As vezes não temos opção

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Caitlyn

  Correr atrás de Vi era difícil, ela era bem mais rápida do que eu nesse quesito, assim que seu braço rasgou minha mente começou a se perguntar se ela havia notado as gotas de sangue caindo conforme ela corria, ela saltou sobre a caçamba de lixo e eu fiz o mesmo mas me paralisei sobre a caçamba, frente a ela; ele, Warwick, eu engoli a seco e encarei Vi, era perceptível que ela estava paralisada, sequer se moveu, sua respiração estava forte, medo, Vi estava visivelmente com medo, sem pensar muito eu dei um tiro no ombro dele, o animal sequer ligou, um movimento brusco quando ele uivou fez a bala desalojar caindo repleta de seu sangue.

-Vi...Precisamos fugir.

Ela negou com a cabeça.

-Não somos mais rápidas do que ele.

Ele se aproximava dela, espreitando-a como se estivesse brincando com uma presa, Vi pisou para trás, suas mãos tremiam, ele saltou na direção dela suas garras abertas iriam fatia-la no meio, ela não se moveu, e eu me joguei sobre ela a segurando contra mim e rolamos morro abaixo.

   Eu sentia meu corpo bater contra as coisas e ao batermos contra uma parede eu encarei Vi que estava sobre mim, ela me olhou parecendo grata, ela se pronunciou com um tom que até então eu não conhecia, sua voz veio baixa e doce, como se houvesse carinho e ternura:

-Valeu.

-Não há de que.

Ela se pôs em pé e vimos o lobo correr em nossa direção, Violet estendeu sua mão e puxou a minha ela começou a correr, eu a segui e o desespero me preenchia, ele não parava de nos seguir, não importava a Viela, beco, ou o local aonde entravamos, seu uivo e suas garras batendo no chão eram ouvidos, quando eu olhava para trás ele parecia cada vez mais perto.

  O desespero tomava conta de mim, em um salto rápido sua sombra nos cobriu e ele caiu frente a nós, encarava-nos como se fosse o fim da linha, Vi deu alguns passos para trás e eu dei outro tiro, que só pareceu o irritar mais, o mesmo mostrou seus dentes e Violet desatou a bandagem das mãos com velocidade e um pouco de desespero, ela correu na direção dele e ele fez o mesmo, o rosnado dele veio e ela passou por baixo dele se jogando no chão e jogou as bandagens em suas pernas as mesmas o circularam e ela pegou as pontas, prendendo-o, com uma puxada forte ela o derrubou e eu saltei sobre ele, ela amarrou as patas traseiras dele, e voltou a correr.

-Aquilo não vai segurar ele! -Ela afirmou enquanto corria rapidamente, colocou a mão em seu braço notando que não estava mais sangrando, estava seco, voltei a escutar a garra de metal batendo sobre o chão, Vi respirou fundo e adentrou o mesmo bordel de antes, eu a segui aquilo parecia perigoso, não demorou muito para a porta cair, e o monstro aparecer, as pessoas começaram a correr e nós entramos em um cômodo fechando a porta, Vi apoiou todo seu corpo nela, suas costas sustentavam a madeira, mantendo ela fechada, suas pernas tremiam e ela vacilou sentando ao chão com o corpo pressionando a porta.

-Por que voltamos aqui? -Perguntei baixo, sua respiração ainda estava descompassada, seu peito subia e descia rápido, como se ela ainda estivesse correndo.

-Sangue, o meu secou, se alguém se ferir, ele vai servir para despista-lo, era isso ou morreriamos.

  Eu confirmei, sabia o quão cruel aquela decisão era, mas ela estava correta as vezes não temos opção, escutávamos os gritos e berros lá fora, enquanto os uivos eram acompanhados de sons de móveis quebrando e vidros também, eu nunca havia escutado algo do tipo, encarei os órbes cinzas e ela suspirou, suas palavras me surpreenderam:

-Achei que fosse morrer...Se você não, estivesse ali...Obrigada por estar...

-Não precisa me agradecer. -Eu esperava dela um é nois, valeu, tamo aí, mas um obrigada é surpreendente, eu sorri fraco, então ela consegue ser gentil -Todo mundo precisa disso.

-Disso o que? -Seu cenho se franziu.

-De alguém que fique.

  Ela sorriu curto, mas pareceu pensativa, era como se quisesse dizer algo, não sei se estou parecendo emocionada com isso tudo, mas eu senti medo que ela morresse, ver Warwick destroçar ela, seria horrível, quando ele saltou, eu não tive escolha, precisava fazer algo, mesmo que custasse a minha vida.

  Sua mão tocou meu rosto e eu franzi o cenho, ela entreabriu os lábios mas pareceu desistir do que quer que fosse dizer, soltou meu rosto e se levantou fechando os olhos e apoiando o corpo todo na porta.

  O silêncio reinou, eu me aproximei da janela e pude ver o animal correr lá fora, pelas ruas escuras, eu respirei aliviada.

-Ele se foi.

  Vi abaixou seus olhos, como se sentisse raiva ou vergonha, ela pousou o ouvido sobre a porta e arregalou seus olhos, correu até o armário o abrindo e entrando no mesmo, ouvi um trinco na porta e ela me chamou com a mão, eu adentrei o local, a mesma fechou as duas portas, consegui ver a porta do cômodo abrir e Renata adentrar.

  Vi engoliu a seco, éramos ótimas em nos meter em encrencas que quase nos matavam e em ambientes apertados sem o mínimo espaço e ar para respirar.

-Você consegue ver algo?

  Ela perguntou em um sussurro, eu confirmei enquanto observava pela fresta do guarda roupa.

-Alguém o trouxe aqui!

-Sim, mas não vimos! Quem foi?

-Vocês.... -Renata suspirou e uma mulher alta e forte adentrou o local, seus cabelos eram curtos, batiam no meio do pescoço, ela riu e se pronunciou:

-Eu tenho um chute, Vi.

  Eu encarei a mulher que dividia o guarda-roupa comigo e ela fechou seus olhos apertando os lábios, que droga, será que fomos vistas?

-Ela está fora do caso, Caitlyn está nele.

  Então a notícia já havia chegado neles, isso só reforça a ideia de alguém fazendo jogo duplo.

-Mas isso não significa que ela não esteja em Zaun, ela descobriu que ele é o Vander, o doutor me contou o que fez, talvez seja vingança.

  Uma mulher que entrava no local afirmou, não sei quem era, mas parecia alguém com poder há julgar pelas jóias que usava.

  Renata se sentou na cama e perguntou para a mais alta:

-Sevika, quantos dos seus morreram?

-Erámos dez, quatro morreram hoje.

  Renata se levantou e bateu a mão sobre a escrivaninha com força.

-Vasculhem esse lugar e os arredores, não deve estar longe, por sorte Draven pode nos ajudar mais pra frente.

-Urgot requisitou meus serviços também...-A tal da Sevika falou.

  As pessoas saíram do quarto e Renata virou a mesa a derrubando, Draven...esse nome não me é estranho...Onde já ouvi? Ela saiu batendo a porta, a sorte é que no vasculhem esse lugar, esqueceram de começar por aqui, eu encarei Vi, não sabia se deveríamos sair, ela respirou fundo sussurrando:

-É pra foder mesmo.

   Sua voz baixa foi seguida de um longo suspiro, eu encarei seus lábios e torci os meus.

-Sabe quem é essa tal de Sevika?

-Sim, e como eu sei.

Seu tom desanimado me confirmou que coisa boa não era...Mas pelo menos ela estava com o Urgot nesse momento, e não com Renata.

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