Tremello
Quando eu fui jogado ao chão o saco foi retirado do meu rosto, eu encarei o olhar frio de Vi, estava em uma sala pequena, tudo era de madeira ao redor, sequer sei aonde estamos.
Ela tinha um olhar frio e com tanto ódio que eu senti meu corpo gelar, ela fechou seu punho e senti um soco ser desferido na minha face, uma sequência de socos e chutes entraram em mim, eu não conseguia me defender apesar de tentar.
Ela me puxou pelo colarinho e seus olhos vazios e repletos de lágrimas curtas se fecharam, ela suspirou.
-Peça perdão por seus erros...vai ser a última vez que vai ter essa oportunidade.
Eu engoli a seco e ela me jogou na direção da parede, eu bati contra a madeira caindo ao chão em seguida, ela se pôs sobre mim segurando meu pescoço com uma mão e esmurrando meu rosto com a outra, eu tentava a empurrar com as mãos mas ela era muito mais forte do que eu imaginava.
Senti meu ar faltar e fechei meus olhos, minhas mãos que insistiam em se soltar caíram contra a madeira gelada, meus ouvidos zuniam, eu não conseguia mais raciocinar, ela não afrouxou a mão e sequer parou de me bater, quando ela parou eu senti uma lágrima gelada pingar no meu rosto quente, provavelmente eu estava coberto de sangue, minha visão turva via suas vestes e mãos repletas de sangue.
Meus olhos se fecharam e se abriram com dificuldade e ela apenas me encarou, ela se levantou e suspirou, eu queria mas não conseguia me mover, permaneço no chão gelado, meu nariz ardia quando eu respirava, creio que estou perto de morrer, eu podia ouvir as batidas do meu coração devido ao zunido que não me deixava ouvir direito nada externo.
Eu franzi meu cenho e ela me levantou me algemando no pilar, eu arregalei meus olhos quando ela virou um tambor de gasolina no chão, a mesma veio até mim amordaçando minha boca e despejando parte da gasolina sobre meu corpo, meu rosto ardeu tanto que eu pude perceber que estava todo cortado, as lágrimas correram do meu rosto e ela riscou um fósforo o jogando sobre o líquido no chão, a mesma saiu do local e se foi trancando a porta, minhas lágrimas corriam do rosto e eu entrei em desespero ao ver o fogo alastrar toda a casa, e começar a tomar conta do meu corpo.
Vi
De longe eu e Ekko assistimos a casa pegando fogo, a casinha de madeira na beira do córrego de Zaun havia sido minha por muito tempo, hoje estava abandonada, eu suspirei e senti a mão dele tocar meu ombro, eu sabia que se Caitlyn soubesse disso, ela jamais iria me ver do mesmo jeito, mas eu não poderia correr o risco dele prejudicar ela, eu notei que ele estava vigiando ela, não podia permitir que ele machucasse alguém, já foi longe demais, eu condeno e sujo minhas mãos, de uma forma que eu jamais imaginei que faria, pois quando fiz foi por defesa, mas foi mais fácil do que eu esperava, agora também não foi difícil, e libertaria algumas pessoas de um destino ruim, o peso de matar alguém caiu sobre mim, mas será que é a última vez...Que eu vou longe assim?
-Você é muito forte.
Ekko falou baixo e eu dei de ombros, não era isso que eu sentia, eu o abracei e entreabri meus lábios para sentir melhor o ar gelido em meus pulmões, enfim eu falei:
-Nós nos vemos amanhã okay?
-Okay.
-Siga o plano.
Ele apertou seus lábios e confirmou seguindo seu caminho, eu voltei para minha casa e entrei lentamente para não acordar ninguém, estavam todos apagados, eu encarei Ezreal, bondoso até demais, em seguida encarei Caitlyn, sobre ela eu não tenho nem o que dizer...Nunca imaginei que conheceria tanto dela.
Suspirei pesadamente, caminhei até o banheiro ligando o chuveiro, encarei minhas vestes todas sujas de sangue, eu estendi a mão para a água que caia fazendo-a levar o sangue embora, como se isso fosse capaz de limpar minha alma, no mesmo instante eu senti braços me envolverem, um abraço sutil e quente, o corpo sobre o meu era bem conhecido, eu encarei Caitlyn sobre meu ombro e a mesma franziu o cenho confusa, pelo visto ela consegue ler meu olhar.
-O que aconteceu?
Sua pergunta em um tom preocupado me fez suspirar e meu coração apertou no mesmo momento, eu sabia que perderia ela a partir do momento em que ela soubesse que eu matei um "suspeito", mas como eu vou perder o que nunca foi meu?
"Existe um preço pela paz"
Eu repeti baixo para mim mesma em minha mente, ela me soltou e eu me virei para ela, a mesma correu os olhos pelas roupas, agora com leves marcas de sangue e em seguida me olhou perguntando:
-O que você fez?
-A única coisa que podia fazer.
-Você...Não me diz que você...
Eu segurei o rosto dela em minhas mãos, meu polegar correu sobre sua bochecha e em seguida eu depositei um beijo sobre seus lábios, a mesma apenas correu sua mão por meu rosto e quando eu me afastei entrei embaixo da água com as roupas e ela suspirou, provavelmente estava bem nítido que eu não diria nada, não acho que vale a pena dizer, talvez ela me odiasse por isso, mas eu nunca fui a melhor pessoa para ela isso é fato, talvez se ela partisse estivesse melhor.
-Não quero falar nisso.
Ela confirmou engolindo a seco, um suspirou saiu dos meus lábios, eu apenas a encarei, acho que somos opostas demais para ela estar tão próxima de alguém como eu, talvez tudo seja melhor para ela se eu estiver longe.
Eu retirei a jaqueta a deixando cair sobre o chão e em seguida retirei a camisa, a mesma me encarou e suspirou.
Ela entrou embaixo da água, vestida como eu e correu sua mão por meu rosto, meus olhos se fecharam, como se internamente eu quisesse prevalecer ali, por um instante nessa noite eu senti a bondade me tocar fundo.
-Eu não sei o que você fez... -Ela deu uma pausa tortuosa e eu engoli a seco, a maior depositou um beijo em minha testa e eu abri meus olhos a encarando. -Mas isso não vai mudar quem você é pra mim.
Eu tentei ligar os fatos mas minha mente a milhão não me deixava entender esse assunto, seus dedos continuavam acariciando meu rosto, eu segurei sua mão que estava correndo em meu rosto e corri o polegar e o indicador fazendo um leve carinho em sua pele, meus olhos fitaram os dela, minha pergunta enfim veio:
-Quem eu sou para você?
-Eu... - Ela sorriu curto e negou com a cabeça, eu apenas continuei encarando-a, ela parecia ponderar se dizia ou não algo, no mesmo instante ela encarou meus olhos profundamente. -Eu acho que eu amo você.
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Opostos Complementares
FanfictionCaitlyn e Vi são pessoas completamente diferentes, com vidas diferentes e histórias muito distintas. Mesmo assim, vencer as diferenças pode ser necessário para um bem maior. Da diferença, nasce algo ainda maior do que tudo já conhecido por ambas. ...
