da famosa U.A. E enquanto ela tenta se tornar uma grande heroína, ela não percebe a sombra que se agiganta sobre todos. Mau ela sabe que grande parte dessa sombra, foi ela mesma quem construiu.
