Rota Dourada, Barganha

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Caitlyn

  Aqueles dois primeiros dias foram gastos por mim da melhor forma possível, dormindo, comendo e colocando algumas coisas em dia, como meu tempo com meus pais, conversas com o Jayce, e algumas visitas aos museus de Piltover.

  Hoje no terceiro dia, acordei com o som da chuva, e fiquei deitada por um bom tempo; alguns pensamentos estranhos estão na minha cabeça, apesar do clima de dar sono lá fora, meu sono foi tomado pelos meus pensamentos, tudo o que eu estou pensando é o que Vi deve estar fazendo, eu havia escutado toda a sua vida com atenção; ao contrário do que eu imaginava, sua história tinha um peso enorme, e agora estava clara a admiração que Ekko tinha por ela, mas o pior, porque eu estou começando a sentir uma admiração por ela?

Se tratando do Ekko é plausível, qualquer um em seu lugar teria, mas para piorar, meus principais pensamentos não diziam respeito a sua vida ou trajetória, ou a sua inteligência com álcool; e sim aquele toque e aquele beijo, meu corpo parecia queimar só de lembrar, coloquei as mãos sobre a face soltando um suspiro longo enquanto fechava meus olhos, acho que ela está bagunçando minha mente, e eu só não quero admitir, que nunca me senti tão bagunçada antes.

-Droga. -Me sentei na cama correndo as mãos por meus fios, eu me levantei, e minhas mãos correram pelos braços desnudos, estava frio, eu vesti uma pantufa roxa, que combinava perfeitamente com o baby Doll roxo, apesar de um parecer ter a finalidade de ser confortável, e outro se assemelhar a um chamado para uma noite ardente, caminhei até o banheiro, lavando meu rosto, precisava me concentrar em qualquer coisa que me fizesse esquecer um pouco aquele ato sórdido.
 
  Eu tomei um banho e troquei de roupa, amarrei meus cabelos e peguei a mochila colocando nela a arma, eu iria até Rota Dourada, precisava treinar um pouco, e a academia era própria para todos os tipos de treino que os policiais precisavam realizar.

  Eu desci as escadas e minha mãe me encarou, ela franziu o cenho achando estranho eu estar com aquelas roupas já que estava de folga.

-Aonde vai?

-Rota Dourada, vou treinar um pouco.

-Hum. -Eu me sentei colocando a mochila com a arma ao meu lado, com calma eu peguei algumas torradas e passei geleia nelas, eu peguei uma xícara me servindo com chá e ela bebeu o café e suspirou. -Vai treinar sozinha?

  Eu franzi meu cenho, que pergunta estranha é essa? Eu sempre treinei sozinha, nunca tive companhia ou plateia, confirmei com a cabeça.

-Bom dia.

  Meu pai depositou um beijo em minha testa e um na de minha mãe e se sentou ao lado dela.

-Achei que estaria de folga hoje.

Ele afirmou enquanto colocava café na xícara, minha mãe suspirou, ela logo falou por mim:

-Ela vai treinar.

-A, quer carona?

Eu confirmei com a cabeça, era caminho afinal, não tinha motivo para não aceitar, o hospital ficava duas quadras depois de Rota Dourada, meu pai se levantou pegando as chaves do carro e eu me levantei o acompanhando.

-Até mais tarde querida.

Ele deu um selar em minha mãe e nós dois saímos, minha mente ainda estava perdida, entramos no carro, me sentei no banco do carona e ele começou a dirigir, em silêncio, porém logo ele se pronunciou:

-Como está se sentindo tendo ganhado a medalha?

-Bem, acho que estou perto de me tornar Xerife.

-Também acho, e você vai ser a melhor que Piltover terá.

Eu sorri curto, meu pai tinha grandes expectativas quanto à mim, ele acreditava que eu seria ótima em qualquer coisa que fizesse, eu suspirei.

-Obrigada.

-E seus dois amigos, vão ser seus parceiros de trabalho?

-Como?

-Ezreal e Vi.

  Ele parou o carro em frente a rota Dourada e eu o encarei pensativa, o Xerife podia nomear parceiros e a bem da real é que nomear eles, parecia uma ótima escolha.

-Talvez.

-É uma boa escolha.

Eu sorri e desci do carro fechando a porta, agradeci a carona e fui até o treino de tiro em campo aberto.

  Ekko

  Senti meu coração disparar, eu estava fugindo pelas vielas, a perseguição estava me deixando atônito, os Barões da química não desistiam de me alcançar, mas que porra está acontecendo aqui? Eu sentia que não demoraria tanto para que Renata me alcançasse, um tiro acertou minha perna me derrubando do Skate voador, eu encarei os Barões vendo eles se aproximarem, e uma menina de cabelos verdes se abaixou ficando próxima do meu rosto.

-Então, você é o Ekko... -Seu sorriso ladino apareceu e eu apertei a perna com a mão, que droga de tiro foi esse? Minha perna ardia como nunca havia sentido antes. -O garoto salvador não é? Vamos ver por quanto tempo vai jogar no lado que está jogando, Ekko?

  Eu neguei com a cabeça sentindo minha visão ficar turva, Renata se aproximou e girou uma bomba em seus dedos, eu senti o suor escorrer em meu rosto, alguns de seus capangas riram.

-Acertou em cheio Zeri. -A Baronesa afirmou e me olhou como se fosse superior, soberba até demais.  -Ekko vamos conversar como amigos.

Ela disse sorrindo levemente e um rato apareceu atrás de mim acorrentando-me, eu tossi algumas vezes, uma fumaça verde se erguia ao meu redor enquanto todos vestiam máscaras de gás, o que essa mulher queria?

-Não somos amigos Glasc.

-Realmente não somos.

Ela estalou os dedos e um de seus capangas se aproximou e me jogou em suas costas, acho que era o fim da linha, um saco foi colocado em minha cabeça, eu não conseguia ver nada, meu ar faltava cada vez mais, e eu só conseguia pensar será que todos estavam bem?
 
  Um longo caminho foi feito, ao chegar dentro do que parecia ser um galpão eu fui jogado no chão gelido e preso em um pilar.

  Retiraram o saco da minha cabeça e eu tossi algumas vezes, era uma sala pequena, havia uma cadeira na minha frente, onde Renata estava sentada, ela girou a faca em sua mão e com um gesto de mão seus capangas saíram fechando a porta.

-Bom Ekko, vou te fazer uma proposta, seus amigos de Piltover vem causando alguns prejuízos para mim, e você tem a opção de se aliar a nós.

-Eu luto contra o que vocês representam, acha que isso faz algum sentido?

-Vai poder salvar seu povo se tiver boa parte dos lucros, não é isso o que você quer?

  Eu encarei o chão, aquela proposta era tentadora, Renata sabia jogar o jogo da barganha. 
 
   

 

Opostos ComplementaresOnde histórias criam vida. Descubra agora