Ausência

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Vi

  Já haviam se passado alguns dias, acho que cinco ou sete, acho que...perdi as contas, nesses últimos dias, tudo o que eu fiquei sabendo é que agora Caitlyn é Xerife, como eu já imaginava, ela havia sido nomeada, apesar da pouca vontade de sua mãe de fazer isso, Ezreal continua em coma, e eu? Bom, não foi difícil arranjar outro trampo, a diferença é que desse eu não gosto, e não tem nada especial nele.

  Toda noite, as exatas oito horas meu turno começava, eu passava a noite toda servindo bebidas e fazendo bebidas, acho que as experiências no bar do Vander me garantiram alguma coisa no lado-alto, o salário é bem abaixo do que eu recebia como Oficial, chegava a ser um quinto, mas, era melhor do que nada, eu assinei o contrato apesar do salário e da informação: Zero benefícios.

  Eu estava apoiada no balcão observando o movimento do local, pensando em como eu não tinha notado antes, o quanto queria que a Caitlyn ficasse na minha vida, e em quanto tempo eu perdi sendo orgulhosa e mesquinha.

  A cada dia eu me adaptava mais a ausência dela, mas não havia um dia sequer que eu não pensasse, se ela sentia minha falta, como eu sentia a dela.

-Terra chamando Violet.

  Eu pisquei algumas vezes e encarei a menina ao meu lado, ela era bem jovem, parecia ter no máximo uns dezoito anos, eu suspirei profundamente, essa garota também é bastante inteligente, ela tinha a pele negra, olhos verdes e um cabelo enrolado e curto, praticamente da altura de seu ombro, era um pouco mais alta que eu, o que não é surpreendente pra mim, ela tinha a altura da Caitlyn.

-Foi mal, eu estava...Distraída.

-Percebe-se.

-Bom, você deveria estudar, fazer alguma coisa que goste, não deve passar a vida aqui.

-Por que você não faz isso também?

  Eu desviei meu olhar, agora ela pegou em um ponto sensível, eu fiz isso, e consegui com muito esforço, e perdi em um piscar de olhos, eu suspirei.

-Deixa pra lá, meu caso é diferente do seu.

-Quem escuta, pensa que você é muito velha.

Eu suspirei e dei de ombros, o assunto morreu ali, e como sempre a noite demorou cotas para acabar, agora eu já não tenho o direito de ir para Aguamansa ver minha irmã, tudo que ainda tenho, é o Ekko, que vez ou outra me visita e leva o garotinho.

  Todos os dias eu passava no hospital depois do trabalho, ficava ali observando Ezreal e pensava inúmeras coisas, minha mente quase não descansava e eu fazia internamente afirmações para me sentir menos inútil.

  Depois do trabalho eu saí e caminhei rumo ao hospital, a menina me acompanhava até metade do caminho, onde seu caminho iria para uma rua aleatória diferente da minha.

  Ela caminhava em silêncio e suspirou fundo, ela parecia querer falar alguma coisa, eu a encarei franzindo o cenho e logo ela me perguntou o que queria saber:

-Aonde aprendeu a fazer aqueles giros com os copos?

-Trabalhei em um bar; quando era adolescente.

-Á, e onde ficava?

-Em Zaun.

  Ela ficou em silêncio por um tempo, eu não me incomodei com o silêncio dela, eu já estou adaptada com o silêncio das pessoas quando falamos em Zaun aqui em cima.

-Você trabalhava no que antes de entrar no bar?

Dessa vez o silêncio foi meu, eu dobrei a rua que dava acesso ao hospital e fiz um tchau com a mão.

-Até amanhã.

  Eu falei e apertei o passo, cheguei na recepção e fiz a ficha de visita recebendo a pulseira eu fui para o quarto de Ezreal, frente a porta eu respirei fundo, empurrei a madeira e entrei no local, todo esse branco me dá dor nos olhos, eu eu me sentei na poltrona, em completo silêncio, corri a mão sobre a dele, o quarto gelado me dava calafrios, eu dei um suspiro.

-Sinto muito Ezreal, não era pra ser assim.

  Eu deitei a cabeça sobre a cama e permaneci em silêncio, meus olhos se fecharam e eu respirei fundo.

Caitlyn

  Eu caminhei até a sala que agora era minha, apesar do enorme vazio que eu sentia quando passava pelo corredor e encarava a sala dos oficiais, eu não deixava isso transparecer mas Vi e Ezreal faziam falta, muita falta, quando eu encarava aquele local, era quase como se eu conseguisse ver eles ali.

  Eu abri a porta adentrando a minha sala e suspirei fundo, eu havia modificado muitas coisas na sala, a primeira foi a cor a segunda foram os móveis, não gostava de imaginar aquele corrupto aqui.

Eu me sentei e dividi as tarefas, as equipes eram formadas por mim visando combinar suas habilidades em campo, eu recebia a visita de Jayce várias vezes, todos já estavam cientes da saída de Vi, e alguns achavam que ela saiu porque nós nos dávamos mal, eu provavelmente, sou a pessoa aqui que mais sente o peso de sua ausência, a decisão dela deixou minha mãe completamente feliz, ela sequer disfarçou a alegria as custas da minha dor, mas eu precisava ser imparcial, não podia dar crédito ou benefícios para ela só porque meus sentimentos por ela são diferentes, é doloroso para mim, tanto quanto deve ser para ela.

  O dia passou rapidamente, eu estava tentando manter o equilíbrio dentro da delegacia, e até o momento parecem estar se adaptando bem a minha forma de manter o local girando.

Três batidas na portam foram ouvidas perto do final do dia, eu pedi para que entrassem e uma das oficiais mais talentosas que tínhamos adentrou o local, Rell era uma mulher bastante esperta.

-Senhora.

Ela fez uma continência e eu direcionei a mão para a cadeira como um pedido para que ela se sentasse, ela compreendeu e se sentou.

-Não tive progresso ainda, acho que precisamos de mais tempo.

  Eu confirmei e encarei a pasta nas mãos dela, estendi minha mão e a mesma me entregou o objeto, eu cruzei as pernas e coloquei a pasta sobre minha mesa abrindo e lendo cada detalhe, analisando cada prova, poderia parecer que eu estou duvidando da palavra dela, mas eu sinceramente não permitiria que algo me fizesse de boba novamente, não como o Xerife e Tremello fizeram.

  Eu terminei de analisar tudo e fechei a pasta encarando ela e falando:

-Tenho certeza de que você irá conseguir solucionar, vá para Aguamansa amanhã, talvez ajude; converse com os policiais de lá. Se precisar de auxílio venha até minha sala.

  Ela confirmou, eu entreguei para ela a pasta, naquele momento a moça se levantou e saiu da sala, eu fechei a janela e a persiana e segui meu caminho saindo e indo direto para casa.

 

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