Caitlyn
Eu caminhei com a mulher até um restaurante aleatório, não precisava ser nada bom, afinal eu estava fazendo isso por obrigações.
-Então Xerife o que gostaria de conversar?
Ela perguntou ao se sentar, eu suspirei me sentando e cruzando as pernas, precisava pensar em algo rápido, precisava de respostas, mas isso é tarefa do Ezreal nesse momento, ele é o responsável por descobrir as coisas, eu só preciso fazer parecer que existe algo para se conversar.
"Já sei!"
-Desculpe...-Ela franziu o cenho e eu suspirei olhando para a mesa como se estivesse envergonhada. -Desculpe mesmo... Não ter escutado você a respeito da Violet...Eu sou idiota mesmo.
-Não! -Ela pousou sua mão sobre a minha e seu polegar correu levemente sobre meu dedo. -Não precisa pedir desculpas Caitlyn, isso estava além do seu campo de visão...Apesar de ser bem óbvio que ela não presta.
"Maldita! Ainda tá falando mal da minha mulher!"
Eu suspirei e neguei com a cabeça apertando os lábios, eu preciso melhorar o teatro, tipo o tapa na cara da Vi da última vez.
-Para mim não era óbvio, por que eu não escutei você?
-Tudo bem Caitlyn... -Eu confirmei com a cabeça, a moça segurou minha mão e eu não estava muito confortável mas precisava continuar o teatro. -Não se culpe, ela que é idiota você não é...Mas agora que ela não está mais aqui, o que você pensa em fazer?
-Como?
Eu perguntei confusa, a mulher respirou fundo e soltou minha mão, eu rapidamente ajeitei uma mecha do cabelo atrás de minha orelha, seus olhos me fitaram, do mesmo jeito que a Vi fazia, eu engoli a seco.
A garçonete felizmente se aproximou, fizemos os pedidos e quando a mulher saiu seus olhos caíram em mim novamente, eu suspirei pesadamente olhando para a rua.
-O que você pretende fazer com esse sentimento?
-Destruir ele, que opção eu tenho além desta?
Eu falei baixo, quase como se o diálogo me abalasse completamente, o que não é uma completa mentira, eu estava sim angustiada, mas com a prisão de Vi, e não com o fato dela ser uma corrompida, até porque tudo foi uma farsa mesmo.
-Você tem muitas formas de fazer isso.
Eu senti um tom sugestivo na voz dela, eu franzi o cenho como se não estivesse compreendendo o assunto, apesar de ter entendido perfeitamente.
-Eu ainda não sei como vou fazer isso.
Eu falei tentando não deixar as coisas tomarem um rumo desrespeitoso ao meu atual relacionamento.
Quando os pratos chegaram eu comi o mais rápido que eu podia, porém sem parecer desesperada, eu estava começando a me sentir um pouco desconfortável com esse rumo.
-Bom, eu já vou...-Eu encostei o guardanapo algumas vezes nos lábios e encarei a garota enquanto reunia os talheres. -Obrigada, precisava falar nisso com alguém que não fosse me julgar.
Ela confirmou e suspirou, eu me levantei e ela se levantou em um salto, eu encarei a mulher e ela selou seus lábios sobre os meus rapidamente e me deu as costas em seguida.
Eu arregalei meus olhos surpresa.
-Ai não...-Eu falei baixo e toquei a cabeça, Vi ficaria muito irritada se soubesse disso, não seria correto esconder dela, mas eu fui pega de surpresa, ela vai pensar o que? Que eu deixei? Que eu quis?
"Que audácia dessa garota!"
-Caramba... -Eu falei baixo e respirei fundo, sai do local indo até o balcão para pagar minha parte.
Eu saí do local indo direto para a delegacia, eu chamei Ezreal em minha sala assim que cheguei.
-Caitlyn olha isso! -Ele me estendeu os papéis -Você não vai acreditar na audácia dessa vagabunda de quinta!
Eu me sentei e pedi com a mão para ele trancar a porta, ele a trancou e eu toquei as têmporas.
-Você também não vai acreditar na audácia dela.
-Que? Como assim?
Eu respirei fundo e encarei os olhos azuis do loiro que se sentou em minha mesa.
-Ela me beijou Ez...Ela me BEIJOU em público Ezreal!
-Que VAGABUNDA!!
-Como eu vou contar isso pra Vi? -Eu fechei meus olhos me lamentando.
-Não vai! Ficou maluca? Quer dar um motivo de verdade pra ela ser presa?
Vi
No meu último dia, pelo menos eu espero que seja meu último dia, eu cheguei exatamente onde queria, durante a madrugada um dos cinco policiais me tirou da sela, sem justificativa alguma, ele colocou um saco preto na minha cabeça e me arrastou consigo pelos corredores, mentalmente eu contava quantos passos dava e para que direção virava, formando um mapa mental para não me perder caso algo horrível aconteça.
-Ai vadia! -Ele me empurrou me derrubando no chão, ainda com o saco em minha cabeça eu pude ouvir a voz de todos eles, mas não havia clareza em suas palavras, eles falavam baixo. -O negócio é o seguinte...-Um deles retirou o saco da minha cabeça, eu tossi algumas vezes, por estar algemada eu estava torcendo para que nada ruim acontecesse. -Você vai entregar isso para o Urgot, demos uma olhada em tudo, e você com certeza não é a pessoa mais pura do mundo. -O homem desatou alguns botões da minha camisa e colocou a chave gelada dentro do meu top, por um segundo eu quis vomitar, ele riu levemente e me levantou, o mesmo destravou as algemas. -Vadia se você fizer alguma merda, a gente vai acabar com a sua irmãzinha. -Eu arregalei meus olhos e ele desferiu um tapa no meu rosto.
Eu engoli a seco e suspirei, o outro deles respirou levemente e apontou para trás, eu me virei para trás e ali estava, uma porta de metal, eu a abri dando de cara com um penhasco enorme e o mar no horizonte, o vento cortante da madrugada invadiu meus pulmões me fazendo engolir a seco, meus olhos fitaram o céu, eu olhei para eles novamente.
-A gatinha não sabe nadar? -Um dos homens riu e eu olhei novamente para baixo, era alto, e haviam tantas pedras que as chances deu morrer eram gigantescas. -Você precisa de um impulso?
Ele se aproximou e eu me joguei, minhas mãos foram estendidas para frente formando um triângulo para cortar a água, quando meu corpo se chocou com o gélido da água do mar eu pude sentir a fúria das ondas meu jogar para baixo.
-Porra...- Eu subi para a superfície e comecei a observar o local, o mar agitado me fazia querer pisar no chão novamente, as ondas vez ou outra me empurravam e me acertavam, eu subi uma das mãos até a chave em meu seio e a peguei, elevei ela ao meu campo de visão, na mesma tinha o símbolo da aranha, nem foi tão difícil quanto eu imaginei que seria, o problema agora seria o mar, eu odeio ondas! -Tudo bem...-Eu coloquei a chave na corrente do pulso para não perder e comecei a nadar.
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Opostos Complementares
FanfictionCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
