Capítulo 24

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Eu enfim consegui voltar a me mover e gritei de raiva. Raiva de mim mesma. Raiva dos vilões. E raiva da Luna por realmente ter se arriscado daquele jeito.
E eu não era a única. Em cerca de segundos o Bakugo estava em cima da minha amiga, tentando fazê-la acordar.
Eu não conseguia enxergar o rosto dela, mas eles pareciam estar conversando e isso era bom. Enquanto ele a mantivesse consciente, ainda havia alguma chance de salva-la.
- Cale a sua boca! - ouço o Bakugo dizer,  gritando em pânico, colocando uma das mãos levemente queimada por cima da mão dela, tentando de alguma forma cauterizar a ferida.
Aquilo era inteligente. Sim. Faça isso...
Não... saia daqui. Leve ela com você.
Balançei a cabeça. Um turbilhão de pensamentos passava pela minha cabeça àquela hora. Eu tinha que me levantar e fazer alguma coisa...
- Eu não acredito que tem mais uma pirralha aqui - uma voz diz atrás de mim e eu consigo reunir forças pra me virar e ver o homem de cabelos negros e pele toda queimada em cima de mim.
Aquela provocação pareceu me despertar bem quando ele ergueu a mão. Eu me tornei plasma assim que chamas azuis começaram a emanar da sua mão estendida, e eu avancei nele, sem hesitar, o pegando pelo pulso e o girando pra trás. Em segundos ele estava nas minhas costas e, depois, no chão, atordoado
- E eu não acredito que a pirralha acabou de te dar uma surra - digo, entre dentes, não conseguindo ignorar muito o fato de que eu já parecia ter visto aquele cara antes.
Mas eu não tinha muito tempo. Deixei ele de lado e corri até a Luna e o Bakugo.
- Bakugo você precisa ir- digo a ele sabendo que o Midorya e os outros deveriam estar planejando levar ele dali - Eu posso cuidar da Luna.
Então ele vira o rosto pra mim. Lágrimas escorriam por seu rosto marcado pela raiva. Ele xingou e balançou a cabeça.
- Você promete que vai levar ela pra um lugar seguro?
Eu estava ofegante, com medo e ainda meio zonza, mas eu consegui responder com firmeza enquanto a pegava cuidadosamente pelos ombros e pelas pernas:
- Sim. Ela vai ficar bem.
Ele se levantou ao mesmo tempo que eu e cerrou os punhos.
- Estou contando com você, baixinha.
Apesar da tensão e do medo eu consegui sorrir pra ele antes de imergir nós duas em um estado fantasma seguro e sair dali pro hospital mais próximo.

Eu achei aquilo uma completa hironia. Eu tinha saído de um hospital, pra voltar pra um logo em seguida.
Assim que cheguei lá com minha amiga nos braços e a enfermeira na recepção nos viu, ela chamou o pessoal da emergência que levaram Luna rapidamente pra sala de cirurgia.
Várias pessoas presentes na sala de espera começaram a me parabenizar, achando que eu era uma heroína salvando uma vítima. Mas eu não tinha orgulho algum do que aconteceu.
Liguei pro professor Aizawa e expliquei tudo que aconteceu. Em meia hora ele e o Present Mic já estavam no hospital, sentados de frente pra mim na sala de espera.
E então eu tive que dar duas desculpas: uma pros dois adultos a minha frente dizendo que eu apenas havia seguido a Luna sem saber o que iria acontecer, mas que eu tinha chegado tarde de mais; e outra proa meus pais perguntando se eu poderia dormir na casa de uma amiga, quando na verdade eu ia passar a noite naquele hospital esperando a Luna acordar.
Em algum momento eu acho que fui ao banheiro e tirei meu uniforme de heroína manchado de sangue e o substitui por roupas emprestadas pelo hospital, mas eu não consigo me lembrar do que eu fiz nas próximas horas além de encarar o chão com um peso enorme nas costas.
Também devo ter dormido, porque quando voltei a erguer a cabeça eu podia ver um céu claro e iluminado pelo Sol através da janela.
- Ainda nada?- perguntei, esfregando os olhos.
- Disseram que ela passou pela cirurgia com sucesso - respondeu Aizawa que parecia ter passado a noite em claro - Mas ela ainda não acordou.
Suspirei de alívio ao saber que eu tinha trazido ela a tempo.
- Você sabia que ela faria isso?- ele me pergunta, de repente.
- Não- minto. Eu estava odiando cada célula minha por estar mentindo, mas eu sabia que a Luna não gostaria que eu contasse tudo que ela planejara  - Mas depois do Bakugo ser sequestrado ela me pareceu meio estranha, então eu só quis ter certeza de que nada aconteceria e...
Minha voz falhou e eu resolvi me calar antes de eu falar alguma bobagem.
Ele se inclina pra frente e põe uma mão em meu ombro.
- Tudo bem. Nenhuma de vocês duas deveria estar lá pra início de conversa, mas você fez bem em salva-la, então vou tentar manter o que aconteceu entre vocês duas ontem a noite em segredo.
Arregalo os olhos. Eu estava esperando uma resposta completamente diferente e talvez envolvendo uma expulsão.
Não querendo estragar o seu sentimento de gentileza, eu resolvi deixar de lado o fato de que havia mais gente lá.
Alguns minutos depois a porta de entrada da recepção foi aberta com um estrondo e eu Arregalei os olhos quando vi o Bakugo correr até a recepção.
Ele começou a falar de um jeito bem grosso com a rececionista, então eu suspirei e fui até ele.
- Me desculpe, ele não costuma demonstrar preocupação sempre- digo colocando uma mão em seu ombro e o guiando pra um corredor mais além, ignorando o medo de morrer em uma explosão.
- Você passou a noite aqui?- ele me perguntou quando viu que estávamos sozinhos.
- Sim- passo a mão no cabelo - Ela ainda não acordou.
Ele balançou a cabeça.
- Aquela idiota! No que ela estava pensando! Primeiro ela quase morre e depois o All Migth...
- O que tem o All Migth?- pergunto, a preocupação transbordando da minha voz agora.
Então ele pisca confuso pra mim.
- Você não viu então?
E ele me explicou como a batalha de ontem terminara: com o All for One detonado e o All Migth aposentado; a Liga dos Vilões aparentemente fugiu e o Best Jeanist saiu irreparavelmente ferido.
O sentimento de surpresa e medo dentro de mim já era tanto que minha única reação àquilo foi xingar. Xingar alto e várias e várias vezes, sem me importar muito com quem eu estava xingando. Àquela altura eu queria xingar o universo inteiro.
Quando eu fiquei sem fôlego de fazer o meu drama eu me virei e dei um soco na parede ao nosso lado.
Ergui a cabeça e vi o garoto loiro me encarando surpreso. Acho que era a primeira vez que ele me via com tanta raiva, e que eu o via reagindo de alguma forma que não com raiva.
- Eu não sei o que eu faço- digo baixinho - Eu tentei salva-la do jeito que deu, mas, ainda assim...
- Você fez o que pode - ele me responde - Nós dois fizemos.
Jogo a cabeça pra trás, ainda frustrada.
- Fala você com ela- digo, por fim- Porque eu tenho a impressão de que ela vai se fechar pro mundo e talvez você consiga fazer ela se abrir.
Ele da uma risada seca.
- Eu? Porque eu?!
- Porque vocês dois se entendem - respondo e me afasto dele.

Rainha FantasmaOnde histórias criam vida. Descubra agora