Os nossos estágios começavam amanhã e eu praticamente não dormi naquela noite. Então as seis da manhã em ponto eu estava na escada de fora do dormitório lendo, esperando o Kirishima acordar pra podermos ir juntos.
Pra minha surpresa, cerca de meia hora depois ele estava lá, descendo a escada pulando dois degraus de cada vez.
- Bom dia Anami!- ele disse e eu me levantei, pegando meu uniforme de heroína e o acompanhando escada abaixo.
- Oi Kiri- respondo, respirando o ar frio do início da manhã- Acho que a gente se empolgou um pouco em acordar tão cedo.
Ele de de ombros e riu.
- Estar preparado nunca é de mais.
- Mesmo que sejam seis da manhã?
Ele só fez que sim e eu ri.
Percorremos todo caminho dos dormitórios até o ônibus da escola que nos levaria à estação de trem. Como o motorista não estava lá, tivemos que esperar umas três horas até ele aparecer pra nos levar.
E passamos o percurso todo até a agência conversando animadamente sobre tudo um pouco. Acho que eu nunca tinha falado tanto assim com o Kirishima e percebi que me arrependia muito disso. Ele era um cara simpático e animado, sempre pronto pra ajudar os outros. Em uma escala de socialização ele era meu completo oposto, mas faria de tudo, assim como eu, pra proteger os amigos.
Assim que chegamos na agência fomos guiados até um escritório no último andar.
Quando passamos pela porta eu fiquei surpresa ao ser recebida por um homem loiro, alto e magro. Até onde eu sabia, a individualidade do Fat Gum o permitia absorver toda a gordura que consumisse e a transformasse em um escudo pessoal. Por isso todas as fotos do herói o mostravam bem diferente da pessoa que eu estava encarando agora.
O homem sorriu pra nós e acenou.
- Vejo que vocês dois estão animados eu gosto disso!- ele estendeu a mão - É um prazer recebe-los. O Suneater falou muito bem de vocês.
Olhei de esguelha pra Kirishima quando apertei a mão dele e era visível que ele estava tão surpreso quanto eu.
- Eu bem que precisava de atacantes melhores na agência- Fat continuou dando a volta na mesa e ficando de frente pra nós - Tem acontecendo vários crimes com pessoas violentas nas redondezas e habilidades de combate vão ser muito úteis.
Pisquei surpresa quando ouvi aquilo. De início eu achei que o Tamaki só havia me indicado porque o Fat se especializou em cuidar de traficantes e usuários de drogas ilegais, coisa em que eu era praticamente especialista por ter estudado isso com o Koichi. Eu havia comentado isso com o Amajiki em um de nossos treinos, mas eu realmente não imaginava que ele me considerava tão boa lutadora assim e que me recomendou por isso, ainda mais quando minha postura era essencialmente defensiva.
Kirishima também pareceu surpreso.
- Eu é quem tenho que agradecer à chance. Eu quero me tornar o mais forte o possível pra não fraquejar e proteger àqueles que precisam.
- Também quero aprender a ter uma atitude mais reflexiva nos meus movimentos - digo olhando pro soco inglês em meus punhos - Eu hesito de mais às vezes. Eu quero corrigir isso pra poder proteger a todos.
Nosso novo chefe sorriu pra nós.
- Vocês dois tem motivos muito nobres. Eu gosto disso.
Mais tarde nós saimos em uma patrulha. Eu estava bem ansiosa e animada pra entrar em ação, mas até que as ruas estavam tranquilas pra ser uma noite de sexta feira.
Então nós basicamente fomos passando em algumas barraquinhas de comida em que o Fat tinha parceria e fomos meio que provando de tudo um pouco.
- Vocês sempre fazem isso?- perguntei ao Tamaki quando eu e o Kirishima paramos de aceitar a comida dos vendedores por estarmos cheios.
- Como a minha individualidade e a do Fat são baseadas no que comemos, sim - ele deu de ombros e só continuamos andando.
Então um cara saiu correndo, seguido de outros companheiros, após roubar a bolsa de uma senhora.
Assim que o vi chegando eu Arregalei os olhos e parei onde estava.
- Fat, acho que temos um problema...- digo e ele se vira bem na hora de um dos ladrões afundar nele.
- Pelo visto você não vai a lugar algum - ele disse e viu que dois deles tinham escapado - Meninos vão atrás deles!
Eu entrei em meu estado de plasma e segui flutuando rapidamente acima de Kirishima e do Tamaki enquanto os perseguiamos.
Ergui a mão e consegui fisgar o espírito de um deles, o fazendo parar de se mover.
- Suneater!- grito jogando o ladrão pro Amajiki, que o imobiliza com um longo e flexível braço de polvo. Quando olhei pra ele lá embaixo, vi que ele tinha mais outros dois caras imobilizados.
Agora só faltava um, mas àquela altura uma multidão tinha se formado em volta de nós. Eu só o vi quando ele começou a falar bem alto com uma voz chorosa:
- Eu só queria ser forte e ajudar os meus amigos! E-eu tenho que ajudá-los!- ele diz e saca uma arma, disparando repentinamente uma bala.
Eu estava alto de mais pra para-la. Eu não queria que meus amigos se ferissem. Então eu voltei ao meu estado sólido de onde estava, caindo em diagonal pra tentar desviar o tiro.
Mas o Kirishima foi mais rápido que eu, se colocando na frente. Mas eu acabei desviando a posição do Tamaki e o tiro acabou acertando ele do mesmo jeito quando rolamos no asfalto.
- Mas que droga !- grito me levantando e indo conferir se ele estava bem - Tamaki, você está bem?! Caramba me desculpa...!
Ele olhou pra si mesmo e se levantou.
- Eu estou bem - ele se vira pra ver o Kirishima correr atrás daquele cara que escapou - Eu não sei o que aquele cara atirou, mas eu estou bem.
Olhei ao redor pra ver que os outros bandidos estavam inconscientes no chão. Aquilo era bom. Então eu peguei uma corda retrátil que eu tinha acoplado ao meu uniforme e comecei a amarra-los.
- Me desculpa de novo - digo - Eu fui idiota de ter feito aquilo....
- Não tem problema Anami- meu amigo me disse e começou a esticar a mão pra me ajudar, mas então ele exclamou em surpresa - E-eu não estou conseguindo usar minha individualidade.
Então eu congelo e me viro lentamente pra ele.
- Onde tá a bala que atiraram em você?
Ele olha ao redor e acha o pequeno cilindro no chão um pouco mais além e me entrega.
Assim que o vejo eu sabia exatamente o que aquilo era.
- É uma seringa- digo e franzo a testa- Devia conter nela algum tipo de droga anuladora. Mas...- balanço a cabeça- Eu nunca vi nada assim antes.
Ergo o olhar e percebo que o Amajique me encarava preocupado.
- Drogas de anulação simplesmente não funcionam - explico - Elas duram uns três segundos e perdem o efeito. Também não consigo ver motivo pra alguém carrega-las por aí.
Naquele instante o Fat Gum tinha chamado a polícia e eles nos alcançaram. Assim que o vi explicamos pra ele o que tinha acontecido.
- Vamos guardar e analisar isso - ele disse recolhendo a seringa - Você tem um bom repertório de química. Bom trabalho Anami.
Me encolho um pouco, agradecendo envergonhada, afinal o Tamaki só estava sob efeito daquilo por culpa minha.
- Vocês dois, vão ao hospital mais próximo pra conferir se não há nada de errado com o Tamaki. Eu vou atrás do Kirishima - ele continuou e começou a correr.
- Ei, Fat!- exclamou antes de ele sair do nosso campo de visão- Aquele último cara também pode estar sob efeito de alguma droga. Se ele tinhabuma pode ter mais!
Ele assentiu e sorriu pra mim.
- Boa observação. Vou investigar.
Então ele se afastou e eu me virei pro meu companheiro.
- Amajiki não é que eu não confie no hospital mais próximo, mas - digo tendo uma ideia meio louca - você se importaria de andarmos um pouco mais?
O Koichi tinha um médico amigo especializado nesse tipo de coisa e ele trabalhava em uma clínica autônoma a alguns quarteirões daqui. Eu sabia que ele conseguiria examinar o Tamaki e entregar os resultados na análise direto pro escritório do Fat Gum mais rapidamente que uma clínica normal. Ele também tinha informações de gente no submundo, então ele também poderia ser capaz de achar a fonte daquela substância em até vinte quatro horas.
Meu amigo ergueu uma sobrancelha pra mim, mas apenas me respondeu:
- Claro, tudo bem.
Assim que chegamos à clínica meio escondida entre dois prédios comerciais Soga atendeu meio sem ânimo ao interfone.
- Quem é?
- Anami Shirakumo- digo - Eu sou aprendiz do Koichi Hamaiwari. Eu preciso de um favor.
Um suspiro se ouviu no interfone antes da porta ser aberta.
Subimos um lance de escadas e nos vimos em uma sala ampla com uma bancada, uma maca e uma escrivaninha. Sentado no campo dela havia um homem de cabelos arrepiados usando uma jaqueta de couro. Ele sorriu pra mim ao me ver.
- Se você não tivesse dito aprendiz eu acreditaria fácil fácil que era filha do Koichi.
Dei de ombros.
- A U.A também achou isso por um semestre inteiro, então não posso te culpar.
Ele desceu da mesa e cruzou os braços analisando a mim e ao Tamaki minuciosamente.
- Então o que trás vocês aqui?
- Meu amigo foi atingido por uma espécie de droga que anulou a individualidade dele- explico e Soga arregala os olhos, indo imediatamente até o Tamaki e e o guiando até a maca.
- Entendi - ele se vira pro meu colega - Está sentindo algum efeito colateral, fora não conseguir usar seus poderes?
Amajiki faz que não com a cabeça.
- Vou fazer um chek up geral e exame de sangue e dou os resultados pela manhã - ele completou e suspirou - Mas em que encrenca vocês se meteram hein?
- Tem alguma ideia de quem pode ser a fonte?- perguntei enquanto ela separava e limpava duas seringas.
- Talvez - ele me lança um olhar sombrio - E acredite em mim, eu prefiro não cogitar essa opção.
- E qual seria?- perguntou Tamaki meio nervoso.
- Os oito preceitos da morte - ele fala baixinho - Uma gangue que foi vista ultimamente estudando bastante drogas ilegais. Não sei o que eles pretendem com isso, mas dizem que eles conseguiram uma capaz de anular uma individualidade.
Nós ficamos em silêncio até ele acabar a consulta. Antes de irmos embora, Soga colocou uma mão em meu ombro.
- Seu amigo parecia assustado e por isso não falei muito- ele sussurrou - Mas eu vou passar o resto das coisas que eu sei junto com o resultado do exame pra agência de vocês.
Sorri pra ele e me despedi, começando a ter um mau pressentimento sobre aquilo.
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Rainha Fantasma
Fiksi PenggemarAnami é uma estudante do primeiro ano do curso de heróis da famosa U.A. E enquanto ela tenta se tornar uma grande heroína, ela não percebe a sombra que se agiganta sobre todos. Mau ela sabe que grande parte dessa sombra, foi ela mesma quem construiu.
